Língua Portuguesa, Literatura e Alfabetização

Categoria: Literatura (Page 1 of 3)

Arte literária – entenda a relação entre arte e literatura

O ser humano sempre sentiu a necessidade de se comunicar para transmitir informações, emoções, ideias, desejos etc. Entender e ser entendido sempre foi uma questão inevitável entre os indivíduos, por isso o homem encontrou inúmeras formas de se expressar ao longo dos séculos.

Gestos, expressões faciais, músicas, danças, desenhos, pinturas, esculturas… esses são só alguns exemplos. Mas não há como negar que, de todas as formas de comunicação que existem, a linguagem verbal é a mais eficaz, sendo manifestada pela fala e pela escrita. Ambas as manifestações tem como matéria-prima a palavra, e o homem foi descobrindo inúmeras formas de utilizá-la com o passar do tempo.

De modo geral, podemos dividir toda a nossa comunicação verbal em literária e não literária. Enquanto o texto não literário tem como objetivo principal informar, esclarecer, explicar, ou seja, tem um aspecto mais utilitarista, o texto literário faz o uso estético da linguagem verbal falada ou escrita, por isso é considerado uma arte, a arte literária.

Mas o que é arte?

Dentre os muitos significados de arte, podemos destacar estes que aparecem no dicionário on-line da Porto Editora:

  • expressão de um ideal estético através de uma atividade criativa;
  • conjunto das atividades humanas que visam essa expressão;
  • criação de obras artísticas (…)

Ou seja, podemos compreender a arte como uma atividade criativa que visa a expressão de ideias, ideologias, sentimentos, emoções, culturas e tudo mais que se desejar externar.

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Literatura periférica – conceito, obras e autores

A literatura periférica, também conhecida como literatura marginal, faz referência a toda produção literária que contraria e, até mesmo, opõe-se aos moldes da literatura canônica. Isto é, a literatura periférica não goza de prestígio social e acadêmico e circula fora do mercado comercial das grandes editoras.

Hoje, essa falta de prestígio justifica-se, principalmente, pelo fato de seus escritores originarem-se de grupos sociais marginalizados. Além disso, suas obras apresentam forte subversão linguística e retratam histórias de sujeitos pertencentes às classes desfavorecidas.

Origem da literatura periférica no Brasil

Foi na década de 1970 que o termo marginal apareceu na literatura brasileira por meio da Geração Mimeógrafo. Essa geração era composta de artistas que estavam inseridos no contexto da poesia marginal, assim denominada por estar à margem do circuito editorial estabelecido à época.

As motivações da Geração Mimeógrafo eram diferentes das motivações dos escritores periféricos de hoje. Seus artistas, que integravam a classe média, desejavam fazer os próprios livros e simbolizavam um movimento de contracultura em função da censura imposta pela Ditadura Militar, que os obrigou a buscar meios alternativos de propagação cultural.

Dessa forma, por ser o mimeógrafo uma tecnologia acessível à época, as obras eram produzidas de forma artesanal e vendidas de mão em mão, nas ruas, em praças e nas universidades. Os escritores que tiveram destaque nesse cenário de busca por uma liberdade de expressão foram: Ana Cristina César, Paulo Leminski, Chacal, Torquato Neto, Jards Macalé e Waly Salomão.

Somente no final da década de 1990 que surgiram os escritores oriundos das periferias, principalmente as de São Paulo. Eles começaram a tratar principalmente de temas que envolviam a própria periferia, a cultura hip hop e os problemas sociais. Então o poeta Ferréz, nome artístico de Reginaldo Ferreira da Silva, retomou o termo marginal e nomeou a literatura produzida por ele como literatura marginal.

Desde então, a literatura periférica/marginal pode referir-se a: obras e autores que, por algum motivo, circulam fora do mercado comercial das grandes editoras; obras e autores que fazem oposição às tendências literárias e fogem dos cânones estabelecidos; autores de origem periférica, cujas obras retratam a realidade das minorias.

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Poemas de forma fixa – definição e exemplos

Os poemas de forma fixa são aqueles que se submetem a regras determinadas de combinação de versos, rimas e estrofes. Em outras palavras, são poemas que apresentam estrutura pré-definida.

Dentro do contexto dos gêneros literários, esses tipos de poema pertencem à categoria do gênero lírico. Além disso, em oposição aos poemas de forma fixa temos os poemas de forma livre, os quais apresentam versos livres e versos brancos.

Tipos e exemplos de poemas de forma fixa

Há uma grande variedade de poemas de forma fixa. Veja as principais a seguir.

Soneto

O soneto é o tipo de poema que merece destaque por sua importância em várias literaturas, inclusive na portuguesa e na brasileira. Foi criado no século XIV e apresenta duas variedades: o soneto italiano e o soneto inglês.

  1. Soneto italiano: é composto de quatorze versos, usualmente decassílabos ou alexandrinos, organizados em dois quartetos e dois tercetos. Como exemplo, podemos citar o soneto Remissão, de Carlos Drummond de Andrade:

Tua memória, pasto de poesia,

tua poesia, pasto dos vulgares,

vão se engastando numa coisa fria

a que tu chamas: vida, e seus pesares.

Mas, pesares de quê? perguntaria,

se esse travo de angústia nos cantares,

se o que dorme na base da elegia

vai correndo e secando pelos ares,

e nada resta, mesmo, do que escreves

e te forçou ao exílio das palavras,

senão contentamento de escrever,

enquanto o tempo, e suas formas breves

ou longas, que sutil interpretavas,

se evapora no fundo do teu ser?

  1. Soneto inglês: também é composto de quatorze versos, no entanto, eles são organizados em três quartetos e um dístico final, sendo escritos sem espaçamento. Para exemplificar, temos o Soneto Inglês n° 2, de Manuel Bandeira:

Aceitar o castigo imerecido,

Não por fraqueza, mas por altivez.

No tormento mais fundo o teu gemido

Trocar num grito de ódio a quem o fez.

As delícias da carne e pensamento

Com que o instinto da espécie nos engana,

Sobpor ao generoso sentimento

De uma afeição mais simplesmente humana.

Não tremer de esperança e nem de espanto.

Nada pedir nem desejar, senão

A coragem de ser um novo santo

Sem fé num mundo além do mundo. E então

Morrer sem uma lágrima, que a vida

Não vale a pena e a dor de ser vivida.

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Graciliano Ramos – vida e obra

Graciliano Ramos foi um escritor e jornalista brasileiro que fez parte da segunda fase do Modernismo (fase de consolidação), sendo considerado o prosador mais importante da Geração de 30.

No campo literário, escreveu diversas obras entre romances, contos, crônicas e literaturas infanto-juvenis. O estilo de sua narrativa – simples, seco e sem rodeios – propicia uma análise profunda e uma abordagem direta dos personagens e dos cenários retratados.

O autor destaca-se por sua habilidade de abordar os aspectos psicológicos dos personagens, a complexidade das relações humanas e os conflitos sociais caraterísticos do Brasil.

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Graça Aranha – vida e obra

Graça Aranha foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Escritor, advogado e diplomata, participou da Semana de Arte Moderna de 1922.

O romancista fez parte do pré-modernismo e suas obras apresentam traços simbolistas e naturalistas, além de trazer características do nacionalismo modernista.

Vida pessoal e profissional

José Pereira da Graça Aranha nasceu no dia 21 de junho de 1868, em São Luís, no Maranhão.

Em 1882, antes de completar 15 anos, conseguiu autorização do governo para cursar Direito. No mesmo ano, iniciou o curso de Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito do Recife.

Após sua formatura, em 1886, Graça Aranha foi morar no Rio de Janeiro, onde atuou exerceu o Direito no município de Campos.

Depois, se mudou para o Espírito Santo, onde trabalhou na cidade de Porto do Cachoeiro.

No ano de 1897, contribuiu para a fundação da Academia Brasileira de Letras. Em seguida, iniciou suas atividades como diplomata e, até 1920, atuou na Europa.

Ao retornar para o Brasil, em 1921, teve o primeiro contato com os novos artistas paulistas quando foi até a exposição Fantoches da Meia-Noite, de Di Cavalcanti.

Em 1922, participou da organização da Semana de Arte Moderna. Nesse mesmo ano, Graça Aranha foi preso e ficou encarcerado por cerca de um mês, como suspeito de conspiração na revolta militar contra o presidente eleito, Artur Bernardes. 

Quando foi libertado, a polícia o convocou novamente. Com medo de ser preso outra vez, fugiu para o interior de São Paulo.

Após dois anos, o escritor voltou aos noticiários ao pedir afastamento da Academia Brasileira de Letras, sob o argumento de que ela não admitia reformas e nenhum outro tipo de renovação.

Ainda jovem, Graça Aranha se casou com Maria Genoveva de Araújo. Entretanto, se separou, não oficialmente, em 1928, para ficar com Nazareth Prado, seu verdadeiro amor.

O romancista faleceu no dia 26 de janeiro de 1931, no Rio de Janeiro.

No livro Cartas de amor, publicado em 1935, está parte da história do relacionamento vivido entre Graça Aranha e Nazareth Padro, reunindo cartas que ele enviou para ela de 1911 a 1927.

A literatura de Graça Aranha

Graça Aranha é um escritor do pré-modernismo (período de transição entre o simbolismo e o modernismo na literatura brasileira), portanto, suas obras publicadas de 1902 a 1922 são consideradas pré-modernistas.

Logo, seus livros têm características do modernismo, como o regionalismo e o nacionalismo, mas também são percebidas marcas do naturalismo (estilo literário do fim do século XX).

A visão do Brasil é mais realista, sem idealizações, expondo conflitos políticos e sociais. Além disso, como influência do naturalismo, o autor também aborda questões raciais. 

A temática da imigração, inclusive, faz parte de sua obra mais famosa, Canaã, em que pensamentos racistas são abordados pelos personagens, trazendo a miscigenação brasileira para a história.

O simbolismo também influenciou a obra do romancista. A crítica especializada identifica traços desse estilo no livro Canaã e na peça de teatro Malazarte.

Nessas obras, a impressão dos personagens sobre a realidade, por meio da reflexão filosófica e do monólogo interior, se destacam sobre a ação.

Obras de Graça Aranha

  • Canaã (1902) — romance
  • Malazarte (1911) — teatro
  • Estética da vida (1921) — ensaio
  • Espírito moderno (1925) — ensaio
  • A viagem maravilhosa (1929) — romance
  • O meu próprio romance (1931) — memórias

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Gostou do artigo? Então, continue seus estudos com o nosso Guia da Literatura.

Cecília Meireles – vida e obra

Cecília Meireles foi uma escritora, professora, jornalista e pintora, considerada a principal representante feminina da segunda geração do modernismo brasileiro. Também é amplamente considerada a melhor poetisa do Brasil, ainda que tivesse horror a que a chamassem de poetisa, tendo preferência pelo termo poeta.

Vida pessoal e profissional

Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, no bairro Rio Comprido, na cidade do Rio de Janeiro. Seu pai, Carlos Alberto de Carvalho Meireles, era funcionário do Banco do Brasil e faleceu poucos meses antes de seu nascimento. Sua mãe, Mathilde Benevides Meireles, era professora da rede pública do ensino primário da época e faleceu quando a filha tinha apenas três anos de idade.

Órfã de pai e mãe, Cecília foi criada pela avó materna, a portuguesa Jacinta Garcia Benevides. Contudo, sua infância foi solitária, pois sua avó não a deixava sair de casa para brincar com outras crianças.

Seus primeiros estudos foram na Escola Municipal Estácio de Sá, onde se destacou e recebeu a Medalha de Ouro Olavo Bilac, em 1910, das mãos do próprio Olavo Bilac, que era inspetor de sua escola. Nesse período, a menina já demonstrava todo o seu amor pelos livros e começou a escrever seus primeiros versos.

Em 1917, formou-se na Escola Normal do Rio e começou a lecionar no ano seguinte, na Escola Pública Deodoro, de ensino primário. Seu livro de estreia foi Espectros, em 1919, sob a influência dos poetas que formariam o grupo da revista Festa, de inspiração neossimbolista.

Em 24 de outubro de 1922, casou-se com o pintor, desenhista, ilustrador e artista plástico português Fernando Correia Dias. O casal teve três filhas: Maria Elvira (1923), Maria Mathilde (1924) e Maria Fernanda (1925).

Em 1927, no Rio de Janeiro, circulou a revista Festa, fundada por Tasso da Silveira e Andrade Muricy. A revista modernista tentava revalorizar a linha espiritualista de tradição católica e tinha Cecília Meireles entre seus colaboradores. Dois anos depois, escreveu para O Jornal, também do Rio de Janeiro, e, em 1930, dirigiu seção do Diário de Notícias.

Em 1934, inaugurou a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro e do Brasil, ao dirigir o Centro Infantil. A partir desse ano, lecionou e proferiu conferências em várias universidades do mundo:

1934 – Conferências sobre Literatura Brasileira em Lisboa e Coimbra (Portugal), a convite do governo português;

1935 a 1938 – Professora de Literatura Luso-brasileira e de Técnica e Crítica Literária na Universidade do Distrito Federal (que na época estava sediada no Rio de Janeiro);

1940 – Professora do curso de Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas, em Austin, Estados Unidos, além de participar de conferências sobre literatura, folclore e educação no México;

1953 – Congresso sobre Gandhi, em Goa, na Índia, a convite do primeiro-ministro Jawaharlal Nehru.

Casou-se pela segunda vez com Heitor Grillo, em 1940, pois seu primeiro marido, que sofria de depressão, suicidou-se em 1935.

Após uma vida dedicada à arte, ao conhecimento e a viagens pelo mundo, Cecília Meireles faleceu dia 9 de novembro de 1964, no Rio de Janeiro, vítima de um câncer no estômago, com o qual lutava desde 1962.

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Conceição Evaristo – vida e obra

Conceição Evaristo é uma escritora brasileira, doutora em Literatura Comparada e ex-professora da rede pública fluminense.

Romancista, poeta e contista, venceu o Prêmio Jabuti 2015 e foi homenageada como Personalidade Literária do Ano pelo Prêmio Jabuti 2019.

Negra e de origem pobre, a autora é um grande expoente da literatura contemporânea. Seus textos trazem a experiência de opressão e marginalidade, com forte valorização da memória ancestral.

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Semana de Arte Moderna de 1922 – principais marcos e personagens

A imagem traz o convite para um dos dias da Semana de Arte Moderna de 1922.
A imagem traz o convite para um dos dias da Semana de Arte Moderna de 1922

A Semana de Arte Moderna foi o ponto de consolidação do Modernismo brasileiro. O evento, que aconteceu em São Paulo entre os dias 13 e 18 de fevereiro de 1922, reuniu artistas de diferentes áreas (pintura, literatura, arquitetura, música, escultura) no Theatro Municipal de São Paulo.

O objetivo era introduzir no contexto brasileiro as novas tendências da arte, inspiradas principalmente nas Vanguardas Europeias. Neste artigo, vamos fazer uma análise completa desse encontro e explicar sua importância histórica, social e cultural. Vejamos!

Contexto histórico

O início do século XX foi marcado pela instalação das primeiras indústrias no Brasil, mais especificamente no estado de São Paulo. Também foi o período de ouro da cafeicultura. Esses dois processos permitiram o surgimento de uma nova burguesia no país. Esse grupo teve um papel fundamental no financiamento dos artistas que participaram da Semana de Arte Moderna.

Com o apoio desses mecenas, vários expoentes do Modernismo brasileiro puderam ir estudar na Europa. Com isso, acabaram influenciados pelas correntes das Vanguardas Europeias.

No campo da arte, predominava no Brasil o Parnasianismo, tido como um movimento mais conservador. Essa escola artística se caracterizou pela valorização da forma sobre o conteúdo (como a preocupação com a metrificação dos poemas), pelo academicismo, pela erudição e pela proposta de “arte pela arte”.

Nesse sentido, os organizadores da Semana tinham como objetivo romper com esse padrão dominante e promover uma nova estética para a arte no país. O movimento foi inspirado na Semaine de Fêtes de Deauville na França.

Vale destacar que 1922 foi também o ano do centenário da Independência do Brasil. Esse marco também estimulou os modernistas a organizarem o evento que representaria uma espécie de refundação do país, renovando a arte nacional.

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Carolina Maria de Jesus – vida e obra

Carolina Maria de Jesus foi uma improvável escritora, compositora e poetisa brasileira. 

Ela se destacou por seus relatos, em forma de livro-diário, sobre sua realidade na favela, repleta de sofrimento, luta e superação.

Como uma das primeiras autoras negras do país, seu nome é considerado um dos mais importantes da literatura nacional.

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Gustavo Corção – vida e obra

Gustavo Corção foi um escritor, jornalista e engenheiro brasileiro, comumente conhecido pelo seu pensamento conservador e católico. Escreveu principalmente sobre política e conduta, sendo o seu único livro de ficção, Lições de abismo, amplamente admirado na literatura brasileira.

Vida pessoal e profissional

Gustavo Corção Braga nasceu dia 17 de dezembro de 1896, na cidade do Rio de Janeiro, então Distrito Federal do país. Seu pai, Francisco Braga, era contador e faleceu quando Corção ainda era criança. Sua mãe, Graciete Corção Braga, tornou-se viúva com cinco filhos e dedicou-se à costura para ter condições de criá-los.

Os primeiros estudos de Corção foram numa escola pública, indo depois cursar o ensino secundário no famoso Colégio Pedro II. Sua inteligência diversificada sempre chamou atenção, pois ele se sobressaía em tudo o que fazia. Aos dez anos, já lecionava aritmética por dez contos de réis. Nos esportes, ganhou um concurso de salto na adolescência e dedicou-se à esgrima. No campo das artes, teve aulas de piano, violino e pintura. Também se dedicou ao xadrez e quase ganhou o campeonato nacional, porém precisou abandonar a competição quando chegou na partida final.

Aos dezesseis anos, ingressou na faculdade de engenharia da antiga Escola Politécnica, atual UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nessa época, sua mãe já havia criado o Colégio Corção, onde Gustavo iniciou suas atividades docentes, lecionando diversas matérias nos cursos primário e secundário do colégio de sua mãe.

Ainda estudante, aprendeu alemão com Evandro Pequeno e leu O Capital, de Karl Marx, na língua original, tornando-se simpático ao comunismo. A partir daí, nutriu diversas amizades com militantes dessa concepção econômico-filosófica.

Em 1920, após três anos de curso superior, abandonou a engenharia para trabalhar numa empresa de levantamentos topográficos, de propriedade de um irmão. Manteve-se nesse trabalho até 1922, tendo realizado muitas viagens por meio dele, sobretudo para o Mato Grosso. Estando lá, pegou malária, o que fez com que ele retornasse para o Rio de Janeiro, onde voltou a dedicar-se à engenharia, sempre no campo das telecomunicações ou da eletrônica. Nessa época, casou-se com Diva Paiva, mulher muito católica que não concordava com as ideologias do marido.

Tempos depois, trabalhou como técnico em eletricidade industrial, realizando projetos em Barra do Piraí – RJ e em Cachoeiro de Itapemirim – ES. Embora não tivesse diploma, em 1925 foi convidado por Manuel Amoroso Costa para o cargo de assistente da cadeira de astronomia da Escola Politécnica do Rio de Janeiro, iniciando então sua carreira de professor universitário.

Paralelamente, entre 1926 e 1937 trabalhou como engenheiro na Radiobrás, empresa de radiotelegrafia e telefonia. Nela, participou do grupo que fez as primeiras transmissões de rádio transoceânicas de toda a América Latina. Em 1928, viajou à Europa por meio de um programa de intercâmbio técnico de telecomunicações. Em 1931, foi o técnico responsável pela primeira iluminação do Cristo Redentor.

Em 1935, deu aulas de eletrônica na Escola Técnica do Exército (atual Instituto Militar de Engenharia – IME) e começou a trabalhar no setor de telecomunicações da Rádio Cinefon Brasileira.

A morte de sua mulher, em 1936, provocou-lhe uma profunda crise existencial. Nessa época, dois engenheiros, colegas de trabalho na Radiobrás, presentearam-no com os livros A Esfera e a Cruz, de G. K. Chesterton, e Reflexões sobre a Inteligência e sobre sua Vida Própria, de Jacques Maritain. As ideias desses dois livros somadas ao vazio da morte da esposa provocaram uma profunda mudança ideológica em Corção. Foi assim que ele se aproximou cada vez mais do catolicismo, religião na qual ele alega ter encontrado respostas para suas indagações.

Em 1939, conheceu Alceu Amoroso Lima, presidente do Centro Dom Vital. Influenciado por esse líder católico, iniciou os estudos em filosofia tomista, sendo encaminhado depois para o Mosteiro de São Bento, local em que estudou teologia e tornou-se oblato. A partir desse ano, deu início à sua vocação literária e escreveu para a revista A Ordem, do Centro Dom Vital.

Cinco anos depois, lançou seu primeiro livro, A Descoberta do Outro (1944), que narra a história de sua conversão. Em 1945, consagrou-se como escritor lançando seu segundo livro, Três alqueires e uma vaca.

Gustavo Corção faleceu dia 6 de julho de 1978, no Rio de Janeiro, deixando dois filhos do primeiro casamento e quatro do segundo, com Hebe Nathanson Ferreira da Silva.

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