Afinal de contas, qual a diferença entre pronomes reflexivos e pronomes recíprocos? Neste artigo, vamos resolver essa dúvida e mostrar quando utilizar cada um. Vejamos!

Pronome é a palavra que acompanha ou mesmo substitui o substantivo. Dito de outra forma, essa classe de palavras pode mostrar para o leitor/interlocutor quem são as pessoas do discurso a que um substantivo se refere, ou ainda situar esse substantivo no espaço. Na Língua Portuguesa, há inúmeras possibilidades de adoção do pronome. Vamos aqui tratar de dois casos que chamam a atenção: os reflexivos e os recíprocos.

De início, é importante explicar a diferença entre eles.

O pronome reflexivo indica que é o próprio sujeito que sofre o impacto de sua ação, ou seja, que quem pratica a ação é a mesma pessoa que recebe os reflexos dela. Em “Maria deitou-se ao lado de João”, por exemplo, Maria é quem toma a iniciativa de deitar seu corpo ao lado do de João.

Já o pronome recíproco revela que a ação é mútua entre os sujeitos, ou seja, que há reciprocidade nos atos (idênticos e simultâneos) de dois ou mais sujeito da oração.

 Como esses pronomes aparecem em um texto?

Vamos voltar mais uma vez umas “casinhas” para lembrar que entre as classificações pronominais estão os chamados pronomes oblíquos, que podem ser átonos e tônicos.

Os exemplos mais comuns de pronomes átonos reflexivos, cuja função é expressar que a ação do sujeito se volta para o próprio sujeito, são as formas “me”, “nos”, “se”, “te”, “vos”, “o”, “a”, “lhe”, “os”, “as” e “lhes”, todos usados sem preposição. Veja nos exemplos:

  • No reencontro, a filha atirouse nos braços do pai.
  • Você não se enganou ao confiar em mim.

As formas tônicas, por sua vez, utilizam outros pronomes para ressaltar a mesma função semântica (de sentido) reflexiva, como “si”, “mim”, “ti”, “ela”, “ele”. Esses pronomes devem ser acompanhados de preposição – inclusive no caso da forma contraída “consigo”. Confira:

  • Você quer tudo para si.
  • Ele sempre leva consigo boas lembranças daqui.

Quando há mais de uma pessoa responsável pela mesma ação que se volta a elas todas, é óbvio que o plural seja acionado. Desta forma, temos os pronomes “nos”, “vos” e “se” para representar a reciprocidade da ação. Falamos aqui de uma ação que é mútua entre dois ou mais indivíduos, que é trocada entre os elementos do sujeito composto. Observe:

  • Nós nos cumprimentamos.
  • Paulo e Marcos se acusavam frequentemente pelo fato ocorrido.

Cuidado com a ambiguidade

Em algumas situações de sujeito plural, pode acontecer de que o uso de pronomes resultem em imprecisões de sentido, fazendo com que o leitor/interlocutor fique confuso em relação a quem afinal praticou a ação e a quem teria sofrido seu efeito.

Esse problema pode ocorrer tanto no caso do emprego dos pronomes reflexivos quanto no dos pronomes recíprocos. Isso porque muitos deles podem ser empregados em ambas as formas.

Em “José e João enganaram-se”, por exemplo, dá para inferir que ambos cometeram um engano, mas também não seria descabido pensar que um enganou o outro, ou seja, que temos à nossa frente duas ações individualizadas, porém simultâneas.

Para impossibilitar que essa questão ambígua se dê, é possível (e recomendável) acrescentar no discurso alguns complementos pronominais, principalmente “a mim mesmo”, “a ti mesmo” ou “a si mesmo(s)”:

  • José e o amigo João enganaram a si mesmos.

Para demarcar a ação recíproca, as melhores expressões pronominais que devem ser acrescentadas após o pronome recíproco são “um ao outro”, “uns aos outros” e “entre si”, como nos exemplos:

  • José e o amigo João mataram-se um ao outro.

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