A área da educação é repleta de metodologias e teorias. Dentre elas, temos a psicogênese da língua escrita, ou psicogênese da escrita, como também é chamada. Trata-se de uma abordagem teórica que estuda como o pensamento da criança se comporta durante o processo de aprendizagem da leitura e da escrita. 

Neste artigo, você vai entender o que é essa teoria, na prática, quais são as fases no processo de alfabetização e como ela se aplica na educação infantil. Continue a leitura!

Psicogênese da língua escrita.

O que é a psicogênese da língua escrita?

Segundo o dicionário Oxford na internet, a psicogênese consiste na origem e desenvolvimento dos processos psicológicos ou mentais. Isso significa que o termo se refere à análise do comportamento da mente ou da personalidade, diante de fatos, atividades e experiências psicológicas. 

Quando falamos sobre a alfabetização, sabemos que o contato com a leitura e a escrita é um dos maiores marcos de aprendizagem para as crianças. Com base nisso, a psicogênese da língua surgiu para que o processo de aprender a ler e a escrever seja visto muito além do convencional. 

Em outras palavras, as autoras dessa teoria, a psicóloga Emília Ferreiro e a psicopedagoga Ana Teberosky, descobriram que havia uma falha de rendimento nas crianças em fase de alfabetização. Chegaram, então, à conclusão que, antes de os alunos desenvolverem e compreenderem o alfabeto, eles construíam diversas hipóteses sobre a escrita.

Conforme as autoras, as crianças são leitoras do seu mundo, antes mesmo de se alfabetizarem. Por essa razão, a aprendizagem da leitura e da escrita não pode ser feita de maneira mecânica. 

Quais são as fases da psicogênese da língua escrita?

A psicogênese da língua escrita é a teoria de que a criança passa por quatro fases até, finalmente, chegar ao processo de alfabetização. Portanto, vamos conhecer essas etapas. 

Fase icônica, garatuja e pré-silábica 

Na fase icônica, as crianças representam a escrita por meio de desenhos ou gravuras. Por exemplo, se pedem a elas que escrevam a palavra estrela, ao invés de palavras, é comum desenharem a estrela.

Já na fase garatuja, as crianças conseguem perceber quando as pessoas estão escrevendo. Em outras palavras, identificam a letra cursiva como rabiscos, linhas e riscos. Nessa etapa, ainda que não façam a relação entre a palavra e o som, elas já imitam a escrita criando ondas, círculos e garatujas que representam as letras.

É fundamental que, nessa fase, sejam aplicadas atividades que tenham contato com sons, para que os pequenos compreendam a escrita não apenas graficamente, mas também a relacionem com o seu respectivo som. 

Por fim, na fase pré-silábica, as crianças já estão mais avançadas e sabem que, para escrever, o que se usa são as letras e não os rabiscos. Ainda que elas não consigam, de fato, escrever, as crianças nesse período já assimilam a necessidade de utilizar letras conjuntas para formar palavras. 

Fase silábica

A fase silábica é dividida em duas etapas:

  1. Silábica sem valor sonoro
  2. Silábica com valor sonoro. 

Na primeira, a criança passa a compreender a segmentação do som na formação das palavras, isto é, as sílabas. Ainda que elas não consigam escrever as palavras de forma completa, já identificam que as partes se unem e os pedaços formam as sílabas.

Nessa etapa, ocorre o reconhecimento da existência das sílabas, porém elas ainda não estão presas ao som falado, ou seja, ainda não possuem valor sonoro. Por esse motivo, é importante que os educadores trabalhem com o som das sílabas para que as crianças avancem ao valor sonoro. 

A transição para a segunda etapa se dá quando as crianças conseguem relacionar pelo menos uma letra da sílaba ao som silábico. Por exemplo, na palavra “bola”, elas já conseguem escrever “O-A”.

Fase silábico-alfabética e alfabética

Na fase silábico-alfabética, o professor deve continuar conduzindo as crianças na organização dos seus pensamentos. Em outras palavras, se antes elas identificavam apenas o som presente nas vogais, agora elas precisam reconhecê-los nas consoantes.

A transição para a fase alfabética ocorre de forma fluída, ou seja, quando as crianças já têm facilidade em representar o som de cada uma das sílabas graficamente, ainda que existam desvios de ortografia, como a letra “p” ser confundida com a “b”, por exemplo.

O importante nessa transição é aperfeiçoar a organização do pensamento, fazendo com que os pequenos consigam identificar os fonemas presentes nas palavras, para que assim elas sigam para a fase alfabética.

Na última fase, os desvios ortográficos vão desaparecendo e as crianças compreendem cada vez mais a construção das sílabas, reconhecendo todas as letras e fonemas de uma palavra. Dessa forma, na fase alfabética, elas já estão aptas para trabalhar com dígrafos e demais regras ortográficas.

Como aplicar a psicogênese da língua escrita?

Para aplicar a psicogênese da língua escrita, é necessário estudar a teoria de forma profunda, tendo como base as fases de desenvolvimento expostas no tópico anterior. No entanto, vale ressaltar que as etapas não são completamente uniformes, ou seja, existe a possibilidade de que alguns alunos estejam em trânsito entre elas. 

Isso significa que algumas crianças podem apresentar características de mais de uma etapa. Dessa forma, a aprendizagem pode ocorrer de forma dinâmica, isto é, as crianças podem avançar, ultrapassar umas às outras e até mesmo retroagir. O caminho percorrido, por vezes, pode ser individual. 

Em razão disso, os educadores devem ter atenção e sensibilidade para identificar as crianças em cada uma das fases. Assim, podem conduzi-las da melhor forma possível, por meio de ferramentas específicas que ajudam a vencer as barreiras durante o processo de alfabetização.

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