Língua Portuguesa e Literatura para o Enem

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Pretérito perfeito: o que é, formas e exemplos

Para falar e escrever bem, é fundamental saber conjugar os verbos e forma certa, para uma concordância correta.

No nosso idioma temos uma grande variedade de tempos verbais, e os pretéritos são bastante conhecidos e muito utilizados.

Você sabe as diferenças entres os tipos de pretéritos? Sabe em que tempo o pretérito perfeito é conjugado?

Vamos listar os três tipos de pretéritos, explicando seus tempos, e citando exemplos para que fique fácil de compreender.

O que é pretérito perfeito?

O tempo verbal pretérito perfeito é popularmente conhecido como passado, ou seja, ele representa uma ação que já acabou ou que dura somente até o antes do tempo presente.

Classificação do pretérito perfeito

O pretérito perfeito pode ser classificado como simples, quando só há um verbo, composto, quando existe um verbo principal e um auxiliar. E pode ser conjugado no indicativo, tanto o simples quanto o composto, e no subjuntivo, apenas o composto.

Pretérito perfeito simples

O pretérito perfeito simples do indicativo indica uma ação que já foi finalizada, que acabou.

Exemplos de pretérito perfeito simples

Primeira conjugação – arSegunda conjugação – erTerceira conjugação – ir
Eu ameiEu corriEu parti
Tu amasteTu corresteTu partiste
Ele amouEle correuEle partiu
Nós amamosNós corremosNós partimos
Vós amastesVós correstesVós partistes
Eles amaramEles correramEles partiram

Pretérito perfeito composto

O pretérito perfeito composto tem um verbo principal que indica ação, e um verbo auxiliar. Pode se apresentar tanto no indicativo quanto no subjuntivo.

Pretérito perfeito composto do modo indicativo

Usamos em geral o verbo ter no presente, e um verbo principal no particípio, sua forma nominal.

Primeira conjugação – arSegunda conjugação – erTerceira conjugação – ir
Eu tenho cantadoEu tenho comidoEu tenho sentido
Tu tens cantadoTu tens comidoTu tens sentido
Ele tem cantadoEle tem comidoEle tem sentido
Nós temos cantadoNós temos comidoNós temos sentido
Vós tendes cantadoVós tendes comidoVós tendes sentido
Eles têm cantadoEles têm comidoEles têm sentido

Pretérito perfeito composto do modo subjuntivo 

O verbo ter deve ser utilizado no presente do subjuntivo, e o verbo principal no particípio.

Primeira conjugação – arSegunda conjugação – erTerceira conjugação – ir
(eu) Tenha sonhado(eu) tenha perdido(eu) tenha saído
(tu) Tenhas sonhado(tu) tenhas perdido(tu) tenhas saído
(ele) Tenha sonhado(ele) tenhas perdido(ele) tenha saído
(nós ) Tenhamos sonhado(nós) Tenhamos perdido(nós) tenhamos saído
(vós) Tenhais sonhado(vós) Tenhais perdido(vós) Tenhais saído
(eles) Tenham sonhado(eles) Tenham perdido(eles) Tenham saído

Exemplos de conjugação do pretérito perfeito

Como nos modelos acima só mostramos verbos regulares, vamos mostrar abaixo as conjugações no pretérito perfeito de verbos irregulares.

Primeira conjugação – estarSegunda conjugação – serTerceira conjugação – ir
Eu estiveEu fuiEu fui
Tu estivesteTu fosteTu foste
Ele EsteveEle foiEle foi
Nós estivemosNós fomosNós fomos
Vós estivestesVós fostesVós fostes
Eles estiveramEles foramEles foram

Apesar dos verbos irregulares de segunda e terceira conjugação serem diferentes, ser e ir, são conjugados de forma idêntica.

Diferenças entre o pretérito perfeito, o pretérito mais que perfeito e o pretérito  imperfeito

Sabemos que pretérito se refere a ações que são no passado, mas, existem algumas diferenças entre os três tipos de pretéritos, o perfeito, o imperfeito e o mais que perfeitos.

No pretérito perfeito 

A ação começou e terminou no passado.

Ex: Eu fiz comida para o almoço.

No pretérito imperfeito 

A ação é no passado mas foi interrompida.

Ex: Eu fazia comida para o almoço, mas o telefone me interrompeu.

No pretérito mais que perfeito 

O verbo indica uma ação que foi concluída em um tempo antes do que outro no passado.

Ex: Questionei se ela já fizera o almoço quando teve que sair ontem.

Sagarana: análise e resumo da obra de Guimarães Rosa

Composto por 9 contos diferentes, Sagarana foi o primeiro livro de Guimarães Rosa. A obra, publicada no ano de 1946, é regionalista e trata de temas que evidenciam a luta do bem contra o mal. 

Sagarana é um neologismo que une as palavras Saga (do alemão “sagen”, que denomina as narrativas históricas e épicas) com rana (de origem tupi, que significa “à maneira de”). O livro apresenta os seguintes contos:

  • O burrinho pedrês.
  • Traços biográficos de Lalino Salãthiel ou “A volta do marido pródigo”.
  • Sarapalha.
  • Duelo.
  • Minha gente.
  • São Marcos.
  • Corpo fechado.
  • Conversa de bois.
  • A hora e vez de Augusto Matraga. 
Sagarana: análise e resumo da obra de Guimarães Rosa.

Resumo dos contos de Sagarana

O burrinho pedrês

Personagens principais: burrinho pedrês (Sete-de- Ouros), Major Saulo, Badu e Fracolin. 

O burrinho pedrês conta a história do Sete-de-Ouros, um burro velho e esquecido na Fazenda da Tampa de Major Saulo. Devido a sua velhice, o burrinho aguarda a chegada de sua morte, sem grandes perspectivas. 

No entanto, Major dá a ordem a João Manico para montar no burrinho e conduzir a boiada, junto a outros vaqueiros. Contrariado, o vaqueiro monta em Sete-de-Ouros, mas se sente incomodado pela velhice do animal. Inclusive, nenhum dos vaqueiros quer o seu lugar e ele só é o escolhido por ser o mais leve dos homens.

Durante a viagem, os vaqueiros contam muitas histórias e, dentre elas, vaza a informação que um dos integrantes do grupo,Silvino, quer matar outro, Badu. Tal possibilidade mexe com a narrativa e provoca uma série de reflexões.

Contudo, o ponto forte do enredo ocorre quando os vaqueiros chegam na travessia do Córrego da Fome e ficam com medo de cruzá-la. Assim, decidem se guiar pelo burrinho, afinal burros só entram em locais que conseguem sair. Nesse sentido,Sete-de-Ouros é o único que consegue lutar contra o rio e atravessá-lo. 

No dia seguinte, todos os vaqueiros são encontrados mortos, exceto Badu, que montava no burrinho, e Francolim, que ficou agarrado ao rabo de Sete-de-Ouros.

Traços biográficos de Lalino Salãthiel ou A volta do marido pródigo

Personagens principais: Lalino Salãthiel, Maria Rita, Major Anacleto e Ramiro.

Lalino Salãthiel é um rapaz malandro que prefere viver uma vida de aventuras ao invés de se esforçar no trabalho. Em razão disso, ele sempre se atrasa para o serviço e passa a maior parte do tempo mentindo e contando histórias.

Certo dia, de tanto mentir, ele acaba acreditando em suas próprias criações e decide abandonar o trabalho e também a sua esposa, Maria Rita. A fim de se livrar das obrigações do cotidiano, Lalino começa a vender as suas coisas para viajar ao Rio de Janeiro, em busca de uma vida mansa. 

Entretanto, ele não consegue juntar dinheiro o suficiente e acaba pedindo emprestado a Ramiro, um espanhol que possui a fama de gostar de Maria Rita. Unindo o útil ao agradável, para convencer Ramiro, Salãthiel diz que, com o dinheiro, ele irá embora e sumirá para sempre, deixando Maria Rita sozinha. Dessa forma, o espanhol acaba por liberar a quantia. 

Contudo, a coisa toda não ocorre como ele imaginava. Salãthiel percebe que a vida não é um conto de fadas. Por isso, algum tempo depois, retorna para a casa. Porém, ao chegar, se depara com a sua mulher casada com Ramiro e descobre que ele ficou com a fama de ter vendido a esposa. 

Após o fato, Lalino conhece Oscar, que o convida para trabalhar na campanha do Major Anacleto. O trabalho é um sucesso devido à habilidade de Lalino de contar histórias e persuadir as pessoas. Com o tempo, e depois de muitos conflitos, ele reconquista a esposa.

Sarapalha 

Personagens principais: Primo Argemiro e Primo Ribeiro

O conto de Sarapalha é muito curto e fala sobre dois primos: Argemiro e Ribeiro, que vivem isolados em uma fazenda velha em Sarapalha. A maioria das pessoas que lá residia ou morreu, ou fugiu em decorrência da infestação da malária. No entanto, como ambos estão doentes, esperam ali mesmo pela morte. 

Enquanto aguardam o inevitável, eles dialogam e primo Ribeiro começa a exaltar as qualidades e a importância do primo Argemiro. Este, por sua vez, fica com a consciência pesada e decide pedir perdão ao primo Ribeiro. Isso porque ele era apaixonado pela esposa do primo, Luísa, a qual fugiu com um boiadeiro. 

A consequência dessa confissão é que o primo Ribeiro se sente traído pela segunda vez. Dessa forma, ele expulsa o primo Argemiro, mesmo doente, da fazenda. 

O conto traz como pano de fundo o tema da epidemia de malária, doença que assolava e deixa diversas vítimas na região. Como o local fica na beira do rio Pará, na época de seca, surgem várias poças de água, que são pontos propícios para a proliferação dos mosquitos que transmitem a malária.

Nesse sentido, várias passagens do conto fazem referência a sintomas dessa moléstia.

Duelo

Personagens principais: Turíbio Todo, Silvana, Cassiano Gomes, e Vinte-e-um. 

O duelo apresenta a história de Turíbio Todo, personagem que descobre a traição da esposa Silvana com Cassiano Gomes, um ex-militar. O mais interessante do enredo é que ninguém lhe contou sobre o adultério, ele mesmo flagrou a mulher pelo buraco da fechadura, após retornar de uma pesca. 

No entanto, no momento do flagrante, ele não esboça nenhuma reação. Muito pelo contrário, age como se nada tivesse ocorrido e planeja uma vingança. Assim, na manhã seguinte, em posse de sua arma, fica de tocaia na casa do amante da esposa e espera pelo melhor momento de agir.

Com o Cassiano de costas, Turíbio atira. Contudo, a bala acerta o irmão do Cassiano, que acaba morrendo. Turíbio, então, foge, pois sabe que cometeu um grande erro. Por sua vez, Cassiano, no velório do irmão, promete vingança contra o marido de Silvana. 

A fuga de Turíbio dura meses, bem como a perseguição de Cassiano por ele. Um dia, Turíbio retorna para o lar, no qual Silvana ainda vive, e decide passar uma noite com a mulher. Nessa mesma noite, ele confessa que não vai desistir de fugir até Cassiano se cansar. Isso porque ele sabe que Cassiano tem problema no coração e não aguentará muito.

Durante o enredo, o senhor conhecido como “Vinte-e-um” aparece e é ajudado financeiramente por Cassiano. Isso porque não tinha dinheiro para sustentar a esposa e o filho. Logo, após a ajuda, Cassiano se torna o herói de Vinte-e-um. Até que Cassiano falece e Silvana avisa Turíbio que ele poderia, finalmente, voltar. 

O que ele não esperava é que no meio do caminho encontraria com Vinte-e-um, que havia prometido continuar a vingança por Cassiano e o mata sem piedade.

Minha gente 

Personagens principais: moço (narrador- personagem), Emílio, Maria Irma, Ramiro Gouveia e Armanda. 

Narrado em primeira pessoa, o conto “Minha gente” é curto e tem início com a viagem do narrador-personagem, chamado de “moço”, até a fazenda de seu tio Emílio – candidato às eleições. Ao descer do trem, o narrador reencontra Santana e José Malvino, que o acompanham até seu destino. 

Chegando à fazenda, o moço se apaixona por uma das filhas de seu tio, Maria Irma, a qual não sente a mesma atração por ele e diz estar comprometida com alguém. Um dia, ela recebe a visita de Ramiro, que era noivo de outra pessoa, e o moço sente muito ciúmes. 

No entanto, ele tenta a todo custo chamar a atenção de Maria Irma e finge namorar outra moça da fazenda vizinha. Contudo, isso não dá certo e culmina na vitória do tio nas eleições. O moço, então, vai embora e promete retornar.

Em seu retorno, Maria Irma lhe apresenta Armanda e o moço se apaixona e se casa com ela. Já Maria Irma acaba se casando com Ramiro.

São Marcos

Personagens principais: José, ou Izé (narrador), Aurísio Manquitola e João Mangolô. 

Outra história narrada em primeira pessoa, “São Marcos” fala sobre um narrador racional que costuma zombar de todo o tipo de crença. Em Calango-Frito, o narrador conversa com Aurísio Manquitola e zomba da conhecida reza de São Marcos. 

No entanto, mais tarde, ele fica subitamente cego e não entende o motivo. Desesperado, sua única opção é recitar a oração de São Marcos. Assim, guiado pelo olfato e pela audição, encontra, finalmente, a casa de João Mangolô, um feiticeiro da região. 

Lá ele descobre que Mangolô foi o responsável pela sua cegueira, pois colocou uma venda sobre uma foto sua no porta-retrato para puni-lo por suas zombarias. 

Corpo fechado

Personagens principais: Manuel Fulô, feiticeiro Antonico das PedrasÁguas e Targino. 

Em “Corpo fechado”, Manuel Fulô é o protagonista que se faz de valente e é dono de uma mula desejada por Antonico das Pedras-Águas, um feiticeiro. Em contrapartida, Antonico tem uma sela cobiçada por Manuel. 

Enquanto há uma rivalidade entre os dois, Targino, o verdadeiro vilão, demonstra o interesse na noiva de Manuel, e expressa o desejo de ficar com ela. Assim, diz que ou Manuel aceita, ou Targino o matará. 

Desesperado, Manuel se alia ao feiticeiro Antonico, que promete fechar-lhe o corpo contra Targino. No entanto, em troca ele pede a mula. Após o trato, ocorre um duelo entre os dois, que faz o feitiço parar de funcionar e Manuel vence o conflito. 

Conversa de bois

Personagens principais: Tiãozinho, Didico, Agenor, Soronho e o boi Brilhante. 

Manuel Timborna, personagem principal, afirma que os bois falam. Para provar sua teoria, conta a história de oito bois, do menino Tiãozinho e do carreiro Agenor Soronho, senhor que tem um caso com a mãe do menino e está radiante pela morte do seu rival – o defunto levado pelo carro de boi. 

Entretanto, Tiãozinho não está feliz. Além de chorar a morte do pai, ele repudia Agenor. O primeiro motivo é por ele ficar com sua mãe, enquanto seu pai estava doente. O segundo, por ele maltratar os bois. 

Contudo, os bois percebem a situação e se mostram solidários ao menino. Assim, aproveitando-se do cochilo de Agenor, os bois derrubam a carroça, matando-o para a alegria de Tiãozinho. 

A hora e vez de Augusto Matraga

Personagens principais: Augusto Matraga, Major Consilva

“A hora e vez de Augusto Matraga” é o conto mais famoso de Sagarana. Augusto Matraga é durão e manda e desmanda em seu povoado. Entretanto, um dia recebe dois recados que mudam a sua vida para sempre.  Primeiro: sua esposa fugiu com outro homem, levando também a sua filha e todos os seus capangas mudaram de lado e agora são subordinados do Major Consilva, seu maior inimigo. 

Ao tirar satisfações com o Major Consilva, ele é espancado por seus antigos capangas e é considerado morto, após cair de um precipício. Contudo, o que ninguém sabe é que o homem sobrevive e vai morar em outro povoado. 

O protagonista, então, se regenera de todo o mal que causou e vive apenas em prol do destino. Passa a não fumar e nem beber. Além disso, evita conflitos e não busca por mulheres. Sua única missão se torna combater o mal que ainda existe em si e fazer somente o bem. 

No entanto, o cenário muda quando o bando de Joãozinho Bem-Bem surge no povoado. Augusto vira amigo do chefe e tenta integrar o bando, porém desiste. Mais tarde, decide partir, pois entende que ali não é o seu lugar. 

Um tempo depois, encontra o bando de Joãozinho Bem-Bem, mas discorda de sua forma cruel de se vingar de um dos homens do bando. Assim, chega a hora e vez de Augusto Matraga, que é morto num duelo. 

Análise literária de Sagarana

Pertencente à terceira geração modernista, ou pós-modernismo, a obra de Sagarana foi publicada em 1946 em um contexto histórico da época da Era Vargas. O livro, composto por nove contos de João Guimarães Rosa, dispõe de um caráter regionalista, o qual não impede a universalidade presente nas demais obras do escritor.  

O regionalismo apresentado nos contos está ligado às características locais do sertão mineiro, por meio de elementos culturais e geográficos, atributos das pessoas que ali residem. Assim, Guimarães Rosa desenvolve a sua ficção, extraindo, inclusive, temas universais. 

Todas as histórias ultrapassam o local e podem ser transmitidas para outras nações e em outros tempos. Essa característica mais ampla dos textos é dada por meio de narrativas cheias de conflitos e traições, que opõem o bem e o mal. Ademais, o autor traz um caráter coloquial por intermédio dos diálogos entre os personagens. 

Esse exercício com a linguagem faz com que o leitor consiga adentrar o universo do povo do sertão, transformando a linguagem em elemento lírico-identitário. Além disso, também é possível notar a violência que aparece como elementos regionais e universais. Seja a violência humana, seja a violência animal, ela está presente na maioria das narrativas, fazendo com que os personagens tenham que lutar para sobreviver. 

Vale salientar que a obra é caracterizada como “sagaranas”, ou seja, histórias que se assemelham a lendas. Inclusive, o título é um neologismo que sugere um tom épico aos personagens das narrativas, os tornando heroicos – elemento presente no modernismo ou pós-modernismo brasileiro. 

Informações-chaves sobre Sagarana

Na tabela abaixo, você confere as principais informações sobre a obra Sagarana:

Informações sobre o livro Sagarana
AutorGuimarães Rosa
Movimento LiterárioModernismo
Contexto históricoEra Vargas
Foco narrativoDuelo – terceira pessoa
Onde acontecem as históriasMinas Gerais (sertão mineiro)
Tipos de narradorProtagonista e onisciente
Marcas de linguagemRegionalismo, oralidade e uso de neologismos
Contos– O burrinho pedrês.
– Traços biográficos de Lalino Salãthiel ou “A volta do marido pródigo”.
– Sarapalha.
– Duelo.
– Minha gente.
– São Marcos.
– Corpo fechado.
– Conversa de bois.
– A hora e vez de Augusto Matraga.

Quem foi Guimarães Rosa?

João Guimarães Rosa nasceu em 27 de junho de 1908, em Cordisburgo, Minas Gerais. Ainda criança estudou diversos idiomas de forma autodidata, aprendendo assim, diferentes línguas. Em 1925 se matriculou na Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais, se formando em 1930, mesmo ano em que se casou com Lígia Cabral Penna, com quem teve duas filhas. 

Passou a exercer a profissão de médico e atuou, inclusive, como voluntário. No entanto, em 1934 foi aprovado em concurso para o Itamaraty e exerceu diferentes funções diplomáticas. Nesse meio tempo, conheceu sua segunda esposa, Aracy Moebius de Carvalho e em 1958 foi promovido a embaixador. 

Contudo, mesmo com uma vasta gama de ocupações, Guimarães Rosa sempre teve o hábito de escrever e, em 1936, publicou o seu primeiro e único livro de poesias, intitulado de “Magma”. Com ele, recebeu um prêmio da Academia Brasileira de Letras. Além dele, em 1946, o autor publicou “Sagarana”, seu único romance, que faz parte da terceira geração moderna ou pós-modernismo. 

O escritor faleceu em 19 de novembro de 1967, no Rio de Janeiro, três dias após a sua posse na Academia Brasileira de Letras, eleito por unanimidade. 

Mágico das palavras

A escrita de Guimarães Rosa é marcada pela criatividade e pelo experimentalismo. Nesse contexto, o autor é considerado o mágico das palavras, porque usou vastamente os neologismos e criou uma série de termos em seus textos. Confira algumas abaixo:

NEOLOGISMOS DE GUIMARÃES ROSA
Enxadachim Trabalhador do campo, que luta pela sobrevivência. A palavra reúne “enxada” e “espadachim”.
ArrelequeAsas abertas em forma de leque
CircuntristezaTristeza circundante
SuspirânciaSuspiros repetidos
CoraçãomenteCordialmente
NomadaCoisa sem importância, resulta da fusão de “non”, do português arcaico, com “nada”.
VelhoucoJunção de “velho” com “louco”
DescreviverFusão de “descrever” com “viver”
MatragaUnião de “má” como verbo “trazer”
DesafogaréuUm desafogo muito grande (desafogo + fogareu)

Principais obras de Guimarães Rosa

Guimarães Rosa deixou as seguintes obras:

  • Sagarana – 1946;
  • Corpo de baile – 1956;
  • Grande sertão, veredas – 1956;
  • Primeiras estórias – 1962;
  • Manuelzão e Miguilim – 1964;
  • Campo geral – 1964;
  • No Urubuquaquá, no Pinhém – 1965;
  • Noites do Sertão – 1965;
  • Tutameia — Terceiras estórias – 1967;
  • Estas estórias – 1969;
  • Ave, palavra – 1970;
  • Magma – 1997.

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Português para FGV: o que e como estudar?

A preparação para as provas de concursos públicos é essencial, uma vez que é necessário estudar e se informar sobre os requisitos de cada banca. Independentemente do cargo que se pretenda ocupar, é fundamental ter atenção sobre os assuntos que vão cair na avaliação para obter um bom desempenho. 

Nesse sentido, a prova de Português para FGV (Fundação Getúlio Vargas), costuma ser uma das mais temidas pelos candidatos. Isso porque, a banca é conhecida pela sua grande exigência. 

Pensando nisso, neste artigo, falaremos detalhadamente sobre o que e como você deve estudar para se dar bem na prova de Português para FGV. Acompanhe!

Como estudar português para a FGV?

O que estudar de Português para FGV?

Para saber o que estudar de Português para FGV é preciso, primeiramente, conhecer o perfil da banca. Nesse sentido, podemos dizer que ela é imprevisível. Em outras palavras, a banca da FGV dificilmente trará questões semelhantes de uma prova para a outra e sem nenhum tipo de pegadinha. 

Nessa perspectiva, estudar somente aquilo que caiu em provas anteriores pode não ser uma boa opção. Além disso, a recomendação é que se tenha muita calma e concentração no momento de responder às questões na prova, para não assinalar o presumível.

No entanto, toda banca sempre tem um conteúdo programático, chamado pelos candidatos de: “queridinhos da banca”. Assim, normalmente, a banca da FGV atua com foco em fragmentos de textos ou textos curtos, explorando a coesão textual, estrutura, tipologia e mudança de discursos. 

Além disso, a FGV costuma ter um perfil mais analítico, isto é, dispor de questões para interpretação mais avançada de um texto. Confira e anote os principais assuntos para saber o que estudar de Português para FGV:

  • acentuação gráfica;
  • classes gramaticais (morfologia);
  • coerência e coesão;
  • estratégias argumentativas;
  • figuras de linguagem;
  • intertextualidade;
  • interpretação de texto;
  • paralelismo (reescrita de frases);
  • pontuação;
  • sintaxe;
  • tipologia textual. 

Os assuntos destacados acima não são novidade para nenhum candidato que vem se preparando para um concurso público. Afinal, desde o ensino fundamental esses conteúdos são aplicados em sala de aula. No entanto, o indicado é estudá-los de forma minuciosa, absorvendo o máximo possível, especialmente com exemplos de questões. 

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Israelense ou israelita: quando usar cada termo?

As palavras israelense e israelita existem na Língua Portuguesa, mas têm significados distintos. Neste artigo, vamos mostrar como e quando utilizar cada uma. Confira!

Israelense ou israelita: quando usar cada palavra?

Quando usar “israelense”?

De acordo com o dicionário Aulete, o termo israelense é um adjetivo ou substantivo pátrio (gentílico) que designa aquele ou aquela que nasceu ou que vive no Estado de Israel. Nesse sentido, a palavra é utilizada com caráter geográfico.

ex: O governo israelense ordneou uma operação militar na Faixa de Gaza após os ataques do Hamas.

ex: Os atletas israelenses estão se preparando para as Olimpíadas.

Vale dizer que a palavra é formada por derivação sufixal (Israel + -ense).

Quando usar “israelita”?

Por usa vez, a palavra israelita se refere à religião judaica ou ao povo judaico no sentido bíblico. Assim, ele não tem um caráter territorial como ocorre com o termo israelense.

Para entender melhor, vejamos alguns exemplos de uso do vocábulo:

ex: A diáspora judaica espalhou israelitas por todas as partes do mundo.

ex: Há muitos templos israelitas na cidade santa de Jerusalém.

Resumo

Para finalizar este artigo, vamos conferir um resumo de quando usar cada palavra:

  • Israelense: aquele que nasce ou vive no Estado de Israel
  • Israelita: aquele que segue a religião judaica.

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Quer aprofundar seus conhecimentos na língua portuguesa? Então, continue seus estudos com a Gramática On-line do Clube do Português.

Maria Montessori: vida, obras, frases e legado

Médica, pesquisadora, pedagoga e criadora do método que revolucionou o mundo da educação, Maria Montessori foi uma das pessoas que, ao longo de seus 50 anos de carreira pública, mais pensou nas necessidades educacionais das crianças. Embora tenha falecido na década de 50, o seu legado se mantém vivo até os dias atuais. 

Biografia de Maria Montessori

Maria Montessori: vida e legado para a educação.

Maria Tecla Artemísia Montessori nasceu em 31 de agosto de 1870, na cidade de Chiaravalle, na Itália. De uma família religiosa e rigorosa, Montessori foi criada por pais que acreditavam em sua capacidade e força de vontade. 

No entanto, cursou a educação básica sem grandes perspectivas. Em outras palavras, nunca foi a aluna-modelo, nem mesmo quando decidiu cursar o ensino técnico em engenharia. O interesse pelos estudos surgiu quando Montessori se apresentou em um espetáculo de dança e teatro, e entendeu que poderia ser reconhecida por outros talentos. 

Assim, decidiu cursar medicina e frequentou por dois anos os cursos preparatórios. A jornada na faculdade não foi fácil, uma vez que fazia somente 16 anos que as universidades recebiam mulheres e ainda havia uma certa resistência e machismo acadêmico. Entretanto, com o apoio dos pais, especialmente da mãe, formou-se em medicina em 1896.

No ano seguinte, passou a estudar as crianças com deficiência por meio de uma nova graduação, dessa vez, em filosofia e psicologia experimental, na Universidade de Roma, enquanto trabalhava como assistente voluntária em uma clínica de psiquiatria da mesma universidade. 

Somente em 1898 conseguiu expor suas ideias ao congresso pedagógico de Turim. Isso porque, em seu voluntariado, Montessori percebeu o quanto as crianças com deficiência eram mal tratadas e não tinham nenhum incentivo, apenas uma cama para dormir. Em razão disso, entendeu que precisava mudar essa realidade para sanar os problemas da Educação Especial.

Em sua busca, encontrou os escritos deixados por Itard, considerado o “pai da psiquiatria”. Essa contribuição foi responsável por iluminar os caminhos da médica. Assim, junto aos escritos de Séguin, discípulo de Itard, Montessori foi construindo a sua base e se tornando educadora. 

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SAEB: o que é e como funciona esse sistema de avaliação?

Aplicado desde 1990, o SAEB (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica) é um dos principais instrumentos avaliativos, cuja função é medir a qualidade de ensino da Educação Infantil ao Ensino Médio no país. 

O conjunto de avaliações, composto por três exames diferentes, é aplicado anualmente nas escolas da rede pública e privada. Sua finalidade é permitir que o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) realize um diagnóstico da educação brasileira, identificando o nível de aprendizagem dos alunos avaliados.

Se você ainda não conhece o SAEB ou têm dúvidas sobre o assunto, acompanhe a leitura deste artigo, no qual falaremos detalhadamente sobre esse tipo de avaliação. 

O que é SAEB?

SAEB: como funciona o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica.

O SAEB é um exame que avalia escolas da rede pública e privada no quesito qualidade de ensino ofertada aos estudantes. Por meio do resultado das provas aplicadas, é possível monitorar e aprimorar as políticas educacionais. 

Em outras palavras, as médias de desempenho dos alunos são analisadas em conjunto com outras taxas apuradas no Censo Escolar (como aprovação, reprovação e evasão escolar, etc.) para compor a nota do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). 

Dessa forma, o Ideb consegue ter uma ampla visão de quais escolas e sistemas de ensino cumprem com os requisitos educacionais previamente definidos pelo Plano de Desenvolvimento da Educação. 

É importante destacar que, sem avaliações ou métricas, não há evidências que comprovem as dificuldades das instituições de ensino, bem como o nível de aprendizagem dos alunos. Em razão disso, o SAEB é aplicado para avaliar a qualidade da educação básica do Brasil. 

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Ditados na alfabetização: como e por que fazer?

Os ditados são uma atividade na qual as crianças devem redigir no papel as palavras faladas em voz alta pelo professor. Esse tipo de dinâmica é muito útil para avaliar como os alunos estão evoluindo no quesito vocabulário e ortografia. Além disso, a prática desse exercício traz diversos benefícios para o processo de alfabetização.

Contudo, a questão que permeia o assunto é: qual o papel dos ditados na alfabetização? Uma vez que, quando uma criança está sendo alfabetizada, ela ainda não sabe ler e escrever, como essa atividade pode ser útil? Falaremos detalhadamente sobre o assunto nos próximos tópicos deste artigo. Acompanhe!

Entenda a importância dos ditados na alfabetização.

Ditados na alfabetização: para que servem?

Os ditados na alfabetização são instrumentos de muita utilidade, bem como nas demais séries do Ensino Fundamental. No entanto, essa atividade deve ser usada de forma diferente quando se trata das crianças da Educação Infantil. Isso porque, nesta etapa de ensino, os alunos ainda não aprenderam totalmente a ler e a escrever. Sendo assim, outras estratégias são necessárias.

Durante o processo de alfabetização, o ditado serve para mapear as possíveis dificuldades das crianças em relação a determinados grupos de palavras já estudadas anteriormente. Assim, o ideal é não usar essa dinâmica somente para o trabalho com ortografia e normas gramaticais. 

Nesse contexto, vale pontuar que os ditados, dentre outros objetivos, servem para:

  • Refletir sobre o sistema de escrita alfabética;
  • Identificar as regularidades ortográficas, por meio de comparação entre as grafias das palavras foram escritas;
  • Trabalhar a caligrafia e o desenvolvimento da coordenação motora fina dos estudantes;
  • Realizar uma avaliação diagnóstica, mapeando as principais dificuldades dos estudantes.
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Coriza ou corisa: quando usar cada palavra?

As palavras coriza e corisa existem na língua portuguesa, mas têm significados bem diferentes. Neste artigo, vamos mostrar quando e como utilizar cada uma. Confira!

Coriza ou corisa: quando usar cada palavra?

Coriza: secreção nasal

A palavra coriza, com “z”, é um substantivo feminino que indica um corrimento de mucosa nasal que pode ser ocasionado por diferentes fatores, como rinite aguda, alérgica ou infecciosa.

O termo tem origem no latim “coryza“. Por essa razão, ele é escrito com “z”.

Vejamos alguns exemplos de uso dessa palavra:

  • Desde ontem estou com muita coriza por conta da poeira na minha casa.
  • Se o ar-condicionado não for higienizado adequadamente, isso pode gerar alergia e coriza.
  • Meu sobrinho está com muita coriza. Acredito que está gripando.

Sinônimos de coriza

O termo é sinônimo de ranho, muco, monco, corrimento nasal, secreção e defluxo.

Corisa: inseto

O vocábulo corisa, com “s”, é o nome de um inseto hemíptero (veja imagem abaixo). Nesse sentido, trata-se de uma palavra pouco utilizada.

O termo vem da área da zoologia e engloba diferentes espécies de percevejos aquáticos.

Uma curiosidade é que, no México, esse tipo de inseto é utilizado para preparação de certo tipo de bolacha.

Por fim, vale mencionar que o substantivo tem origem na palavra grega “Koris“. Por isso, ele deve ser grafado com “s”.

Resumo

Confira na tabela abaixo um resumo com o significado e a origem de cada termo:

TERMOSIGNIFICADOORIGEM
CorizaSecreção nasalLatim “coryza”
CorisaTipo de insetoGrego “koris

*

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Ana Teberosky – influência e legado para a alfabetização

Com uma enorme influência e legado para a alfabetização, Ana Teberosky (1944-2023) foi uma das mais importantes educadoras e pesquisadoras da área de Psicologia e Educação. Nascida em Buenos Aires, na Argentina, Teberosky dedicou boa parte da sua vida para pesquisas sobre alfabetização na Espanha. 

Durante toda a sua trajetória, Teberosky se empenhou em compreender todo o processo ligado à aprendizagem da leitura e escrita no universo infantil. Assim, tornou-se reconhecida também no construtivismo pelo seu olhar voltado para a sala de aula e ao fazer pedagógico. 

Ana Teberosky: Um novo olhar para a alfabetização

Qual a influência de Ana Teberosky na alfabetização?

Junto à Emilia Ferreiro, Ana Teberosky escreveu o livro Psicogênese da língua escrita”, obra que ressignificou a forma como a alfabetização para as crianças era vista. Na publicação, ambas defenderam que a aquisição da escrita é um processo construtivo, baseado na forma que os alunos entendem o universo letrado. 

Dessa forma, a obra evidenciou o quanto as crianças dão indícios do nível em que se encontram durante a aprendizagem da escrita. Essas pistas auxiliam os professores na hora de planejar atividades para que elas avancem para as outras etapas. 

Em decorrência dessa nova abordagem proposta pelas autoras, a forma de alfabetizar as crianças sofreu modificações. Isso porque mostrou ao mundo, especialmente aos profissionais da educação, o quanto o caminho percorrido na alfabetização está ligado à bagagem cognitiva de cada aluno. 

Em outras palavras, Teberosky e Ferreiro apresentaram uma série de erros cometidos por educadores ao tentar ensinar um aluno a ler e a escrever por meio de métodos prontos e repetições. A “Psicogênese da língua escrita” aborda a importância de as crianças exercerem um papel de protagonistas em sala de aula, valorizando os seus conhecimentos prévios. 

Além dessa obra em questão, outros artigos publicados pela autora argentina falam sobre a interação entre as crianças como potencialização da aprendizagem. Concepções como estas incentivam professores a entenderem que a alfabetização é uma construção que demanda entrosamento, ou seja, quando um aluno interage com a escrita de outro, acaba refletindo sobre e aprimorando a própria escrita.

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