Língua Portuguesa e Literatura para o Enem

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Acento diferencial – o que é e quando usar?

A língua portuguesa pode ser confusa se você não atentar para detalhes que farão toda a diferença.

Um detalhe que costuma passar despercebido, sobretudo na forma escrita, é o acento. Neste artigo, o foco será o acento diferencial. 

Como usar o acento diferencial?

O acento diferencial é um recuso para que o falante de língua portuguesa possa distinguir palavras iguais com significados diferentes. O acento diferencial dará o tom e sentido do termo utilizado e pode ser tanto o acento circunflexo (ˆ) quanto agudo (´).

Veja dois exemplos cujo uso do acento diferencial é obrigatório:

  • Palavra: por

Ele terminou comigo por e-mail. (neste caso, “por” é preposição)

Não se esqueça de pôr tudo no lugar. (neste caso, o acento marca a palavra “por” como verbo)

  • Palavra: pode

Você não pode ir agora! (neste caso, a fala se dá no presente)

Você não pôde ir ontem, né? (neste caso, o acento diferencial indica passado, além de modificar levemente a pronúncia da palavra “pode”)

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Novo Acordo Ortográfico: tudo que você precisa saber sobre acentuação

O Novo Acordo Ortográfico, também chamado de Reforma Ortográfica, trouxe uma série de alterações nas regras da Língua Portugesa, em especial no campo da acentuação.

Por isso, preparamos este artigo completo com tudo que você precisa saber sobre o tema. Confira!

Alterações do Novo Acordo Ortográfico no campo da acentuação.
Veja o básico que você precisa saber

Sílaba tônica

Antes de avançarmos, para compreender bem as regras de acentuação e as mudanças trazidas pelo Acordo Ortográfico, é fundamental entender a classificação das palavras conforme a posição da sílaba tônica:

  • Oxítona – palavra em que a sílaba tônica é a última (pico, moco, militar).
  • Paroxítona – palavra em que a sílaba tônica é a penúltima (cater, rubrica, recorde).
  • Proparoxítona – palavra em que a sílaba tônica é a antepenúltima (bula, dico, penúltima).

Agora que você já relembrou esses conceitos-chaves, podemos seguir para as alterações do Reforma Ortográfica no campo da acentuação. Elas estão divididas em seis grandes blocos. Vejamos!

1) Acento diferencial

Uma das principais mudanças do Acordo foi acabar com vários acentos diferenciais (mas, atenção, alguns foram mantidos).

Nesse sentido, vale explicar que o acento diferencial é um recuso para que o falante de língua portuguesa possa distinguir palavras iguais com significados diferentes.

Vamos conferir agora quais palavras perderam e quais permancem com o acento diferencial:

Palavras que perderam o acento diferencial

  • Pela

Antes do Acordo, com acento diferencial: péla (do verbo pelar, queimar, deixar sem a pele).

ex: Pela essa parte do porco para mim, por favor. (verbo)

ex: Vamos passar pela rua de baixo. (preposição)

  • Pelo

Antes do Acordo, com acento diferencial: pêlo (substantivo, que indica pelagem, fios que protegem o corpo) e pélo (conjugação do verbo pelar).

ex: Meu cachorro tem pelo escuro. (substantivo)

ex: Eu pelo a pele do porco para fazer roupas. (verbo)

ex: Passei pelo seu carro hoje cedo. (preposição)

  • Para

Antes do Acordo, com acento diferencial: pára (utilizado como verbo, indica parar, interromper, não continuar).

ex: Para com isso agora mesmo! (verbo)

ex: Vou para escola. (preposição)

  • Pera

Antes do Acordo, com acento diferencial: pêra (fruta)

ex: Fiz um doce de pera delicioso hoje de manhã. (fruta)

ex: Pera servi-los, braços às armas feito. (preposição arcacica)

Palavras que continuam com o acento diferencial

  • pôr (verbo) e por (preposição)
  • pôde (verbo no passado) e pode (verbo no presente)
  • têm (verbo no plural) e tem (verbo no singular) – a regra se aplica a todos os verbos derivados “ter”: manter, deter, etc.
  • vêm (verbo no plural) e vem (verbo no singular) – a regra se aplica a todos os verbos derivados de “vir”: convir, intervir, etc.

Palavra com acento diferencial opcional

Vale destacar que o Acordo tornou opcional o acento na palavra fôrma (de bolo) para diferenciá-la da palavra forma (de formato).


Apesar de o uso do acento circunflexo não ser obrigatório nesse caso, ele é altamente recomendável.

2) Palavras terminadas em “oo” e “eens”

A Reforma Ortográfica eliminou o acento de palavras como “vôo” e “lêem”, que terminam com encontros de vogais iguais. Vejamos mais exemplos de vocábulos que entram nessa regra:

Antes da ReformaDepois da Reforma
VôoVoo
LêemLeem
EnjôoEnjoo
CrêemCreem
PerdôoPerdoo
VêemVeem

3) Arguir e redarguir

O Acordo Ortográfico acabou com o acento agudo no “u” tônico na conjugação dos verbos “arguir” e “redarguir” no presente do indicativo.

ex: Eu arguo contra o seu posicionamento. (pronuncia-se “ar-gú-o”)

ex: Os juizes redarguem sempre que discordam de uma das partes. (pronuncia-se “re-dar-gú-em”)

4) Ditongos abertos nas paroxítonas

Essa mudança pode ser chamada de “regra da ideia”, por esse ser o caso mais lembrado dessa alteração.

Com o advento da Reforma Ortográfica, os ditongos abertos das palavras paroxítonas perderam o acento. Vejamos alguns exemplos:

Antes da ReformaDepois da Reforma
IdéiaIdeia
ApóiaApoia
AndróideAndroide
CoréiaCoreia
JóiaJoia
GeléiaGeleia

Vale destacar, contudo, que os ditongos abertos das palavras oxítonas continuam acentuados: pastéis, hotéis, anzóis, etc.

5) Paroxítonas acentuadas depois de ditongos

Já essa mudança pode ser chamada de “regra da feiura”, pois esse é o caso mais destacado dessa alteração.

O Acordo Ortográfico aboliu o acento nas letras “u” e “i” da sílaba tônica de palavras paroxítonas que vem logo após um ditongo. Vejamos alguns exemplos:

Antes da ReformaDepois da Reforma
BaiúcaBaiuca
BocaiúvaBocaiuva
FeiúraFeiura

É importante ressalvar, entretanto, que, se a palavra for oxítona e as letras “i” e “u” vierem no final do termo, o acento na sílaba tônica após o ditongo permanece: Piauí, tuiuiú, etc.

6) Dupla pronúncia

No presente do indicativo e do subjunto e no imperativo, os verbos terminados em guar, quar, quir (averiguar, apaziguar, obliquar, aguar, enxaguar, desaguar, delinquir, etc.) têm dupla pronúncia e grafia.

Nesse caso, o Acordo Ortográfico validou ambas, de acordo com a preferência do falante da Língua Portuguesa. Trata-se, assim, de uma variação linguística chamada de diatópica, ou seja, ligada ao local das pessoas.

Para ficar mais claro, vamos conferir o exemplo dos verbos “enxaguar” e “delinquir”:

Com “a” e “i” tônicos (com acento)Com “u” tônico (sem acento)
Eu enxáguoEu enxaguo
Tu enxáguasTu enxaguas
Ele enxáguaEle enxagua
Eu delínguoEu delinguo
Tu delínquesTu delinques
Ele delínqueEle delinque

No primeiro caso (mais comum no Brasil), os encontros “gu” e “qu” são considerados dígrafos (um só fonema). No segundo, por sua vez, cada letra representa um fonema distinto.

Resumo

Para finalizar este artigo, preparamos uma tabela com o resumo das alterações que o Acordo Ortográfico trouxe no campo da acentuação.

RegraAntes da ReformaDepois da Reforma
1) Acento diferencialpêra, pólo, párapera, polo, para
2) Palavras terminadas em “oo” e “eens”vôo, lêem, perdôovoo, leem, perdoo
3) Verbos arguir e redarguirargúo, redargúemarguo, redarguem
4) Ditongos abertos nas paroxítonasidéia, Coréia, paranóicoideia, Coreia, paranoico
5) Paroxítonas acentuadas depois de ditongosbaiúca, bocaiúva, feiúrabaiuca, bocaiuva, feiura
6) Verbos terminados em guar, quar, quir (dupla grafia)enxagua, enxagúoenxagua, enxagúo

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