Língua Portuguesa, Literatura e Alfabetização

Autor: admin (Page 2 of 85)

Arte literária – entenda a relação entre arte e literatura

O ser humano sempre sentiu a necessidade de se comunicar para transmitir informações, emoções, ideias, desejos etc. Entender e ser entendido sempre foi uma questão inevitável entre os indivíduos, por isso o homem encontrou inúmeras formas de se expressar ao longo dos séculos.

Gestos, expressões faciais, músicas, danças, desenhos, pinturas, esculturas… esses são só alguns exemplos. Mas não há como negar que, de todas as formas de comunicação que existem, a linguagem verbal é a mais eficaz, sendo manifestada pela fala e pela escrita. Ambas as manifestações tem como matéria-prima a palavra, e o homem foi descobrindo inúmeras formas de utilizá-la com o passar do tempo.

De modo geral, podemos dividir toda a nossa comunicação verbal em literária e não literária. Enquanto o texto não literário tem como objetivo principal informar, esclarecer, explicar, ou seja, tem um aspecto mais utilitarista, o texto literário faz o uso estético da linguagem verbal falada ou escrita, por isso é considerado uma arte, a arte literária.

Mas o que é arte?

Dentre os muitos significados de arte, podemos destacar estes que aparecem no dicionário on-line da Porto Editora:

  • expressão de um ideal estético através de uma atividade criativa;
  • conjunto das atividades humanas que visam essa expressão;
  • criação de obras artísticas (…)

Ou seja, podemos compreender a arte como uma atividade criativa que visa a expressão de ideias, ideologias, sentimentos, emoções, culturas e tudo mais que se desejar externar.

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Teoria dos atos de fala – conheça a teoria de Austin e Searle

Qual é o sentido por trás do ato de falar? Podemos fazer coisas através da fala? É possível agir através de palavras? O que, afinal, nos impulsiona a dizer algo? É isso que estuda a Teoria dos Atos de Fala.

Já vimos anteriormente com o filósofo pioneiro da Filosofia da Linguagem, Ludwig Wittgenstein, que, no jogo de linguagem, o sentido das palavras é determinado pelo seu uso em diferentes interações linguísticas. Mas daí surgiram outras questões:

O que quer
O que pode esta língua?
(Caetano Veloso)

A resposta é dada pela Teoria dos Atos de Fala, proposta inicialmente por John Langshaw Austin (1911-1960), filósofo pioneiro da Escola Analítica de Oxford, e depois incrementada por John Searle (1932) a partir da Filosofia da Linguagem.

Resumidamente, a teoria acredita que a função da fala vai muito além de transmitir informações. Para ele, falar é a expressão de uma ação e representa, portanto, uma forma de agir sobre o interlocutor e sobre o mundo circundante, dando sentido a ele. O ato de fala é, portanto, toda ação realizada através do dizer.

Para Austin, essa ideia extrapola a visão descritiva da língua, de que uma afirmação serve para descrever um estado de coisas e, sendo assim, pode simplesmente ser verdadeira ou falsa. Segundo o filósofo, algumas coisas não são ditas para descrever, mas sim para realizar ações.

Assim, conhecer e entender o contexto (quem fala, com quem se fala, para que se fala, onde se fala, o que se fala) é essencial para captar as pistas para a compreensão total dos enunciados.

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Arco-íris – qual o plural?

O plural de arco-íris é arcos-íris. Neste artigo, vamos explicar qual regra se aplica a esse substantivo composto. Vejamos!

Substantivo + Substantivo

A imagem mostra um arco-íris em cima do mar. Ao lado está escrito:

Em regra, os termos compostos formados pela união de dois substantivos possuem duas formas de plural. Ou só a primeira palavra vai para o plural ou as duas palavras vão para o plural.

ex: palavras-chave/palavras-chaves, peixes-boi/peixes-bois, anos-luz/anos-luzes, etc.

Com relação ao substantivo composto arco-íris, temos uma peculiaridade. A palavra “íris” não tem plural, ou melhor, as formas plural e singular são idênticas. Dessa forma, só há flexão no primeiro termo. Por isso, o correto é arcos-íris.

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Filosofia da linguagem – conceito, origem e principais autores

Quantas vezes você já se meteu em discussões, brigas ou conflitos por falta de compreensão do que foi dito? Em quantas oportunidades teve de dar um tempo durante uma simples conversa para que uma palavra ou uma expressão dita por alguém fosse corrigida, refeita, reavaliada ou reafirmada a partir de uma nova intenção? Se isso já aconteceu com você, fica mais fácil perceber a importância de entender melhor o complexo fenômeno que está por trás do que se chama linguagem.

Percebe que no cerne disso a linguagem aparece como forma de expressão difusa do pensamento e de visões diferentes do que é a realidade? Esta compreensão é filosófica e esbarra na linha da Filosofia da Linguagem.

Este ramo da Filosofia se dedica a investigar não só as palavras como forma de se relacionar com as pessoas, mas também o sentido delas como termos, expressões e frases que se constroem dentro da estrutura de pensamento humano.

Mais do que isso, a Filosofia da Linguagem tenta apreender o que se passa de fora para dentro e de dentro para fora de cada pessoa. Não é, portanto, apenas uma reflexão sobre as relações estabelecidas com o mundo exterior, mas também sobre a formação das concepções íntimas do pensamento.

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Literatura periférica – conceito, obras e autores

A literatura periférica, também conhecida como literatura marginal, faz referência a toda produção literária que contraria e, até mesmo, opõe-se aos moldes da literatura canônica. Isto é, a literatura periférica não goza de prestígio social e acadêmico e circula fora do mercado comercial das grandes editoras.

Hoje, essa falta de prestígio justifica-se, principalmente, pelo fato de seus escritores originarem-se de grupos sociais marginalizados. Além disso, suas obras apresentam forte subversão linguística e retratam histórias de sujeitos pertencentes às classes desfavorecidas.

Origem da literatura periférica no Brasil

Foi na década de 1970 que o termo marginal apareceu na literatura brasileira por meio da Geração Mimeógrafo. Essa geração era composta de artistas que estavam inseridos no contexto da poesia marginal, assim denominada por estar à margem do circuito editorial estabelecido à época.

As motivações da Geração Mimeógrafo eram diferentes das motivações dos escritores periféricos de hoje. Seus artistas, que integravam a classe média, desejavam fazer os próprios livros e simbolizavam um movimento de contracultura em função da censura imposta pela Ditadura Militar, que os obrigou a buscar meios alternativos de propagação cultural.

Dessa forma, por ser o mimeógrafo uma tecnologia acessível à época, as obras eram produzidas de forma artesanal e vendidas de mão em mão, nas ruas, em praças e nas universidades. Os escritores que tiveram destaque nesse cenário de busca por uma liberdade de expressão foram: Ana Cristina César, Paulo Leminski, Chacal, Torquato Neto, Jards Macalé e Waly Salomão.

Somente no final da década de 1990 que surgiram os escritores oriundos das periferias, principalmente as de São Paulo. Eles começaram a tratar principalmente de temas que envolviam a própria periferia, a cultura hip hop e os problemas sociais. Então o poeta Ferréz, nome artístico de Reginaldo Ferreira da Silva, retomou o termo marginal e nomeou a literatura produzida por ele como literatura marginal.

Desde então, a literatura periférica/marginal pode referir-se a: obras e autores que, por algum motivo, circulam fora do mercado comercial das grandes editoras; obras e autores que fazem oposição às tendências literárias e fogem dos cânones estabelecidos; autores de origem periférica, cujas obras retratam a realidade das minorias.

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Academia Brasileira de Letras – funções e delegação legal

A Academia Brasileira de Letras (ABL) é uma instituição que objetiva cultivar a língua portuguesa e a literatura brasileira. Sediada no Rio de Janeiro, é composta por 40 membros efetivos e perpétuos, além de 20 sócios correspondentes estrangeiros.

A finalidade da Casa de Machado de Assis, como também é conhecida, não costuma ser muito clara para grande parte das pessoas comuns, além de a maioria de seus membros serem desconhecidos. Portanto, para ajudar nossos leitores a conhecer melhor essa ilustre instituição, o Clube do Português  preparou este guia esclarecedor, que vai explicar os seguintes tópicos:

  1. Inauguração da ABL e suas instalações
  2. Para que serve a ABL?
  3. Como são eleitos os membros da ABL?
  4. Como a ABL se sustenta?
  5. Quanto ganham os imortais da ABL?
  6. Delegação legal da ABL
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Texto x Discurso – qual a diferença?

Os conceitos de texto e discurso são distintos, mas relacionados entre si. Neste artigo, vamos explicar cada um deles e também demonstrar a ligação entre eles. Vamos lá!

O que é discurso?

De forma geral, pode-se dizer que o discurso é a língua em uso. Esse fenômeno é influenciado por cinco fatores:

  • Momento histórico

O momento histórico impacta diretamente a construção do discurso. Um exemplo são os livros de Machado de Assis, em que a escravidão aparece com tema cotidiano. Isso ocorre, porque, naquele período, a posse de escravos era algum comum, principalmente entre a classe média e alta que são retratadas nas obras.

  • Contexto

O contexto é outro elemento que influencia o discurso. Uma coisa é contar piadas em uma mesa de bar, outra é contar uma piada durante uma missa. Em cada ambiente, o discurso será recebido de formas totalmente distintas.

Outro ponto relacionado ao contexto é a posição de cada pessoa em determinado ambiente. Por exemplo, um filho brigar com uma mãe gera efeitos discursivos distintos de quando uma mãe briga com um filho.

  • Situação

A situação está relacionada com a formalidade ou informalidade do momento em que o discurso é proferido. Um exemplo clássico são as reuniões nas empresas. No início da reunião, quando as pessoas estão chegando, há espaço para um discurso mais informal, para quebrar o gelo.

Em contrapartida, quando a reunião já iniciou de fato, é esperado que o discurso se torne mais formal.

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Verbos ergativos, inacusativos e inergativos – qual a diferença?

Na língua portuguesa, os verbos intransitivos podem ser classificados em ergativos ou inacusativos e inergativos. Neste artigo, vamos explicar esses conceitos. Vejamos!

Verbos ergativos ou inacusativos

Verbos ergativos ou inacusativos são aqueles em que o sujeito, em vez de praticar, recebe a ação. Esse tipo de verbo possui, em geral, sujeito inanimado (coisa ou objeto). Vejamos alguns exemplos:

  • A empresa da minha família faliu. (Note que “a empresa” não praticou o ato de falir, e sim o recebeu.)
  • O pneu do carro furou na estrada. (Veja que “o pneu” sofreu a ação do verbo furar, e não a executou.)
  • A chave apareceu ali em cima da mesa. (Perceba que “a chave” não praticou a ação de aparecer.)

Vale ressaltar que há verbos que, apesar de não serem ergativos ou inacusativos, são utilizados dessa forma na linguagem informal:

  • Ontem eu vacinei contra a gripe. (Note que a forma correta seria “fui vacinado”.)
  • O apartamento finalmente vendeu. (Perceba que, no registro formal, o ideal seria “foi vendido”.)
  • A janela quebrou com a bolada. (Veja que o melhor seria dizer “foi quebrada”).

Perceba que, nos enunciados acima, estamos diante de casos em que verbos transitivos são utilizados com intransitivos.

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“Logo, logo” e “Já, já” ou “Logo logo” e “Já já” – tem vírgula?

As formas corretas são “logo, logo” e “já, já”, com vírgula. Neste artigo, vamos explicar qual regra de pontuação é aplicada a esse caso. Confira!

Palavras repetidas

Na língua portuguesa, a vírgula deve ser utilizada para separar elementos repetidos em um enunciado. Vejamos alguns exemplos:

  • Logo, logo, vou chegar à cidade onde nasci.
  • O evento de comemoração de 50 anos da empresa começa já, já.
  • Aqui não tem discussão. É pão, pão, queijo, queijo.
  • Esse vestido da noiva é lindo, lindo.
  • Ontem à noite, cheguei em casa com muita, muita, muita fome.
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Cair, Cai, Caí – quando usar cada um?

As palavras “cair”, “cai” e “caí” existem na língua portuguesa. Contudo, elas são utilizadas em situações distintas. Neste artigo, vamos mostrar quando utilizar cada uma. Vejamos!

Quando usar “cair”?

“Cair” é o infinitivo do verbo. Essa forma nominal do verbo é utilizada geralmente em locuções verbais, quando o verbo tiver regência de uma preposição e quando não houver um sujeito definido:

  • Cuidado para não deixar o bebê cair.
  • Estou acostumado a cair e levantar rápido.
  • Tenho certeza que este tópico vai cair na prova.

O infinitivo também é usado como o nome do verbo:

  • “Cair”, quando indica a ideia de levar uma queda, é um verbo intransitivo.
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