Língua Portuguesa e Literatura para o Enem

Categoria: Gramática (Page 1 of 52)

A confirmar ou À confirmar: tem crase?

Afinal, a forma correta é “a confirmar” ou “à confirmar”? Temos ou não um caso de crase nessa expressão? Neste artigo, vamos resolver essa dúvida.

Quando usar a crase?

Antes de avançarmos, vamos relembrar os casos em que ocorre a crase.

Ela ocorre quando há o encontro de vogais iguais => a + a = à. Isso ocorre em três casos:

  1. Encontro da preposição “a” com os artigos definidos “a” ou “as”;
  2. Encontro do pronome demonstrativo “a” com a preposição “a”;
  3. Encontro dos pronomes demonstrativos aquele, aquela e aquilo com a preposição “a”.

Crase antes de verbo

Em regra, a crase só aparecerá antes de termos substantivados. Dessa forma, não se utiliza o acento grave antes de verbos, porque esses elementos não podem ser antecedidos por artigo ou pronome demonstrativo.

Nesse sentido, a forma correta é “a confirmar”, sem a ocorrência de crase. Nesse caso, temos apenas o usa da preposição “a”. Assim, a grafia “à confirmar”, com acento grave, está incorreta e não deve ser utilizada.

Exemplos com “a confirmar”

Vejamos alguns exemplos para fixar essa regra:

  • A consulta está a confirmar, mas a secretária do médico ficou de me dar um retorno ainda hoje.
  • As atualizações do seu perfil estão a confirmar. Em alguns instantes, você deve receber um e-mail com instruções para continuar o processo.
  • A confirmar o que estamos planejando, teremos um dos maiores projetos da empresa.

Gostou do artigo? Então, vale a pena aprofundar seus conhecimentos com nosso Guia Completo da Crase.

Escansão: o que é, como fazer, exemplos e questões

Provavelmente você já deve ter ouvido dizer que a beleza de um poema não está somente no seu conteúdo ou temática. Existem outros elementos que contam muito nesse tipo de produção. A escansão é uma delas. 

Por intermédio dela, é possível escrever versos com o mesmo número de sílabas poéticas. Em outras palavras, a escansão é a responsável por deixar as estrofes alinhadas e a sonoridade com um ritmo mais harmonioso. 

Neste artigo, vamos falar em detalhes sobre esse processo. Além de entender o conceito, você também irá aprender como fazer. Continue a leitura!

Escansão: o que é, como fazer, exemplos e questões

O que é escansão?

Em linhas gerais, a escansão é a prática de contar as sílabas poéticas dos versos de um poema. Esse exercício é importante para avaliar uma métrica e saber como um poema pode ser classificado, isto é, como soneto, ode, sátira e assim por diante. 

Assim, podemos definir a escansão como o processo de contar sílabas poéticas por versos. Contudo, é comum que os poetas determinem previamente quantas sílabas irão conter em cada linha de um poema. 

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Desinências: conceito, tipos e exemplos

Desinências são morfemas que se juntam ao final das palavras para flexioná-las. Inclusive, essas partículas são conhecidas como morfemas flexionais e podem ser classificadas como nominais ou verbais. 

Continue a leitura do artigo para uma explicação detalhada do assunto!

Desinências: verbal e nominal

O que são desinências nominais?

As desinências nominais são as partes da estrutura das palavras que indicam as flexões de gênero e número dos vocábulos. Observe o exemplo abaixo:

  • O menino comeu toda a caixa de chocolates.
  • Os meninos comeram toda a caixa de chocolates.
  • A menina não gostou do suco de laranja.
  • As meninas não gostaram do suco de laranja. 

Nas frases acima temos:

  • menin-o
  • menin-os (flexão de número – plural)
  • menin-a (flexão de gênero – feminino)
  • menin-as (flexão de número – plural)

Desinências nominais de número: variações

Normalmente, o plural é indicado pela desinência -S. Porém, algumas palavras terminadas com a letra S, Z ou R podem formar plural com o acréscimo de -ES. Assim como as que terminam com L, que formam plural com o acréscimo -IS, ou as terminadas em M as quais se trocam o M por -NS. 

  • inglês – ingleses.
  • rapaz – rapazes;
  • açúcar – açúcares;
  • funil – funis;
  • margem- margens.

Palavras que não admitem variações

Vale lembrar que nem todas as palavras admitem flexões de gênero e número. Abaixo, você confere algumas delas.

Palavras que não admitem flexão de gênero:

  • mesa – não existe “meso”;
  • cadeira – não existe “cadeiro”;
  • cama – não existe “camo”;
  • carro – não existe “carra”.

Palavras que não admitem flexão de número:

  • ônibus;
  • férias;
  • tênis;
  • atlas;
  • pais. 
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A caminho ou À caminho: ocorre crase?

A forma correta é “a caminho” sem o acento grave. No caso dessa expressão, não estamos diante de uma ocorrência de crase. Neste artigo, vamos explicar por que.

A caminho x À caminho: qual a forma correta?

O que é crase?

Antes de avançarmos, vamos relembrar o conceito de crase. De acordo com o gramático Napoleão Mendes de Almeida, trata-se da fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a” ou com os pronomes demonstrativos “a”, “aquele”, “aquela” ou “aqueles”.

Nesses casos, usamos o acento grave para indicar a contração de vogais iguais, ou seja, de dois “as”.

Locuções com palavras masculinas

Em regra em locuções formadas com palavras masculinas, não há ocorrência de crase. É examente o caso da locução adverbial de modo “a caminho“.

Outros exemplos que seguem a mesmo prescrição são: a caráter, a gás, a vapor, a prazo, a tiracolo, a pé, etc.

Não usamos o acento grave nessas expressões, porque não temos o encontro ou fusão de duas letras “a”. Afinal, antes de substantivos masculinos usamos o artigo definido masculino “o”.

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Acróstico: o que é, como fazer e exemplos

O acróstico é uma composição escrita que pode ser formada por palavras ou frases como base. O mais comum é que se inicie com uma mesma letra. No entanto, ele também pode ser construído com as letras do meio ou do fim de um vocábulo. 

Trata-se, portanto, de uma estrutura criativa que leva o leitor a decifrar uma mensagem específica transmitida pelo autor. Neste artigo, falaremos em detalhe sobre o assunto. Acompanhe!

Acróstico: o que é , como fazer e exemplos

O que é um acróstico?

O acróstico é uma técnica poética existente há muitos anos, e popular em diferentes línguas e culturas. Ele é uma forma de expressão criativa na qual as letras iniciais de cada linha, verso ou parágrafo são destacadas formando uma palavra, nome ou frase. 

O objetivo do acróstico é fazer uma composição inventiva para transmitir uma mensagem. Entretanto, ele também pode ser usado para criar um jogo de palavras, homenagear alguém ou simplesmente para dar um toque poético a um texto. Veja um exemplo:

Fonte da imagem: Site Pensador.com

Nota-se no exemplo acima que a autora Sonia Marques usou a primeira letra de cada frase para compor o poema em questão. Ao ler na vertical, podemos enxergar a palavra “lágrimas”.

Normalmente, esse tipo de composição é feito dessa maneira (utilizando as letras iniciais). Contudo, ele também pode ser criado a partir das letras intermediárias ou finais. Vamos, portanto, conhecer as suas variações. 

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Classificação das sílabas: regras e uma análise completa

Para que seja possível aprender de forma mais completa tudo sobre a gramática da língua portuguesa, saber as regras de classificação das sílabas quanto a sua tonicidade e seu número é extremamente importante.

Então temos que entender melhor como funcionam a acentuação e a separação das sílabas para que saibamos fazer de forma correta a sua classificação, e as regras que devemos utilizar para fazer a classificação de sílabas.

Pensando nisso, compilamos as informações que são necessárias para que seja possível entender totalmente o conceito de sílaba, como classificá-las, separá-las, sua importância no nosso idioma e criamos um guia com alguns exemplos práticos para tornar mais simples a compreensão.

Classificação das sílabas: guia completo e atualizado

Definição e conceito de sílaba

As sílabas são os menores componentes das palavras, são pequenos pedacinhos que juntos formam palavras que são capazes de passar sentido e significado. Gramaticalmente falando, as sílabas são fonemas que transmitem, sozinhas ou juntas, a ideia que queremos informar, e em cada sílaba sempre vai haver uma vogal. Através das sílabas, podemos fazer a classificação das palavras, quanto ao número (de sílabas) e tonicidade. 

O que é classificação das sílabas?

Para fazermos a classificação das palavras é em primeiro lugar necessário fazer a classificação das sílabas em função do número e da de cada pedacinho da palavra ou fonema. Ou seja, é preciso saber separar as sílabas e contá-las, e também verificar onde se encontra a sílaba mais forte da palavra, ou a sílaba tônica.

Classificação das palavras quanto ao número de sílabas 

Para fazer a classificação de uma palavra através do número de sílabas que a compõem, é preciso saber que temos uma regra que nomeia as palavras de acordo com a quantidade de sílabas que a formam. São elas as monossílabas, dissílabas, trissílabas e polissílabas. Vamos explicar abaixo como fazer a classificação do número de sílabas de cada palavra:

Monossílabas 

Apresentam apenas uma única sílaba, é uma palavra indivisível. 

Exemplos: Sol; mar; céu; lar; luz.

Dissílabas

Palavras que ao serem divididas, apresentam duas sílabas. 

Exemplos: Casa; luva; mesa; sopa; café.

Trissílabas

No caso das palavras trissílabas, as sílabas são três.

Exemplos: Careta; macaco; viagem; fedelho; fogaréu.

Polissílabas

Por fim vêm as palavras polissílabas, que apresentam quatro ou mais sílabas.

Exemplos: Comemoração; protuberante; escarnecer; paralelepípedo; consultoria; despreparado.

Separação e classificação das sílabas

Para que possamos classificar as palavras quanto ao número de sílabas, é preciso que saibamos algumas regras na hora de fazer a separação das sílabas. A regra principal é bastante simples, e diz que a separação de sílabas se dá de acordo com o número de fonemas (ou sílabas) pronunciados de uma única vez. Vejamos como fica a classificação do número de sílabas de cada palavra:

Exemplos:

  • Caráter: ca – rá – ter (trissílaba)
  • Papel: pa – pel (dissílaba)
  • Característica: ca – rac – te – rís – ti – ca (polissílaba)
  • Suéter: su – é – ter (trissílaba)

Dentro das sílabas existem as vogais e as semivogais “i” e “u” que aparecem em determinadas palavras.

Exemplos: 

Papai: pa – pai (sendo o “i” uma semivogal que se apoia no “a” da segunda sílaba).

Troféu: tro – féu (sendo o “u” uma semivogal que se apoia no “e” presente na segunda sílaba da palavra).

  • Os ditongos e tritongos devem obrigatoriamente permanecer na mesma sílaba, são indivisíveis.

Exemplos:

Melaleuca: me – la – leu – ca

Uruguai: U –  ru –  guai

Paraguai: Pa – ra – guai

  • Os dígrafos “ch”, “lh”, “nh”, “gu” e “qu” são inseparáveis.

Exemplos:

Cachorro: ca – chor- ro

Palhaço: pa – lha – ço

Miguel: Mi – guel

Brinquedo: brin – que – do

  • Os dígrafos “ss”, “rr”, “sc”, “sç”, “xs”, e “xc” devem ser separado

Exemplos:

Carroça: car – ro – ça

Sessão: ses – são

Desço: des – ço

Possesso: pos – ses – so

Excelente: ex – ce – len – te

  • Os hiatos são obrigatoriamente divididos em sílabas diferentes

Exemplos:

Dia: di – a

Matriarcado: ma – tri – ar – ca – do

Esaú: E – sa – ú

  • Encontros consonantais devem ser divididos em sílabas diferentes, exceto os que a segunda consoante é “l” ou “r”.

Exemplos:

Treco: tre – co

Classe: clas – se

Broto: bro – to

  • Os encontros consonantais que iniciam as palavras devem permanecer juntos na mesma sílaba

Exemplos:

Pneumático: pneu – má – gi – co

Gnomo: gno – mo

Classificação das palavras por tonicidade

A segunda forma de classificação de sílabas ou de fonema, é quanto a sua tonicidade, e consequentemente cada palavra recebe um tipo diferente de classificação de acordo com a posição que sua sílaba tônica ocupa, como veremos abaixo:

Oxítonas

São as palavras em que sua sílaba tônica, ou a sílaba forte, é a última.

Exemplos: chá; jiló; gari; amém; sopé; maracujá.

Paroxítonas

No caso das palavras paroxítonas, a sílaba tônica é a penúltima da palavra.

Exemplos: recente; látex; surpresa; caráter; poliéster; teatro; catéter; separado.

Proparoxítona

E por último temas as palavras classificadas como proparoxítonas, em que a sílaba tônica fica em antepenúltimo lugar dentro da palavra.

Exemplos: propósito; característica; próximo; ágape; pretérito; tâmara; último.

Se houver qualquer tipo de dúvida sobre qual é a sílaba forte da palavra, há um truque que pode ajudar a encontrá-la mais facilmente. Pronuncie a palavra em voz alta, de forma interrogativa. A sílaba forte ficará rapidamente em evidência. Depois dessas informações, com certeza a classificação de sílabas se tornará ainda mais fácil para você.

Guia de expressões idiomáticas: o que são e como utilizá-las

Com um idioma tão rico como o nosso, o que não nos faltam são expressões idiomáticas.

Você sabe o que são as expressões idiomáticas? Não conhece?

Ainda que não conheça o termo, tenho certeza que você as usa com frequência!

Vamos neste texto explicar o que são, como surgiram, e como e quando utilizar as expressões idiomáticas no seu dia a dia.

O que são as expressões idiomáticas?

São conjuntos de palavras, que quando unidas não significam o que está escrito no sentido literal, e sim que possuem um sentido figurado com um lado divertido. São um recurso linguístico que quando usado, deixam o diálogo mais leve e engraçado.

Relevância das expressões idiomáticas no contexto linguístico

As expressões idiomáticas são corriqueiramente usadas, quando falamos, em noticiários, publicações, livros, rádios, discursos, enfim, por todos e com bastante frequência.

Elas funcionam como uma espécie de importante forma de comunicação, enriquecendo textos, falas, vídeos, independente da formalidade empregada. 

São plurais, usadas por todas as camadas da sociedade, e ajudam a enfatizar ideias, criar mais impacto nas sentenças, e demonstrar sentimentos, como humor, ironia ou raiva. Esse recurso linguístico demonstra também a proficiência, o grau de conhecimento do nosso idioma.

Qual a diferença entre expressão idiomática e provérbios?

Apesar de ambos serem classificados como fraseologia, a diferença entre eles é bastante clara. As expressões idiomáticas são formadas por palavras, unidas para representar uma ideia, utilizadas de forma mais displicente, até mesmo divertida, e seu sentido não é literal, mas sim conotativo.

Já os provérbios são frases inteiras, e seu texto quer sempre passar algum tipo de ensinamento.

Exemplos de provérbios: Mais vale um pássaro na mão, do que dois voando.

A pressa é inimiga da perfeição.

A importância de conhecer essas frases para uma melhor compreensão cultural

Nossas expressões idiomáticas são fonte de cultura, já que estão ligadas a nossa história, tradições e crenças. 

Utilizadas há muitos anos, fazem parte da linguagem coloquial, e auxiliam ainda na melhor interpretação de textos, justamente por apresentarem apenas o sentido conotativo.

Com isso é possível se expressar de maneira mais simples, ainda que os temas abordados sejam mais sérios ou formais, trazendo leveza e prendendo a atenção dos ouvintes.

Onde usar as expressões idiomáticas?

Para que não restem dúvidas, vamos mostrar em que situações as expressões idiomáticas são utilizadas, e sua capacidade de mudar o contexto formal da linguagem.

Conversas informais

Uso liberado e muito bem vindo das expressões idiomáticas, uma vez que as conversas são coloquiais, e as tiradas divertidas são muito apreciadas.

Literatura

Na parte literária as expressões aparecem em textos coloquiais, já os mais antigos, ou de época, são vistas em menor quantidade, já que nesses casos a linguagem é mais formal.

Mídia

As expressões idiomáticas também são utilizadas na mídia de uma maneira geral. Porém em menor quantidade num ambiente mais formal, como o Linkedin, por exemplo, onde os objetivos são profissionais. 

Mas em redes sociais, matérias jornalísticas, no marketing, e em postagens sempre é comum a presença das expressões idiomáticas.

Para quem precisa fazer exames de proficiência de português, saber as expressões idiomáticas e seus significados será de grande ajuda, já que é costume testar o conhecimento delas em provas do DEPLE e CELPE-Bras. 

Exemplos populares de expressões idiomáticas e seus significados

Para sabermos exatamente como e quando utilizar as tão famosas expressões idiomáticas, segue um pequeno dicionário com seus significados:

  • Água que passarinho não bebe – cachaça, pinga
  • Bater papo – conversar
  • Estar com a cabeça nas nuvens – estar distraído
  • Largar de mão – desistir de algo ou alguém
  • Até debaixo d’água – em qualquer circunstância
  • Bater as botas – morrer
  • Trocar seis por meia dúzia – escolher entre coisas iguais, entre as mesmas opções
  • Arrancar os cabelos – entrar em desespero
  • Fazer vista grossa – fingir que não viu algo
  • Dar o braço a torcer – reconhecer o erro, ou ceder numa discussão
  • Bico calado – ficar em silêncio, ocultar algo
  • Chutar o balde – agir de maneira impulsiva, ou irresponsável
  • Resolver um pepino – resolver um problema, solucionar algo
  • Cair a ficha – entender algo que mesmo sabendo, não compreendeu antes
  • Armar um barraco – criar uma confusão
  • Puxar saco – adular alguém
  • Babar ovo – puxar o saco de alguém
  • Amigo da onça – amigo falso, interesseiro
  • Largar de mão – deixar algo para lá, desistir 
  • Com a pulga atrás da orelha – desconfiar de algo ou alguém
  • Tempestade em copo d’água – dar mais importância que o fato ou pessoa merece
  • Ao Deus dará – sem direção, sem saber para onde ir, ou o que fazer
  • Barata tonta – ficar desorientado, sem saber o que fazer
  • Advogado do diabo – defender quem não merece defesa, ou ajudar a esclarecer um ponto
  • Dar a volta por cima – sair por cima, reviravolta, melhorar sua situação
  • Pisar na bola – cometer um erro, um deslize
  • Onde Judas perdeu as botas – local muito distante
  • Encher linguiça – enrolar alguém ou em uma situação
  • Pôr a mão na massa – partir para a ação, trabalhar, executar um plano ou tarefa
  • Deixar na mão – abandonar, não prestar ajuda
  • Morder a língua – se arrepender do que falou, evitar falar algo
  • Enxugar gelo – fazer algo inútil, um trabalho mal feito ou uma tarefa desnecessária
  • Meter os pés pela mãos – agir sem pensar, cometer um erro ou deslize
  • Com o pé na cova – quase morrendo
  • Dormir no ponto – perder uma chance ou uma oportunidade
  • O gato comeu a língua dele – fala-se de uma pessoa muito quieta, calada
  • Enfiar o pé na jaca – se exceder em noitadas, bebidas ou comidas
  • Viajar na maionese – delirar, dizer coisas sem sentido
  • Pendurar as chuteiras  parar de trabalhar, se aposentar, encerrar uma carreira
  • Quebrar o galho – arrumar uma solução temporária
  • Barbeiro – mau motorista
  • Arroz de festa – presença frequente em eventos e festas
  • Com a corda toda – muito empolgado, cheio de disposição, com energia

Locução adjetiva: o que é, formação e exemplos

Seguimos com nossos textos explicativos sobre nossa língua tão rica e bonita.

O tema dessa vez é locução adjetiva. Você sabe quais as funções da locução adjetiva, e quando empregá-las? Se não sabe ou esqueceu chegou o momento de esclarecer tudo!

Vamos explicar direitinho o que são as locuções adjetivas, como são formadas e qual sua função dentro do nosso idioma. Vendo os exemplos que daremos ficará ainda mais fácil compreender.

Vamos lá!

O que é locução adjetiva?

Locução é a junção de duas ou mais palavras cumprindo alguma função morfológica.

E a locução adjetiva é quando duas palavras juntas são capazes de formar assim um adjetivo.

Formação da locução adjetiva

As locuções adjetivas são normalmente compostas por uma preposição e um adjetivo, ou de uma preposição e um advérbio.

Em ambos os casos a formação se dá com a preposição sempre na frente, do adjetivo ou do advérbio.

Qual a diferença entre adjetivo e locução adjetiva?

Já sabemos que a locução adjetiva une duas ou mais palavras para que juntas, qualifiquem o substantivo.

Já o adjetivo, que pode variar de gênero, grau e número, apresenta formação simples ou composta, sem uso de preposições ou contrações. É derivado do latim “adjectivus” que significa adicionado.

Ambos dão aspecto, estado ou qualidade ao nome, a diferença está na sua formação estrutural.

Adjetivo 

São formados por uma ou mais palavras, sempre adicionados ao nome, o substantivo. Possuem diferenças quanto ao gênero, número e grau.

Locução adjetiva 

Formadas por duas ou mais palavras, que juntas dão significado de qualidade ao nome. Compostas por preposição e adjetivo ou preposição e advérbio.

Exemplos de locução adjetiva

  • O amor de mãe é o maior de todos! (materno)
  • Ganhei de presente um colar de ouro. (dourado)
  • O evento do ano foi concluído. (anual)
  • Essa bolsa foi feita com couro de boi? (bovino)
  • Já recebemos o pagamento do mês. (mensal)
  • Esse remédio é para cólica de abdomen. (abdominal)
  • Esse vidro está com marcas de dedo. (digitais)
  • O navio colidiu com um bloco de gelo. (glacial)
  • Essa receita leva mel de abelha. (apícola)
  • Sua filha tem um rostinho de anjo. (angelical)
  • Estou com muita queda de cabelo. (capilar)
  • Comprei um hidratante de face muito bom. (facial)
  • A carne mais vendida é a de boi. (bovina)
  • A carga vai na parte de trás do veículo. (traseira)
  • Adoro as festas de junho. (juninas)
  • A estátua inaugurada é de bronze. (ênea ou brônzea)
  • Podemos notar claramente que essa mordida é de cão. (canina)

Lista de locuções adjetivas 

Segue abaixo tabela com algumas das locuções adjetivas e seus adjetivos correspondentes:

LOCUÇÃO ADJETIVAADJETIVO CORRESPONDENTE
de anjoangelical
de abelhaapícola
de mãematerno
de ourodourado
de bronze êneo ou brônzeo
de bocabucal ou oral
de cãocanino
de decoraçãodecorativo
de diadiário
de cidadeurbano
de escolaescolar
de enxofresulfúrico
de chuvapluvial ou chuvoso
de facefacial

Outras locuções

Além das locuções adjetivas, temos outros tipos de locuções na nossa gramática, são elas:

  • Locução adverbial – junção de duas palavras que dão sentido de advérbio
  • Locução conjuntiva – Uma ou mais palavras que juntas dão o sentido de conjunção
  • Locução interjetiva – quando duas ou mais palavras juntas dão o sentido de interjeição, ou seja, uma emoção.
  • Locução pronominal – ocorre quando duas ou mais palavras juntas dão sentido de pronome.
  • Locução prepositiva – a junção de duas ou mais palavras que dão o sentido de preposição.
  • Locução substantiva – quando duas ou mais palavras formam a função morfológica de substantivo
  • Locução verbal – é a junção de dois ou mais verbos que dão sentido a um verbo.

Prosopopeia: o que é e exemplos

A prosopopeia é bastante comum na língua portuguesa, mas nem sempre quem a usa, sabe do que se trata. Apesar do nome ser bem famoso, essa  figura de linguagem deixa muitas questões no ar.

Vamos explicar o que é a prosopopéia, dar exemplos e esclarecer em definitivo qualquer dúvida que você possa ter sobre esse tema.

O que é prosopopeia?

A prosopopeia é uma figura de linguagem (usada para demonstrar uma linguagem diferente da denotativa, que expressa mais do que sentido literal das palavras) muito usada no nosso dia a dia. Também chamada de personificação, ela empresta características humanas a objetos ou sujeitos inanimados

Exemplos de prosopopeia 

  • A floresta está triste com tantas queimadas. (indicando que o sujeito, mesmo não sendo humano, sente como se fosse.)
  • Meu gato sorriu para mim. (o gato, um animal, só mesmo através da prosopopeia pode sorrir.)
  • O cachorro chora por estar longe da mãe. (cachorros não choram, uivam)

Prosopopeia ou personificação é a mesma coisa?

Como dito anteriormente, sim, prosopopeia ou personificação significam o mesmo. São expressões usadas em relação ao anismo, que é o que faz a animação de personagens de livros ou propagandas se parecerem com seres humanos, com características de pessoas, para dar realce ao tema abordado.

Diferenças entre prosopopeia e metáfora

Apesar de parecerem semelhantes, a prosopopeia e a metáfora, ambas figuras de linguagem, são diferentes entre si. A metáfora é construída de maneira conotativa, dando ideia de comparação, como por exemplo: Aquele cara é um rato. No exemplo vemos o homem que tem a atitude de um rato, se acovardando.

Já na prosopopeia, não há o sentido de comparação, aparece de forma denotativa, passando ideia de que o sujeito, mesmo que irracional ou inanimado, possui pensamentos, sentimentos ou características de seres humanos, como no exemplo.

Aquele móvel velho está chorando, precisa de cuidados. Já nesse exemplo, o móvel, por estar velho e precisando de conserto, estaria sentindo o peso da idade e chorando para ser reformado, como uma pessoa o faria.

Prosopopeia nas frases

Com a finalidade de dar ênfase no que diz respeito ao sujeito, emprestamos características humanas a ele. Como na frase

O sol acordou mais feliz hoje. (Sendo o sol uma estrela, nem acorda nem fica feliz, e essas palavras com características humanas, denotam que ele parece estar mais brilhante.)

Ou nessa outra frase: A lua beijou o mar. (A lua adquiriu uma personificação, beijando o mar, que também não pode ser beijado.)

Prosopopeia na literatura 

A prosopopeia é comumente usada em fábulas, que geralmente contam histórias com animais e seres inanimados como personagens, e fazem com que eles possuam características e comportamento humano, com a finalidade de dar um exemplo, uma lição, e para reforçar a ideia de faz de conta.

Como por exemplo a fábula de La Fontaine, em que o ratinho sente pena do leão que foi pego por caçadores, e para salvá-lo rói as cordas que o mantinham cativo.

Ou nos quadrinhos em que o Garfield, um gato amarelo e preguiçoso, de acordo com o escritor, tem sentimentos e vontades humanas, como raiva, tédio e vontade de comer lasanha.

Mas o mais famoso mesmo em terras brasileiras é Monteiro Lobato, que para narrar a história de um sítio encantado, criou personagens com características de pessoas, como a boneca Emília, a espiga de milho chamada Visconde de sabugosa, entre outros.

Uso da prosopopeia nas cantigas 

Assim como nas histórias, muitos compositores se fazem valer da licença poética e usam a prosopopeia para engrandecer seus personagens com sentimentos e personalidades humanas.

Com isso muitos autores de cantigas utilizam o personismo para enfatizar suas ideias, como na música criada para o personagem Emília, de Monteiro Lobato.

Emília

Baby do Brasil

De uma caixa de costura
Pano, linha e agulha
Nasceu uma menina valente
Emília, a Boneca-Gente

Nos primeiros momentos de vida
Era toda desengonçada
Ficar em pé não podia, caía
Não conseguia nada

Emília, Emília, Emília
Emília, Emília, Emília

Mas a partir do momento
Que aprendeu a andar
Emília tomou uma pílula
E tagarelou, tagarelou a falar
Tagarelou, tagarelou a falar

Ela é feita de pano
Mas pensa como um ser humano
Esperta e atrevida
É uma maravilha
Emília, Emília

Emília, Emília, Emília
Emília, Emília, Emília

Para história, ela tem um plano
Inventa mil ideias, não entra pelo cano
Ah, essa boneca é uma maravilha!

Monteiro Lobato

De acordo com a letra, a caixa de costura, pano, linha e agulha deram vida a uma boneca, que não só nasceu, mas também aprendeu a andar, falar e pensar, e se tornou uma pessoa.

Como é possível ver em todos os exemplos citados acima, a prosopopeia ou o personismo, têm como função exaltar sentimentos, atos e gestos de pessoas, e são empregados em diversas formas de arte, mas também usados frequentemente no nosso dia a dia.

Sufixo: definição e exemplos

Apesar de falarmos português, a língua originária dos nossos colonizadores, há muitas palavras que têm origem no latim e no grego. Não só a palavra inteira, mas também seus começos e finais, com significados variados, mas que podem mudar sua estrutura e sua morfologia.

Por isso hoje vamos falar sobre um tema bastante popular, os sufixos.

E não só disso, mas também sobre seus significados, origem, e como é possível que uma palavra contenha ao mesmo tempo prefixo e sufixo.

Vamos aos fatos!

O que é sufixo?

Falando de maneira mais formal, o sufixo é uma morfose que ligada ao radical da palavra, pode mudar totalmente sua classe gramatical, ou seu aspecto semântico.

Mas para facilitar vamos explicar em palavras mais simples, sufixo é um pedacinho da palavra, que se encontra no seu fim, após seu radical, e que pode mudar seu significado.

Como? Vamos já ver isso.

Classificação dos sufixos

Os sufixos, o fim de algumas palavras, podem ser classificados de três formas, como podemos ver nas tabelas abaixo:

Sufixo nominal




Sufixo que forma aumentativo
ão
alhão
aço
aréu
arra
zarrão
eirão
uça
Livrão
Bobalhão
Ricaço
Comidaréu
Bocarra
Homenzarrão
Vozeirão
Dentuça




Sufixo que forma diminutivo
ino
inho
zinho
acho
icho (a)
eco (a)
ela
ote
isco
Pequenino
Caldinho
Pézinho
Riacho
Rabicho
Soneca
Ruela
Papelote
Chuvisco
Sufixo que forma substantivo junto com outro substantivoadaPapelada
Sufixo que forma substantivo junto com adjetivo(i)dãoServidão
Sufixo que forma substantivo junto com substantivo ou adjetivoismoSurrealismoHeroísmo
Sufixo que forma substantivo e adjetivo junto com outro substantivo e adjetivoistaSurrealistaDentista
Sufixo que forma substantivo junto com verboançaMatança
Sufixo que forma adjetivo junto com substantivoacoCelíaco
Sufixo que forma adjetivo junto com verbosanteNavegante

Sufixo verbal

earMapear
ejarMarejar
entarEsquentar
(i)ficarDignificar
icarBebericar
ilharDedilhar
inharEspezinhar
itarGritar
izarBarbarizar

Sufixo adverbial


mente
Comumente
Naturalmente
Dificilmente

Exemplos de derivação sufixal

Também chamada de sufixação, a derivação sufixal é o resultado da junção de um radical com o sufixo, resultando numa nova palavra, com estrutura e classe gramatical diversa da sua origem. Como por exemplo:

  • Amor – amoroso
  • Bom – bondoso
  • Esperto – espertalhão
  • Calmo – calmante
  • Sábio – sabichão

Diferenças de sufixo e prefixo

Tanto o prefixo quanto o sufixo são afixos, significa que ambos são morfemas, que junto com palavras, dão novo significado a ela.

A grande diferença entre os dois é que o prefixo se junta ao início da palavra, e o sufixo se localiza após o radical, no fim da palavra.

Exemplos de prefixo e sufixo 

PrefixoRadicalSufixo
DesamorAmorAmoroso
IntranquiloTranquiloTranquilamente
PredestinadoDestinoDestinação
EmboladaBolaBolinha
DescoloridoCorCorado

Exemplos de palavras com sufixo e prefixo ao mesmo tempo

Quando encontramos palavras que possuem simultaneamente prefixos e sufixos, elas são chamadas de derivação parassintética. Abaixo temos alguns exemplos:

  • Abençoar – prefixo a + benç + sufixo ão
  • Amanhecer – prefixo a + radical manh + sufixo ecer
  • Anoitecer – prefixo a + radical noit + sufixo ecer
  • Envelhecer – prefixo en + radical velh + sufixo ecer
  • Envernizar – prefixo en + radical verniz + sufixo a
  • Esquentar – prefixo es + radical quent + sufixo ar
  • Independente – prefixo in + radical depend + sufixo ente
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