Quando a gente vai buscar o que se fala por aí sobre as pronúncias da letra “x”, em português, vemos que a letra tem inúmeros valores fonológicos. E, de cara, nos deparamos com o aviso que diz: “cuidado, há muitas exceções”.

É verdade. O mais complicado é encontrar um regramento só para pronunciar a letra. Mesmo assim, é possível cravar que, em geral, há quatro sons distintos para “x”.

Como a exceção faz parte do jogo, também há casos em que a letra “x” está lá na escrita, mas não é acompanhada de som algum na fala. Perceba que este é exatamente o caso da pronúncia da própria palavra “exceção”. Excelente, não é?

Quatro sons diferentes

Quando pronunciado, o “x” pode ter um som mais chiado (quando se lê “ch”), ou ainda som de “z”, de “ks” ou de “s”.

Nos casos de “x” com som de “ch”, a pronúncia da letra se aproxima do próprio som a ela atribuído, o tal chiado do tipo “shhh”. Dá para notar que essa pronúncia acontece sempre que a letra é colocada após ditongos (vogais juntas) e do prefixo “en-”, como em enxofre ou enxame. Vejamos outros exemplos: ameixa, peixe, caixa, abaixo, enxuto.

Mas, lembre-se, há exceções. Algumas delas são: xale, lixo, xadrez, xícara, xingar, mexer.

Em geral, o “x” tem som de “z” quando aparece entre duas vogais, como em: exame, exato, êxodo, exercício, exemplo e exagero.

O “x” com som de “s” é muito comum antes das letras P, C, T e depois do ditongo AU. Veja alguns casos: expressar, explorar, experiência, texto, externo, sexta e auxiliar. É também como se pronuncia exceção, com um único som, de “s”.

As exceções? Que tal “próximo” e “máximo”?

Já o som de “ks” é mais comum em outros idiomas, mas também tem exemplo em português: ortodoxo. Nexo, paradoxo, tórax, fixo, táxi, sexo.

Aqui vale uma observação: a pronúncia da palavra “máximo” carrega “ss” na oralidade do “x” e não “mácssimo”, com /ks/, como alguns querem fazer valer.

Procure saber de quem estuda

Para fugir dessas armadilhas, que também ocorre com o termo “sintaxe”, é preciso lembrar que /ks/ é um empréstimo do antigo latim, que está em desuso e não é mais aceito. Todos os dicionários recomendam a pronúncia “sintasse”.

O que fica disso tudo é que a dificuldade de sistematizar regras para as pronúncias da letra “x” está no fato de que muitas das vocalizações têm origem na etimologia (origem) da palavra ou são resultado de transformações fonéticas que ocorreram ao longo dos tempos.

Aqui, mais um detalhe histórico: a maneira certa de pronunciar os sons dos vocábulos de uma língua é chamada de ortoépia (do Grego orthos, “correto”, e epos, “palavra”).

Na dúvida sobre a “pronúncia correta” do “x”, a opinião de especialistas, como Aurélio Buarque de Holanda, Antônio Houaiss, Celso Pedro Luft e Antenor Nascentes, pode resolver. Em relação à palavra “inexorável”, por exemplo, nas ruas ela é ouvida com o mesmo “defeito” de sintaxe: quase todo mundo pronuncia com /cz/. Mas os mestres nos dizem que o correto para esse “x” é o som de “z”.