Língua Portuguesa, Literatura e Alfabetização

Mês: novembro 2020

Como usar o imperativo para reforçar sua autoridade

Se o seu verbo for fraco e a sua sintaxe não tiver firmeza, suas frases despencarão.  Esse ensinamento do escritor William Zinsser é certeiro.

Um verbo no modo e no tempo corretos molda a forma como as pessoas te enxergam como profissional. Sua firmeza e confiança no próprio trabalho transparecem na sua escrita.

E o modo verbal que melhor expressa esses sentimentos é o imperativo. Para mostrar isso na prática, vou analisar um story da Gabi Pazos .

Imperativo – o que é?

O imperativo é um dos três modos verbais (junto com o indicativo e o subjuntivo). Ele é usado para fazer uma exortação, dar uma ordem ou oferecer uma sugestão.

De acordo com o gramático Napoleão Mendes de Almeida, esse modo verbal estabelece uma relação de império, ou seja, de uma pessoa que conduz outra.

Por isso, ele é ideal para expressar a autoridade de um profissional em determinado campo do saber.

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Repetição e retórica: 15 figuras de linguagem para você usar

No campo da estilística, existem diversas formas de usar a repetição de palavras ou frases para melhorar sua argumentação. Neste artigo, vamos mostrar 15 figuras de linguagem desse tipo para você aprimorar seus textos.

1) Epizeuxe ou paliologia

A epizeuxe é uma figura de linguagem que, segundo o dicionário Michaelis, consiste na repetição da mesma palavra sem o uso da conjunção.

O objetivo é amplificar um argumento, exprimir compaixão ou fazer uma exortação.

Ex: Corra, corra, corra, que a aula já vai começar!

2) Epanáfora

Epanáfora é a repetição de uma mesma palavra no início de todas frases ou versos.

ex: A escrita é filha da leitura. A escrita é irmã da experiência. A escrita é gêmea da personalidade.

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Clube da Luta: 3 estratégias narrativas para você usar no seu texto

Agilidade, agressividade e ironia: o livro Clube da Luta é um retrato de uma geração. Nele o autor, Chuck Palahniuk, usa uma série de estratégias narrativas que casam perfeitamente com o espírito da época digital que estamos vivendo.

Neste texto, separei três delas para você aplicar ao seu conteúdo.

1) PARATAXE

É uma figura de linguagem que consiste em usar várias frases curtas justapostas sem nenhum conectivo ligando uma a outra.

Esse recurso ajuda a dar mais dinâmica e ritmo ao texto. Veja um trecho abaixo:

“Troca feita. O filme continua. Ninguém na plateia tem ideia do que aconteceu” (p.30).

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Eufemismo – o que é, quando usar, exemplos

O eufemismo é uma figura de linguagem que consiste em suavizar uma ideia negativa. O objetivo é substituir palavras mais chocantes e pesadas por outras mais suaves e agradáveis.

Neste artigo, vamos fazer uma análise completa desse recurso estilístico. Você vai entender:

  • Exemplos de uso do eufemismo;
  • Quando usar eufemismo;
  • Origem da palavra eufemismo;
  • Antônimo de eufemismo.

Vamos lá destrinchar essa figura de pensamento então!

Exemplos de eufemismo

Ex1: Ele foi morar no andar de cima (em vez de ele morreu).

Ex2: Aquele homem vive de caridade pública (em vez de “vive de esmola”).

Ex3: O meu amigo é desprovido de inteligência (em vez de “é burro”).

Ex4: Mário está mais cheinho (em vez de “está gordo”).

Ex5: O banco reajustou as taxas neste mês (em vez de “aumentou”).

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Ponto de interrogação – 4 formas de usar

O ponto de interrogação é um sinal utilizado, em geral, para indicar perguntas diretas (ex: você foi à festa ontem?). Além dessa função mais conhecida, há outras quatro. É disso que falaremos neste artigo. Vejamos!

1) Indicar incerteza

Nesse caso, a pontuação de interrogação vem entre parênteses. A ideia é expressar dúvida sobre o que está sendo dito.

Ex: eu usei o termo estacionário (?), mas penso que poderia usar uma palavra melhor naquele contexto.

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Black friday: estrangeirismo ou empréstimo linguístico?

Na imagem, está escrito
A expressão é um estrangeirismo ou um empréstimo linguístico?

Se tem um termo que entrou de vez para o vocabulário do brasileiro é black friday. Trata-se de um dia, em geral em novembro, em que vários comerciantes oferecem grandes descontos para atrair mais clientes. Todo ano, milhares de pessoas esperam pela data para irem às compras.

Essa expressão é interessante, porque ela nos permite abordar o tema da incorporação de palavras estrangeiras à Língua Portuguesa, em especial a diferença entre estrangeirismo e empréstimo linguístico. Neste artigo, vamos explicar esses dois conceitos e mostrar em qual deles se encaixa o termo black friday.

Empréstimo linguístico

Quando uma palavra é incorporada a um idioma com alteração na sua grafia, estamos diante de um empréstimo linguístico. Dito de outra forma, são aqueles vocábulos estrangeiros que foram aportuguesados. Vejamos abaixo alguns exemplos:

  • Beef – Bife;
  • Football – Futebol;
  • Picnic – Piquenique;
  • Stress – Estresse;
  • Abat-jour – Abajur.

Uma curiosidade é que alguns termos estrangeiros possuem correspondentes pouco usados no português. Por exemplo, futebol também pode ser chamado de ludopédio e piquenique de convescote.

Por serem estranhos, esses vocábulos não caíram no gosto dos falantes e acabaram esquecidos.

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Figuras de linguagem: o que são, exemplos e como usar

As figuras de linguagem são estratégias estilísticas que visam expressar sentimento e emoção. De acordo com o gramático Rocha Lima, as figuras são recursos que autores usam para conferir vivacidade e beleza ao estilo. 

Elas se dividem em quatro tipos de figuras de linguagem

  • Figuras de palavra; 
  • Figuras de construção; 
  • Figuras de pensamento; 
  • Figuras fônicas. 

Neste artigo, vamos detalhar cada um desses grupos. Vejamos! 

Figuras de palavra 

Nas figuras de palavra ou de estilo, os vocábulos assumem significados diversos daqueles que originalmente possuem. Vejamos quais são essas figuras. 

1) Metáfora

É quando um termo adquire outro significado em decorrência de uma comparação implícita. De acordo com Rocha Lima, a metáfora transporta o nome de um objeto a outro, em decorrência de uma característica que é comum aos dois. 

Por exemplo, a folha da árvore dá nome à folha de papel, porque ambas têm uma espessura pequena. Entenda a metáfora com exemplos

Ex: a tribo vivia no coração da floresta. 

2) Comparação 

Diferentemente da metáfora, a comparação ou símile é uma associação explícita. Por isso, nessa figura, usamos o conectivo ou a expressão que estabelece a comparação. 

Ex: ele é alto como uma montanha. 

3) Metonímia 

Nessa figura, temos uma relação de troca do todo pela parte e vice-versa. Veja exemplos de metonímia.  

Ex: o país (a população do país) vibrou com aquele gol. 

4) Catacrese 

Trata-se de uma metáfora que, de tão usada pelos falantes, perdeu a conexão com a comparação inicial que lhe deu origem. Entenda como usar a catacrese com exemplos

Ex: asa da xícara, pé do sofá, perna da mesa. 

Veja mais sobre essa figura de linguagem no vídeo abaixo: 

5) Perífrase 

Trata-se do uso de mais palavras para expressar uma ideia que poderia ser dita com menos termos. 

Ex: o rei da selva (em vez de “o leão”) é um dos animais mais admirados do mundo. 

6) Sinestesia 

A sinestesia é a figura de linguagem que indica a mistura dos sentidos ou das impressões sensoriais. 

ex: voz áspera, cheiro doce, som aveludado. 

Veja no vídeo abaixo mais informações sobre essa figura de palavra: 

Figuras de construção 

As figuras de construção ou figuras de sintaxe envolvem a alteração da ordem sintática das orações para expressar determinados sentidos ou provocar sentimentos. Vejamos quais são essas figuras. 

1) Hipérbato 

De acordo com o professor Fernando Pestana, trata-se de uma inversão violenta da ordem natural da frase. 

Um exemplo clássico é o hino nacional brasileiro, como você pode conferir no vídeo abaixo: 

OBS: no campo das inversões sintáticas, há ainda a anástrofe e a sínquese. Esta é uma inversão mais branda. Já aquela é uma inversão tão profunda, que torna o significado da frase até obscuro. 

2) Pleonasmo 

É uma das figuras de linguagem mais conhecidas. Segundo Pestana, trata-se da repetição da significação de palavras ou de termos oracionais. 

Ex: chorou um choro profundo. 

Há casos em que o pleonasmo não é utilizado para efeito estilístico, mas é sim fruto de um vício de linguagem. Nesse caso, dizemos que se trata de um pleonasmo vicioso. 

ex: subiu para cima, entrou para dentro, fato real. 

Falei sobre a diferença entre o pleonasmo bom e o ruim no vídeo abaixo: 

3) Anacoluto 

É uma quebra na ordem direta da frase que deixa um termo sem função sintática – normalmente no início da oração, funcionando como um tópico. 

Ex: nosso amor, aquilo era apenas passageiro. 

4) Elipse 

É a omissão de um termo ou de uma expressão. 

Ex: saímos da sala apressados (o pronome “nós” está elíptico). 

Existe uma relação entre a elipse e o uso da vírgula. Falei mais sobre esse tema no vídeo abaixo: 

5) Zeugma

Trata-se de um tipo específico de elipse, que consiste na omissão de um termo anteriormente mencionado. 

Ex: Paulo trabalha com informática; Júlio, com comunicação (o verbo “trabalha” está elíptico na segunda oração). 

6) Assíndeto

É a ausência de síndeto, ou seja, do conectivo que liga orações. 

Ex: fui à feira e comprei: mamão, laranja, maça, goiaba. 

7) Polissíndeto 

É o contrário do assíndeto. Nessa figura de linguagem, há a repetição do conectivo. 

Ex: acordei, e comi, e saí, e trabalhei, e voltei, e dormi. 

8) Anáfora 

É a repetição de uma palavra no início da frase. 

ex: quando não tinha nada, eu quis/Quando tudo era ausência, esperei. 

O professor Fernando Pestana faz uma ressalva importante: “não confunda anáfora, figura de linguagem, com anáfora, processo de coesão. Nesta, um vocábulo tem o papel de retomar outro já mencionado” 

Falei mais da anáfora, figura de linguagem, no vídeo abaixo: 

Figuras de pensamento 

Nas figuras de pensamento, de acordo com Pestana, exploram-se mais as ideias do que as palavras em si ou a disposição delas na frase. Vejamos abaixo quais são elas. 

1) Antítese 

A antítese é um contraste entre duas expressões, pensamentos ou palavras (antônimas). O objetivo é criar uma ideia de oposição. 

Ex: ele adora me odiar. 

2) Oxímoro (paradoxo)

É uma contradição extrema, que implica falta de lógica. 

Ex: na sala, havia uma gritaria silenciosa. 

3) Hipérbole 

A hipérbole é figura de linguagem que indica um exagero. 

Ex: ela chorou rios de lágrimas. 

Falei um pouco mais sobre essa figura de pensamento no vídeo abaixo: 

4) Gradação 

Refere-se a uma enumeração que indica crescimento ou diminuição, configurando um clímax ou um anticlímax. 

Ex: não quero, não posso, não devo. 

Ex: é um pássaro, é um avião, não… é o super-homem. 

5) Eufemismo 

O eufemismo é uma suavização da linguagem. É o ato de usar uma expressão mais branda para expressar uma ideia mais pesada. 

Ex: ele foi morar no andar de cima (em lugar de “ele morreu”). 

Falei um pouco mais sobre essa figura de pensamento no vídeo abaixo: 

6) Ironia 

É uma forma de falar o aposto daquilo que realmente se falou. Em geral, essa figura de linguagem carrega um tom de deboche. 

Ex: ele é um ótimo colega de trabalho, porque fala mal de todo mundo. 

7) Prosopopeia (personificação) 

É a atribuição de características humanas a seres inanimados ou a seres não humanos. Observe exemplos de prosopopeia

Ex: a floresta sofre com a destruição. 

Ex: as paredes dessa empresa ouvem cada coisa. 

No vídeo abaixo, detalhei um pouco mais essa figura de pensamento: 

8) Apóstrofe 

É um chamamento ou uma invocação que se faz no início da frase. 

Ex: Márcia, venha que estou te esperando! 

Figuras fônicas 

Nas figuras de som, a ideia é explorar a camada sonora da linguagem para, segundo Pestana, produzir determinados efeitos. Vejamos quais são elas. 

1) Aliteração 

A aliteração é a repetição de uma mesma consoante em várias palavras da frase. 

Ex: a louça luzia a luz da lâmpada. 

Aprofundei um pouco mais essa figura fônica no vídeo abaixo: 

2) Assonância 

Assonância é, de acordo com Pestana, a repetição da vogal tônica ou do encontro vocálico na sequência da frase. 

Ex: Ana ama Anderson. 

Ex: juro que não acreditei/ Eu te estranhei/ Me debrucei… 

Se quiser saber mais sobre essa figura de som, confira o vídeo abaixo: 

3) Paranomásia 

É um jogo de palavras que consiste na aproximação de termos pela semelhança da forma ou da pronúncia. 

Ex: exportar é o que importa. 

4) Onomatopeia 

A onomatopeia indica palavras que imitam sons. 

Ex: o zum-zum das pessoas pelas ruas era intenso. 

Falei mais um pouco sobre essa figura de linguagem no vídeo abaixo: 

Como usar figuras de linguagem no seu texto? 

Agora que já conhece as figuras de linguagem, vou ensinar para você um método prático para usá-las nos seus textos. 

Primeiro, você deve escrever o conteúdo mais cru, sem se preocupar com as figuras de linguagem. Veja o exemplo abaixo: 

Ex: a leitura constante melhora a escrita. 

A partir daqui, acrescentamos algumas figuras de linguagem. Vamos começar pela apóstrofe (um chamamento ao leitor no início ou no meio do texto). 

Ex: atenção, produtores de conteúdo! A leitura constante melhora a escrita. 

Agora, vamos colocar uma metáfora para reforçar o argumento. 

Ex: atenção, produtores de conteúdo! A leitura constante melhora a escrita. Cada livro é uma janela que se abre na sua mente. 

Já tá com outra cara, né? Mas cabe ainda uma prosopopeia (atribuição de ações humanas a objetos inanimados). 

Ex: atenção, produtores de conteúdo! A leitura constante melhora a escrita. Cada livro é uma janela que se abre na sua mente. As histórias que as páginas contam enriquecem seu repertório. 

Pronto! Agora temos um parágrafo com um argumento central apoiado por três figuras de linguagem. É esse o papel da estilística.

3 pilares infalíveis para melhorar sua escrita

Eu trabalho com produção e revisão de textos há mais de uma década. Nessa jornada, percebi que há 3 pilares que sustentam uma boa escrita. Eles formam um ciclo de melhoria contínua da produção de conteúdo e devem ser desenvolvidos em conjunto, já que cada um deles sozinhos não é suficiente para que elevar a qualidade do seu texto.

Neste artigo, vou falar sobre cada um deles e mostrar para você a importância de na sua jornada de produtor de conteúdo. Vamos lá!

1) Leitura constante

Não existe escrita sem leitura. Como bem destaca a professora Irandé Antunes, “a escrita é uma atividade em relação de interdependência com a leitura. Ler é a contraparte do ato de escrever, que, como tal, se complementam”.

A leitura é como se fosse a gasolina do seu carro. Quanto mais você consume bons livros, mais cheio estará o seu tanque e mais longe conseguirá ir. Por isso, essa bagagem cultural tem que ser construída ininterruptamente.

Quando você para de alimentar seu imaginário, seu conteúdo vai ficando mais pobre e repetitivo.

Por mais que você não vá utilizar toda a informação que está armazenando na sua mente, esse estoque de conhecimento vai se refletir nos seus textos de alguma forma.

O professor William Zinsser, autor do livro “Como escrever bem”, explica que todo produtor de conteúdo competente “deve sempre reunir mais material do que vai utilizar. A força de um texto é proporcional à quantidade de detalhes dentre os quais pode escolher os poucos que servirão aos seus propósitos”.

Em outras palavras: mais conhecimento é igual a mais caminhos possíveis. Ao ler bastante, você terá um arsenal infindável de informações e de estratégias literárias para aplicar ao seu trabalho.

É isso que vai te diferenciar da média do mercado.

Por isso, minha dica é você incluir a leitura na sua rotina diária. Reserve entre 30 minutos e duas horas para ler bons livros de estilos variados.

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