Língua Portuguesa, Literatura e Alfabetização

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Conselhos para quem quer escrever melhor

Três dicas para escrever

Três dicas para escrever

Se eu pudesse dar 3 conselhos para quem quer escrever bem, seriam:

1) Não use as palavras aleatoriamente. Cada vocábulo tem um significado específico. Não existe sinônimo perfeito. Então, pense bem na hora de escrever para ver se a palavra que você escolheu é mesmo a mais adequada. Por exemplo, amar e adorar são sinônimas, mas têm sentidos distintos e carga semântica diferente.

2) Seja econômico. Nada é pior do que ler um texto de um autor prolixo. Se você pode dizer algo com duas palavras, não use três.

3) Acredite no seu potencial, desenvolva seu próprio estilo e preze pela qualidade. Escrever corretamente não é um capricho. É uma ferramenta de potencialização da credibilidade do seu texto.

Repetir palavras é bom ou ruim?

O senso comum diz que repetir palavras empobrece texto. Isso é uma meia verdade, que se aplica quando esse artifício é utilizado por conta de pobreza vocabular, ou seja, porque a pessoa não consegue encontrar sinônimos para determinada palavra.

Contudo, há casos em que a repetição é intencional e tem como objetivo gerar um efeito estilístico. É a chamada anáfora. Por exemplo, a música cantada por Elza Soares diz: “a carne mais barata do mercado é a carne negra”. A repetição da palavra “carne” tem um objetivo semântico de associar a expressão “carne negra” ao racismo.

O segredo, como eu disse, é não utilizar as palavras aleatoriamente. Se você escolher de forma criteriosa os vocábulos, o leitor entenderá que a repetição não foi uma falha vocabular, mas sim uma estratégia argumentativa.

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Utilize a língua portuguesa para construir pontes, não para destrui-las

Use a língua portuguesa para criar laços saudáveis

Use a língua portuguesa para criar laços saudáveis

Falar e escrever são atos que, a medida que dominamos, realizamos quase de forma automatiza. Com o tempo, paramos de refletir sobre o significado das palavras e aderimos a um modo de enunciar socialmente aceito entre as pessoas com quem convivemos.

Como bem destaca o gramático Evanildo Bechara, “embora o ato linguístico, por sua natureza, seja individual, está vinculado indissoluvelmente a outro indivíduo pela natureza finalística da linguagem, que é sempre um falar com os outros, consoante a dimensão alteridade”. Em outras palavras,  se utilizamos as palavras para nos comunicar, a escolha de quais termos utilizar impacta a comunicação com esse outro indivíduo.

O problema é que, com o tempo,  essa análise do outro e de como as palavras que eu utilizo o afetam vai sendo deixada de lado em detrimento de um comportamento mais egocêntrico e colérico. Nós vamos perdendo a empatia com nosso interlocutor. Quando isso ocorre, corremos o risco de utilizar termos que vão, consciente ou inconscientemente, ferir a outra pessoa. Não falo aqui de exercitar autocensura, mas sim de realizar o ato básico e solidário de se colocar no lugar do outro.

Aqui vale destacar o trabalho do psicólogo americano Marshall Rosemberg sobre os princípios da comunicação não violenta:

  • Observar de maneira descritiva e não julgadora – procure descrever atos sem apelar para extremismos ou juízos definitivos de valor;
  • Distinguir sentimentos de opiniões –  em vez de rebater um argumento agressivo com outro, busque explicar para a outra pessoa como aquelas palavras tem fazem sentir;
  • Distinguir necessidades, desejos e sentimentos de opiniões e julgamentos –  comunique-se tendo como base algo que te afeta e explicando como isso ocorre. Tentar justificar atitudes com opiniões e julgamentos destrói a empatia e gera isolamento;
  • Fazer pedidos claros e específicos – seja claro no que você deseja da outra pessoa. Dessa forma, é possível sair do campo das expectativas e passar para a campo da realidade. Não utilize ameaças ou chantagens emocionais para conseguir o que quer, pois desgasta a relação com a outra pessoa.

Esses quatro princípios ajudam a nos balizar, quando fazemos a seleção vocabular para tratar sobre determinado assunto com determinado indivíduo ou grupo de pessoas. Tendo em mente que nosso objetivo principal com a linguagem é nos conectar e não nos apartar, é possível evitar vocábulos que tenham uma carga semântica que vá ferir outra pessoa ou que passe uma impressão errada sobre o que queremos realmente dizer.

Como bem destaca  Luiz Antônio Marcuschi, “a língua é um sistema ligado a práticas sócio-históricas e não funciona no vácuo”. E explica ainda que é “com ela [que] guiamos sentidos e construímos mundos, mas não por força de uma virtude imanente à própria língua como tal e sim pelo esforço dos falantes”.

Toda palavra possui um peso sócio-histórico, que deve ser levado em consideração na hora de dialogar com as pessoas. A língua portuguesa é um instrumento que pode gerar autonomia ou dominação. Cabe a nós escolher qual caminho queremos seguir.

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