Anadiplose: conceito, exemplos e usos

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A anadiplose é uma figura de linguagem pouco conhecida, mas de grande impacto. Assim como outras figuras de repetição, ela trabalha com a retomada de termos, mas faz isso de forma estratégica: ligando o fim de uma oração ao início da próxima.

Neste artigo, vamos entender o que é anadiplose, para que serve, como é usada e ver exemplos marcantes do recurso em ação.

O que é anadiplose?

Anadiplose é uma figura de linguagem que consiste na repetição da última palavra (ou expressão) de uma oração no início da oração seguinte.

A origem do termo vem do grego anadiplōsis, que significa “dobrar” ou “repetir”. E é exatamente isso o que ela faz: duplica a palavra final de um enunciado, colocando-a logo em seguida como ponto de partida do próximo.

Dessa forma, esse efeito de eco cria uma espécie de “ponte” entre as frases, reforçando a coesão textual e o impacto das ideias.

Para que serve a anadiplose?

A anadiplose tem múltiplas funções. Veja as principais:

  • Enfatizar um conceito-chave: ao repetir a palavra, o autor ou orador atrai a atenção para aquele termo específico.
  • Dar ritmo ao texto: a repetição cria um fluxo cadenciado.
  • Criar encadeamento lógico: ela ajuda a construir relações de causa e efeito entre as frases.
  • Aumentar a intensidade da mensagem: a repetição progressiva pode gerar um efeito de clímax.

Por isso, é muito usada em discursos, músicas, poemas e até slogans publicitários.

Exemplos de anadiplose

A anadiplose é muito recorrente em textos do Classicismo:

  • C’os olhos lhe acendi no peito fogo, / Fogo que sempre ardeu e ainda arde agora. (António Ferreira).
  • A frouxidão no amor é uma ofensa, / Ofensa que se eleva a grau supremo. (Bocage).

Nesses casos, vemos como a repetição no início da frase seguinte não só reforça o termo, mas também conduz o raciocínio de forma sequencial e fluida.

Anadiplose e coesão textual

Uma das grandes forças da anadiplose está na sua capacidade de criar coesão.

Quando a última palavra de uma frase reaparece logo no início da seguinte, o leitor (ou ouvinte) sente que há continuidade. Assim, é como se um elo ligasse uma ideia à outra.

Esse recurso é especialmente útil em textos argumentativos, já que ajuda a construir uma progressão de ideias com clareza.

Essa figura também pode mostrar causa e efeito?

Esse recurso estilístico pode ainda ilustrar a ideia de causa e efeito. Observe o exemplo:

  • O estresse provoca a insônia. A insônia provoca o cansaço. O cansaço reduz a produtividade.

Aqui, a repetição marca a progressão dos acontecimentos, revelando uma relação de causa e consequência. Dessa forma, a anadiplose funciona como uma engrenagem: cada termo gera o próximo, mantendo a lógica encadeada.

A palavra repetida precisa ser idêntica?

Em geral, sim. Porém, há certa flexibilidade. A repetição costuma ocorrer com a mesma palavra, mas variações sutis (como flexões verbais ou pronominais) podem aparecer, desde que a ideia principal se mantenha.

O essencial é que o elemento duplicado apareça de forma próxima, mantendo a ligação evidente entre as partes.

Quando usar a anadiplose?

A anadiplose pode ser uma ferramenta poderosa, mas, como todo recurso estilístico, deve ser usada com moderação.

Se usada em excesso, pode tornar o texto repetitivo e cansativo. No entanto, quando bem dosada, ela dá ritmo, reforça ideias e ainda cria frases memoráveis.

Ela também funciona muito bem em conjunto com o tricolon (estrutura de três termos ou enunciados paralelos).