Clube do Português

Língua Portuguesa e Literatura para o Enem

Uso de maiúsculas e minúsculas em palavras com hífen

Ex-presidente ou Ex-Presidente? Vice-Reitor ou Vice-reitor? Afinal, nas palavras compostas separadas por hífen, devemos escrever os dois termos em maiúscula ou somente o primeiro deles? Neste artigo, vamos resolver esta dúvida. Confira!

Maiúsculas e minúsculas em palavras com hífen

De acordo com o Manual de redação da Presidência da República, “em palavras com hífen, após se optar pelo uso da maiúscula ou da minúscula, deve-se manter a escolha para a grafia de todos os elementos hifenizados” (p.26).

Em outras palavras, ou grafamos ambos os termos com letra minúscula, ou ambos com maiúscula:

  • O Ex-Presidente (ou ex-presidente) realizou discurso na última semana.
  • O Vice-Reitor (ou vice-reitor) abriu o congresso com uma aula magna.

Nomes próprios

Para finalizar este artigo, vale destacar que, em nomes próprios, a única opção é utilizar todos os termos com letra maiúscula:

  • Grã-Bretanha;
  • Timor-Leste;
  • República Centro-Africana;
  • Associação Latino-Americana de Psicologia Social;
  • Jogos Pan-Americanos.

Questão sobre uso hífen para o Enem

1. Assinale a alternativa em que todas as palavras estão em concordância com as regras de uso de maiúsculas e minúsculas em compostos com hífen:

a) Ex-presidente, Guiné-Bissau, pan-americano;

b) vice-presidência, Timor-Leste, Sub-Regente;

c) Grã-bretanha, Vice-Reitor, Associação Inter-Regional para Cooperação;

d) União Pan-Africana de Nações, vice-Governador, Torneio Sul-Americano de Basquete.

Resposta:

A alternativa correta é a letra “b”. Perceba que ela segue todas as regras citadas no artigo.

Vamos analisar agora os erros nas demais alternativas:

  • Na letra “a”, a grafia “Ex-presidente” está incorreta, pois mistura o uso de maiúsculas e minúsculas.
  • Na letra “c”, a grafia “Grã-bretanha” está incorreta. Como se trata de um nome próprio, ambos os termos devem ser grafados com letra maiúscula.
  • Na letra “d”, a grafia “vice-Governador” está incorreta, porquanto também mescla indefidamente o uso de maiúsculas e minúsculas.

*

Gostou do texto? Então, aprofunde seus estudos com nosso Guia do Hífen.

Contação de histórias: papel no processo de aprendizado e como otimizar a prática

https://br.freepik.com/fotos-gratis/filhos-medios-lendo-juntos_20886600.htm

A contação de histórias é uma das formas mais antigas e poderosas de transmitir conhecimentos, valores e emoções. Afinal, desde os tempos mais remotos, os seres humanos usam as histórias para se comunicar, se divertir, educar e se inspirar. 

Dentre outras coisas, as histórias estimulam a imaginação, a criatividade, atenção, expressão e empatia. Elas também contribuem para o desenvolvimento da linguagem oral e escrita, da leitura e da interpretação de textos.

Na educação, a contação de histórias é uma estratégia pedagógica que pode ser utilizada em diferentes níveis e áreas de ensino. Desde a alfabetização até o ensino superior, passando pelo ensino fundamental e médio. A contação de histórias pode favorecer o aprendizado de conteúdos curriculares, o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, a formação de valores éticos e morais, a construção da identidade cultural e a promoção da cidadania.

Por isso, hoje vamos apresentar algumas dicas interessantes para ajudar você a aprimorar essa arte milenar e transformadora. Leia até o fim e confira!

Contação de histórias

https://br.freepik.com/fotos-gratis/homem-de-tiro-medio-e-menino-lendo-quadrinhos-em-casa_49100611.htm

Contar uma história é algo realmente poderoso. Afinal, não é à toa que o registro da evolução da humanidade pode ser observado e sentido por meio das histórias que se contam sobre ela. 

Segundo Malba Tahan (1961, p. 24), até nossos dias, todos os povos civilizados ou não, têm usado a história como veículo de verdades eternas, como meio de conservação de suas tradições, ou da difusão de ideias novas.

Sendo assim, contar histórias vai além de apenas passar informações, mas é também uma forma de eternizar a expressividade cultural. E para conseguir extrair o máximo de resultados da contação de histórias como prática pedagógica, é possível seguir algumas dicas.

Conheça o seu público

Antes de escolher e contar uma história, é importante conhecer o seu público: 

  • Quem são?
  • Quantos são?
  • Qual a faixa etária?
  • Quais os interesses, necessidades, dificuldades, expectativas e conhecimentos prévios que eles têm?

Essas informações vão ajudar você a selecionar as histórias mais adequadas, que sejam relevantes, significativas, desafiadoras e motivadoras para os seus ouvintes.

Além disso, é importante adaptar a linguagem, o vocabulário, o ritmo, o tom e o estilo da narrativa de acordo com o perfil do público. Por exemplo, se você for contar uma história para crianças pequenas, você pode usar uma linguagem mais simples, lúdica e repetitiva, com rimas, onomatopeias, gestos e sons. Agora, se a história for para adolescentes, é interessante utilizar uma linguagem mais informal, atual e provocativa, com humor, ironia, gírias e referências culturais.

Escolha com critério o material para contação de histórias

A escolha das histórias é um dos aspectos mais importantes da contação na educação. Assim, elas devem estar alinhadas com os objetivos pedagógicos, conteúdos curriculares, temas transversais e projetos educativos que você pretende trabalhar. Elas também devem ter uma estrutura clara, com começo, meio e fim, e uma mensagem central, que seja coerente, consistente e significativa.

As histórias devem ter personagens, cenários, conflitos e soluções que sejam interessantes, verossímeis e atraentes para os ouvintes. Também é importante que elas tenham um equilíbrio entre o real e o imaginário, o conhecido e o desconhecido, o simples e o complexo. Lembre-se de que elas devem provocar a curiosidade, a surpresa, a reflexão, a emoção e a ação dos ouvintes.

Prepare-se para contar a história

https://br.freepik.com/fotos-gratis/mae-ouvindo-a-filha-enquanto-le_6353992.htm

Depois de escolher a história, é preciso se preparar para contá-la. Isso envolve ler, reler, estudar, compreender, interpretar, memorizar e ensaiar. Para contar com desenvoltura, você deve dominar o conteúdo, a estrutura, a linguagem e a mensagem da história. 

Dessa forma, mesmo que seja superficialmente, planeje como você vai iniciar, desenvolver e concluir a narrativa. Também é interessante ter uma espécie de script sobre como vai interagir com os ouvintes, usar os recursos expressivos e tecnológicos, e avaliar o resultado da contação.

Para isso, procure ensaiar a história algumas vezes, sozinho ou com a ajuda de alguém, se possível. Assim, é possível verificar o tempo, ritmo, entonação, postura, gestuário, etc.

É bom lembrar que você precisa estar preparado para improvisar, adaptar, modificar ou corrigir a história, caso seja necessário. Isso de acordo com o feedback dos ouvintes, situações imprevistas, erros ou dificuldades que possam surgir.

Use recursos expressivos e tecnológicos na contação de histórias

A contação de histórias pode ser enriquecida com o uso de recursos expressivos e tecnológicos, que ajudam a criar um clima e a estimular sensorialmente os ouvintes. A saber, esses recursos podem ser sonoros, visuais, táteis, olfativos, gustativos, etc. Também podem ser naturais, artificiais, tradicionais, modernos, etc.

Exemplos de recursos expressivos naturais são:

  • A voz;
  • O corpo;
  • O rosto;
  • O olhar;
  • Os gestos;
  • Movimento, etc. 

Dessa forma, você pode usar esses recursos para dar vida, personalidade, emoção, intenção, etc. aos personagens, cenários, situações e conflitos da história. 

Já os recursos tecnológicos podem ser:

  • Microfone;
  • Alto-falante;
  • Projetor;
  • Computador;
  • Celular;
  • Câmera;
  • Gravador;
  • Fone de ouvido, etc. 

Eles podem ser usados para ampliar e editar a voz, o som, a imagem, o vídeo da história. Assim, sua audiência pode escutar e compreender melhor a narrativa, o que contribui para a compreensão da história em um nível mais profundo.

Dica de recurso tecnológico para contação de histórias

Um recurso tecnológico que pode ser muito útil para a contação de histórias na educação é o CapCut Online, uma ferramenta online que permite editar vídeos de forma simples e rápida, sem precisar baixar ou instalar nenhum programa. 

Com esse editor de vídeo online, você pode criar vídeos impressionantes para contar histórias de forma criativa e envolvente. Entre outras coisas, é possível usar o CapCut Online para cortar, redimensionar, girar, inverter, acelerar, desacelerar, mesclar, dividir, recortar, etc. os seus vídeos. 

Você também pode usar o CapCut Online para adicionar filtros, efeitos, transições, textos, músicas, efeitos sonoros e muito mais. Aliás, ele também permite remover o fundo do vídeo, converter texto em voz e voz em texto, traduzir o vídeo, etc. E o melhor é que CapCut Online é uma ferramenta gratuita, fácil de usar e você nem precisa baixar nada.

Portanto, esse é um recurso tecnológico muito interessante.

Agora que você já sabe como a contação de histórias pode ser poderosa no processo de aprendizado, coloque essas dicas em prática e eleve essa técnica milenar a um novo patamar!

https://br.freepik.com/fotos-gratis/filhos-medios-lendo-juntos_20886600.htm

Classificação das sílabas: regras e uma análise completa

Para que seja possível aprender de forma mais completa tudo sobre a gramática da língua portuguesa, saber as regras de classificação das sílabas quanto a sua tonicidade e seu número é extremamente importante.

Então temos que entender melhor como funcionam a acentuação e a separação das sílabas para que saibamos fazer de forma correta a sua classificação, e as regras que devemos utilizar para fazer a classificação de sílabas.

Pensando nisso, compilamos as informações que são necessárias para que seja possível entender totalmente o conceito de sílaba, como classificá-las, separá-las, sua importância no nosso idioma e criamos um guia com alguns exemplos práticos para tornar mais simples a compreensão.

Classificação das sílabas: guia completo e atualizado

Definição e conceito de sílaba

As sílabas são os menores componentes das palavras, são pequenos pedacinhos que juntos formam palavras que são capazes de passar sentido e significado. Gramaticalmente falando, as sílabas são fonemas que transmitem, sozinhas ou juntas, a ideia que queremos informar, e em cada sílaba sempre vai haver uma vogal. Através das sílabas, podemos fazer a classificação das palavras, quanto ao número (de sílabas) e tonicidade. 

O que é classificação das sílabas?

Para fazermos a classificação das palavras é em primeiro lugar necessário fazer a classificação das sílabas em função do número e da de cada pedacinho da palavra ou fonema. Ou seja, é preciso saber separar as sílabas e contá-las, e também verificar onde se encontra a sílaba mais forte da palavra, ou a sílaba tônica.

Classificação das palavras quanto ao número de sílabas 

Para fazer a classificação de uma palavra através do número de sílabas que a compõem, é preciso saber que temos uma regra que nomeia as palavras de acordo com a quantidade de sílabas que a formam. São elas as monossílabas, dissílabas, trissílabas e polissílabas. Vamos explicar abaixo como fazer a classificação do número de sílabas de cada palavra:

Monossílabas 

Apresentam apenas uma única sílaba, é uma palavra indivisível. 

Exemplos: Sol; mar; céu; lar; luz.

Dissílabas

Palavras que ao serem divididas, apresentam duas sílabas. 

Exemplos: Casa; luva; mesa; sopa; café.

Trissílabas

No caso das palavras trissílabas, as sílabas são três.

Exemplos: Careta; macaco; viagem; fedelho; fogaréu.

Polissílabas

Por fim vêm as palavras polissílabas, que apresentam quatro ou mais sílabas.

Exemplos: Comemoração; protuberante; escarnecer; paralelepípedo; consultoria; despreparado.

Separação e classificação das sílabas

Para que possamos classificar as palavras quanto ao número de sílabas, é preciso que saibamos algumas regras na hora de fazer a separação das sílabas. A regra principal é bastante simples, e diz que a separação de sílabas se dá de acordo com o número de fonemas (ou sílabas) pronunciados de uma única vez. Vejamos como fica a classificação do número de sílabas de cada palavra:

Exemplos:

  • Caráter: ca – rá – ter (trissílaba)
  • Papel: pa – pel (dissílaba)
  • Característica: ca – rac – te – rís – ti – ca (polissílaba)
  • Suéter: su – é – ter (trissílaba)

Dentro das sílabas existem as vogais e as semivogais “i” e “u” que aparecem em determinadas palavras.

Exemplos: 

Papai: pa – pai (sendo o “i” uma semivogal que se apoia no “a” da segunda sílaba).

Troféu: tro – féu (sendo o “u” uma semivogal que se apoia no “e” presente na segunda sílaba da palavra).

  • Os ditongos e tritongos devem obrigatoriamente permanecer na mesma sílaba, são indivisíveis.

Exemplos:

Melaleuca: me – la – leu – ca

Uruguai: U –  ru –  guai

Paraguai: Pa – ra – guai

  • Os dígrafos “ch”, “lh”, “nh”, “gu” e “qu” são inseparáveis.

Exemplos:

Cachorro: ca – chor- ro

Palhaço: pa – lha – ço

Miguel: Mi – guel

Brinquedo: brin – que – do

  • Os dígrafos “ss”, “rr”, “sc”, “sç”, “xs”, e “xc” devem ser separado

Exemplos:

Carroça: car – ro – ça

Sessão: ses – são

Desço: des – ço

Possesso: pos – ses – so

Excelente: ex – ce – len – te

  • Os hiatos são obrigatoriamente divididos em sílabas diferentes

Exemplos:

Dia: di – a

Matriarcado: ma – tri – ar – ca – do

Esaú: E – sa – ú

  • Encontros consonantais devem ser divididos em sílabas diferentes, exceto os que a segunda consoante é “l” ou “r”.

Exemplos:

Treco: tre – co

Classe: clas – se

Broto: bro – to

  • Os encontros consonantais que iniciam as palavras devem permanecer juntos na mesma sílaba

Exemplos:

Pneumático: pneu – má – gi – co

Gnomo: gno – mo

Classificação das palavras por tonicidade

A segunda forma de classificação de sílabas ou de fonema, é quanto a sua tonicidade, e consequentemente cada palavra recebe um tipo diferente de classificação de acordo com a posição que sua sílaba tônica ocupa, como veremos abaixo:

Oxítonas

São as palavras em que sua sílaba tônica, ou a sílaba forte, é a última.

Exemplos: chá; jiló; gari; amém; sopé; maracujá.

Paroxítonas

No caso das palavras paroxítonas, a sílaba tônica é a penúltima da palavra.

Exemplos: recente; látex; surpresa; caráter; poliéster; teatro; catéter; separado.

Proparoxítona

E por último temas as palavras classificadas como proparoxítonas, em que a sílaba tônica fica em antepenúltimo lugar dentro da palavra.

Exemplos: propósito; característica; próximo; ágape; pretérito; tâmara; último.

Se houver qualquer tipo de dúvida sobre qual é a sílaba forte da palavra, há um truque que pode ajudar a encontrá-la mais facilmente. Pronuncie a palavra em voz alta, de forma interrogativa. A sílaba forte ficará rapidamente em evidência. Depois dessas informações, com certeza a classificação de sílabas se tornará ainda mais fácil para você.

Tudo sobre o grau comparativo de superioridade

No dia a dia utilizamos muitos recursos da língua portuguesa sem nos dar conta, e esse é o caso do grau comparativo de superioridade, que é bastante usado mas muitas vezes nem percebemos isso, ao utilizarmos adjetivos.

Quando pintar uma dúvida sobre o que é correto fazer com relação ao comparativo de superioridade de adjetivos, basta dar uma lida no texto abaixo que ficará mais fácil saber empregar corretamente o comparativo.

Para que você perceba a diferença entre o grau comparativo de superioridade e o grau superlativo, como identificar e empregar esse recurso em textos, e perceber de forma prática nas frases, redigimos um pequeno manual sobre o tema. Vamos saber mais sobre o assunto!

O que é grau comparativo de superioridade?

Os adjetivos existem para empregar qualidades ao sujeito das frases. Além disso, em alguns casos, os adjetivos também são utilizados para comparar pessoas ou coisas. 

É quando existe essa comparação entre as partes utilizando adjetivos que o grau comparativo é utilizado, tanto para expressar uma ideia de igualdade, quanto de superioridade ou inferioridade. Entenda as diferenças a seguir e saiba tudo sobre o grau comparativo de superioridade.

Entenda a diferença entre comparativo de superioridade e igualdade

Ainda que todos os graus comparativos se utilizem de adjetivos para exercer algum tipo de comparação entre as partes, os três graus comparativos possuem diferenças bem claras.

No caso do grau comparativo de superioridade, existe uma comparação para aumentar a característica de uma ou uma das partes em relação a outra ou outras. Enquanto isso, o grau comparativo de igualdade põe as partes do sujeito num mesmo nível. 

Entenda a diferença entre comparativo de superioridade e inferioridade

Como dito acima, os adjetivos servem para aplicar qualidades aos sujeitos das frases, além de tecer comparações entre os componentes do sujeito. No entanto, optar por usar o grau comparativo de superioridade ou de inferioridade vai depender do que você quer expressar.

O grau comparativo de superioridade serve para demonstrar que um dos sujeitos têm maiores ou melhores características que o outro.  Já no grau comparativo de inferioridade, como o próprio nome já indica,  funciona de maneira exatamente oposta, colocando uma das partes do sujeito com características inferiores às do outro ou dos outros. 

Continue a leitura para conferir exemplos de grau comparativo de superioridade!

Qual a diferença entre o grau comparativo de superioridade e superlativo?

É muito importante destacar que o grau comparativo envolve pelo menos duas partes para que possa haver a comparação entre eles, e então se apresentam as formas de igualdade, inferioridade ou superioridade. Essa é uma das maneiras de diferenciar esses dois graus que se utilizam de adjetivos. 

No caso do grau superlativo, o que podemos observar é que a caraterística atribuída pelo adjetivo é intensificada e não há comparação. Além disso, pode ser feita de forma relativa quando envolve mais de uma pessoa ou grupo, ou de forma absoluta quando se refere a um componente ou grupo do sujeito.

Exemplos de frases no comparativo de superioridade

Para que fique mais clara e fácil a compreensão, vamos dar exemplos de frases do grau comparativo de superioridade, e assim será possível perceber a estrutura utilizada nele:

Exemplos: 

  • Essa comida está melhor que a que experimentamos aqui na última semana.
  • Sua pulseira é mais bonita que a minha.
  • Para escrever discursos, Paulo é melhor que Mario. 
  • Descrevendo assim, percebo que sua mãe é mais carinhosa que seu pai.
  • Esse utilitário é mais caro que o meu.
  • Meu time tem mais títulos que o seu.
  • A comida fresca é muito mais saudável que comida pronta e congelada.

E aí? Já sabe tudo sobre o grau comparativo de superioridade? Se quiser continuar aprendendo ainda mais, confira todos os nossos conteúdos sobre gramática e domine a língua portuguesa!

Frase Optativa: O que é e como identificá-la

Existem dentro da nossa gramática variados tipos de frases, com diferentes estruturas. E uma das que usamos com certa frequência tanto ao redigir textos quanto em conversas do cotidiano é a frase optativa, que será nosso tema de hoje.

Para que saibamos identificar as frases optativas é necessário saber seu significado, que tipo de frase ela é, e suas principais características. Vamos relembrar esse assunto.

Para que sua identificação seja rápida, fácil, e seja possível diferenciá-la dos outros tipos de frases de maneira acertada, seguem algumas informações relevantes sobre as frases optativas, como sua estrutura, pontuação e exemplos.

O que é uma frase optativa?

As frases optativas são aquelas em que se deseja algo a alguém, e ao final geralmente se utiliza um ponto de exclamação para reforçar a ideia. É a frase onde se expressa claramente uma opinião, um desejo de que algo ocorra, uma benção, votos ou realizações.

Exemplos de frases optativas

Seguem abaixo alguns exemplos de frases optativas, para melhor compreensão:

  • Que Deus te proteja!
  • Espero que consiga a vaga de emprego!
  • Torcendo pela sua pronta recuperação!
  • Tenha uma ótima viagem!
  • Boa sorte no novo emprego!

Tipos de frases optativas

Existem dois tipos de frases optativas, as que são classificadas como optativas nominais e as optativas verbais.

Frase optativa nominal

As frases classificadas como optativas nominais não possuem em sua estrutura nenhum verbo, nada que indique ação.

Exemplos de frases optativas nominais:

  • Que bela jóia.
  • Nossa, que casa mais arrumada!
  • Lindo vestido!
  • Garoto esperto!
  • Que funcionário dedicado!

Frase optativa verbal

Já no caso das frases optativas verbais, sempre vai haver em sua estrutura um verbo, que pode compor sozinho a frase, ou vir acompanhado de outras palavras.

Exemplos de frases optativas verbais:

  • Amanheceu!
  • Seja feliz!
  • Desejo muita saúde ao bebê!
  • Tenha um ótimo dia!
  • Espero que vença a prova!

Diferença entre frase optativa e frase exclamativa

Com o objetivo de facilitar sua vida, e para que não reste nenhuma dúvida na hora de identificar as frases optativas, e que seja mais claro diferenciá-la das frases exclamativas, seguem a explicação do que diferencia as duas.

As frases optativas podem ser confundidas com as frases exclamativas uma vez que geralmente levam o ponto de exclamação ao fim. E é bom ressaltar que as frases optativas expressam o desejo a alguém, ou votos ou bênçãos. Enquanto as frases exclamativas sempre serão pontuadas com um ponto de exclamação, e sua entonação é sempre mais veemente.  

Diferença entre frase optativa e frase declarativa

Para estabelecer a diferença entre frases optativas e declarativas é bastante simples, uma vez que as frases declarativas estão fazendo algum tipo de declaração ou constatação sobre algo ou alguém. Enquanto as frases optativas estão desejando algo e sua entonação é mais exclamativa que as das frases declarativas.

Para melhor compreensão e utilização é preciso conhecer bem as características e regras da gramática portuguesa, especialmente depois do Novo Acordo Ortográfico, que unificou o nosso idioma aos de outros países de língua portuguesa.
Agora que você mergulhou no universo da gramática e já sabe o que é frase optativa, por que não explorar mais? Convidamos você a visitar nossa categoria Revisão de Texto, onde oferecemos uma variedade de conteúdos, desde a correção de erros comuns até dicas de edição avançada. Aperfeiçoar seu texto nunca foi tão fácil! 🖊️

Possui ou Possue: qual a forma correta?

A forma correta é possui, com “i” no final da palavra. A grafia possue, com “e”, está incorreta.

Possui é a conjugação do verbo possuir na 3.ª pessoa do singular do presente do indicativo (ele possui, ela possui, você possui) ou na 2.ª pessoa do singular do imperativo (possui tu):

Verbo possuir – presente do indicativo

Vejamos a conjugação do verbo possuir no presente do indicativo:

1ª pessoa do singularEu possuo
2ª pessoa do singularTu possuis
3ª pessoa do singularEle possui
1ª pessoa do pluralNós possuímos
2ª pessoa do pluralVós possuís
3ª pessoa do pluralEles possuem

Verbo possuir – imperativo

Agora vamos conferir a conjugação do verbo possuir no imperativo:

1ª pessoa do singularEu —
2ª pessoa do singularTu possui
3ª pessoa do singularEle possua
1ª pessoa do pluralNós possuamos
2ª pessoa do pluralVós possuí
3ª pessoa do pluralEles possuam

Conjugação dos verbos terminados em -uir

Em regra, os verbos terminados em -uir formam a 3.ª pessoa do singular do presente do indicativo com a terminação -i:

  • arguir – argui;
  • atribuir – atribui;
  • concluir – conclui
  • contribuir – contribui;
  • delinquir – delinqui ou delínqui;
  • diminuir – diminui;
  • possuir – possui.

Exemplos com “possui”

  • Marcos possui uma casa muito bem avaliada no mercado imobiliário.
  • A empresa americana possui uma filial em Vitória da Conquista, a aproximadamente 580km de Salvador.
  • Possui apenas o que te é de direito e serás feliz com o que tens.

Uso correto do verbo possuir

Para finalizar este artigo, vale destacar que o verbo possuir deve ser utilizado somente quando quisermos indicar uma relação de posse ou de propriedade.

Nesse sentido, o verbo não deve ser usado como substituto de “ter”. Por exemplo, não é correto dizer: “este apartamento possui três suítes.” Nesse caso, não há relação de posse. Assim, o melhor é dizer “este apartamente tem três suítes”.

Da mesma forma, não é adequado dizer: “aquela moça possui manchas no rosto.”. Mais uma vez, não se configura uma relação de propriedade, mas sim de característica. Nesse sentido, o melhor é dizer: “aquela moça tem manchas no rosto”.

*

Quer aprofundar seus conhecimentos na língua portuguesa? Então, continue seus estudos com a Gramática On-line do Clube do Português.

Por que é necessário escrever conteúdo de qualidade para sites?

A era digital entrou numa nova era, onde o influxo da inteligência artificial e das tecnologias modernas de ponta conferem novas dimensões à vida humana.

As empresas enfrentam uma concorrência imensa à medida que os novos participantes estão saturados em todos os outros mercados. O mesmo vale para pessoas que administram negócios online.

Eles têm que trabalhar diversos aspectos para ter uma presença firme no mercado. Nesse sentido, escrever conteúdo de qualidade para um site é essencial por vários motivos.

Continue reading

Guia completo sobre acentos gráficos na língua portuguesa

Em todos os idiomas os acentos gráficos são extremamente importantes para identificação da sílaba tônica de cada palavra, e na língua portuguesa não é diferente.

Saber como acentuar e as regras sobre como utilizar cada tipo de acento são conhecimentos fundamentais, e torna sua capacidade de escrever e pronunciar as palavras de forma correta maior e mais fácil.

Para relembrar as regras da acentuação gráfica, os tipos de acentos e enfatizar sua importância no nosso idioma em especial, vamos discorrer sobre o tema, e esclarecer qualquer dúvida que você possa ter.

O que é acento gráfico?

O acento gráfico é o elemento usado dentro de cada idioma que serve para indicar a sílaba tônica de cada palavra, demonstrando assim, como cada uma deve ser pronunciada. Sua utilização é muito importante na língua portuguesa, uma vez que temos muitas palavras com mesma grafia, mas sentidos e pronúncias diferentes. 

Quais são os tipos de acentos gráficos?

Para compreender melhor como funciona a acentuação gráfica, vamos mostrar seus elementos e funções dentro do português, sim, pois em outros idiomas os acentos possuem funções diversas das que utilizamos por aqui.

São três tipos de acentos utilizados, o acento agudo, o circunflexo e o grave. Vamos saber mais sobre cada um deles:

Acento Agudo (´)

O acento agudo, um dos mais comuns no portugês, é utilizado apenas em vogais e sua função é indicar um som mais aberto. Podemos demonstrar a grande diferença que o acento agudo causa nas palavras utilizando como exemplo pele e Pelé. 

Apesar de possuírem a mesma grafia, são palavras que diferem em pronúncia e significado.

Outro bom exemplo do uso de acento agudo está nas palavras: 

  • Sabia – verbo saber conjugado na terceira pessoa do singular no pretérito perfeito.
  • Sábia – adjetivo
  • Sabiá – substantivo comum, um pássaro comum no Brasil. 

A grafia das três palavras é a mesma, mas o acento ou sua ausência faz toda a diferença na sua pronúncia, classificação gramatical e sentido.

Acento Circunflexo (^)

No caso do acento circunflexo, ao contrário do acento agudo, ele denota um som mais fechado ou mesmo anasalado. Utilizado apenas nas vogais “a”, “e” e “o”. Para compreender como o uso do acento circunflexo é importante, vamos a dois exemplos bastante significativos. Avô e avó. 

Ao pronunciarmos as duas palavras, podemos perceber a diferença que o acento circunflexo tem em relação ao acento agudo, e o som mais fechado que ele dá às palavras. Avó com acento agudo é a mãe do pai ou da mãe, um substantivo comum feminino. Avô com acento circunflexo é também um substantivo comum, mas no masculino e significa pai do pai ou da mãe.

Acento Grave (`)

No caso do acento grave a explicação é bastante simples. Ele denota a conjunção do artigo feminino “a” ou “as” com a preposição “a”. Ou a contração da preposição “a” com os pronomes aquilo, aquele, aquela estando no plural ou não. Então o acento grave é usado apenas quando há a junção desses dois termos, e só conseguimos identificá-lo através de frases, pois ele depende da palavra que o antecede.

Exemplos: Vamos à ópera esse final de semana.

(A preposição é usada pois quem vai, vai “a” algum lugar. E ópera é um substantivo feminino precedido de artigo definido feminino “a”.

Para que servem os acentos gráficos?

A maior função dos acentos gráficos é realmente enfatizar as sílabas tônicas das palavras, ou a sílaba forte. Eles servem para diferenciar palavras que são escritas de forma idêntica, mas possuem significados e pronúncias diferenciadas entre si.

Ao ler um texto, a falta de acentuação pode tirar palavras de contexto, mudando totalmente o sentido do que pretendia ser dito.

Como usar corretamente os acentos gráficos

Para dirimir qualquer dúvida, e servir de manual caso não tenha certeza sobre a acentuação correta de determinadas palavras, vamos montar um pequeno manual com as regras de acentuação do nosso idioma, vejamos abaixo:

Palavras oxítonas

Uma das regras de acentuação está relacionada a palavras oxítonas. Confira a seguir alguns exemplos.

  • Terminadas em “a”, “e” e “o”, seguidas ou não de “s”. Exemplos: Sofá; pás; sopé; cafés; jiló; cipós.
  • Terminadas em “em” ou “ens” quando possuírem mais de uma sílaba. Exemplos: Neném; reféns.
  • Terminada em ditongos crescentes “éi”, “éu” e “ói” seguidas ou não de “s”. Exemplos: Povaréu; troféus; chapéu; réis; destrói.
  • Palavras oxítonas terminadas em mesóclise e ênclise.

Exemplos: Comê-lo-ei; empurrá-lo.

Palavras paroxítonas

Já nas palavras paroxítonas, os acentos gráficos são usados da seguinte forma:

  • Terminadas com “i” e “u” seguidas ou não de “s”. Exemplos: Bijú; táxis.
  • Terminadas com as consoantes “l”, “r”, “s”, “n” e “x”. Exemplos: Látex; córtex; dócil; sêmen; lápis; ímpar.
  • Terminadas em “ã”, “ão” e “um”, seguidas ou não de “s”. Exemplos: Álbuns; órfã, sótãos.
  • Terminadas em ditongos abertos. Exemplos: Réguas; tênue; ingênuos.

Palavras proparoxítonas

Todas as palavras proparoxítonas são acentuadas na língua portuguesa. Com acento agudo se sua pronúncia for mais aberta, ou com acento circunflexo em caso de pronúncias mais fechadas.

Exemplos: Tímpano; êmbolo; rótulo; cágado; xícara; prática; âmbito.

Diferença entre acento gráfico e acento tônico

Para que fique totalmente clara a diferença entre acentos gráficos, nosso tema de hoje, e os acentos tônicos, vamos explicar o que os diferencia. Os acentos gráficos, como dito acima, são elementos que denotam a sílaba mais forte da palavra, de acordo com o aspecto ortográfico. Enquanto os acentos tônicos são usados para ressaltar a sílaba tônica, de acordo com a fonética.

Vale ressaltar que o til (~) não é um acento gráfico, mas sim um sinal que indica que a sílaba deve ser pronunciada de forma anasalada, e em alguns casos pode aparecer em palavras juntamente com acentos gráficos. 

Exemplo: Bênção – Note que a sílaba tônica é a primeira, mas o til surge para expressar o tom anasalado da segunda sílaba.

O trema (¨) é outro caso que não é considerado como acento gráfico, e sim um sinal que ajudava a mostrar a pronúncia correta de algumas palavras, em sílabas formadas por “que”, “qui”, “gue” e “gui”. 

Porém com a criação do Novo Acordo Ortográfico o trema foi abolido em palavras de origem portuguesa, unificando assim a forma de escrever nos países que utilizam o português.

Exemplos: 

  • Eloqüente – eloquente
  • Lingüiça – Linguiça.

Porém vale ressaltar que em palavras que são originárias de outros idiomas, o trema segue sendo utilizado para auxiliar a pronunciar corretamente determinadas sílabas. Como no nome da modelo Gisele Bündchen por exemplo.

Agora que você tem uma melhor compreensão sobre acentos gráficos, por que não dar um passo adiante? Conheça a nossa categoria de conteúdos sobre Gramática, repleta de artigos detalhados que o ajudarão a dominar as regras e estruturas do português. Não há nada melhor do que aprender algo novo todos os dias, certo? Então, vamos lá! 🎓

Niketche – uma História de Poligamia, de Paulina Chiziane: análise da obra

A obra mais conhecida de Paulina Chiziane, “Niketche – uma História de Poligamia” foi publicada no ano de 2002, 10 anos depois da Guerra Civil que devastou Moçambique. O livro conta a história de Rami, mulher traída que se une às quatro amantes do marido, visando formar uma grande família. 

O livro é narrado pela própria protagonista e marcado por seus fluxos de consciência ao avaliar o seu lugar de mulher na sociedade moçambicana. “Niketche” é vencedora do prêmio Camões em 2021, e se trata de uma história que questiona as condições do público feminino na sociedade. 

Personagens principais de “Niketche – uma História de Poligamia”

Os personagens principais de “Niketche – uma História de Poligamia”, são:

  • Rami ou Rosa Maria: é a protagonista casada com Tony. Narradora da própria história. 
  • Tony ou António Tomás: é o marido de Rami que a trai com quatro outras mulheres. 
  • Julieta: é a segunda mulher de Tony.
  • Luísa: é a terceira mulher de Tony.
  • Saly: é a quarta mulher de Tony.
  • Mauá: é a quinta mulher de Tony.
  • Levy: é o irmão de Tony.
  • Maria: é a tia de Rami.
  • Vito: é o amante de Luísa e Rami.

Resumo de “Niketche – uma História de Poligamia”

Em “Niketche – uma História de Poligamia”, é contada a história de Rami, por meio da narração da própria protagonista, ou seja, se trata de uma narradora-personagem. É importante destacar que a palavra “Niketche” faz referência a uma dança tradicional do norte de Moçambique. Essa dança é um ritual realizado por mulheres quando entram na vida matrimonial.

O enredo gira em torno da protagonista que descobre, após 20 anos de casamento, que o seu marido, Tony, está sendo infiel. No entanto, em um primeiro momento, ela se culpa diante do espelho pela ausência e desinteresse de seu esposo. Porém, após esse fato, ela decide procurar pela amante do marido, a Julieta, com quem ele também tem filhos. 

Contudo, ao fazer isso, as duas saem no tapa e acabam sendo feridas e em um cenário inesperado, Julieta cuida das feridas de Rami. Atitude que provoca na esposa um espanto e, consequentemente, a quebra da raiva que sentia. Assim, as duas conversam e a amante confessa que não vê Tony há sete meses, o que provoca uma estranha empatia em Rami.

Entretanto, se Tony não está com uma e nem com a outra, as duas entendem que há uma terceira. Em razão disso, Rami vai em busca de respostas e conhece Luísa, outra esposa de seu marido. Ao confrontá-la, assim como ocorreu com Julieta, as duas acabam em uma luta física. Porém, no fim, também se tornam amigas. 

O fato é que a história não acaba por aí. O Tony, além de Julieta e Luísa, também tem um relacionamento com Saly e Mauá, o que faz com que a protagonista comece a se questionar sobre a poligamia. 

Assim, ela reúne todas as mulheres e o marido, para propor que se tornem uma única família. Visto que, ela não aceita perder o esposo e sabe que ele não deixará de ter relações extraconjugais. No entanto, Tony fica envergonhado diante da “grande família” e acaba fugindo da situação. 

Diante disso, as mulheres decidem fazer uma espécie de “escala conjugal”, na qual o marido possa passar uma semana com cada uma delas. Porém, Tony começa a se envolver com uma sexta mulher, deixando as outras cinco preocupadas. 

Nesse meio tempo, Rami, que já é super amiga das amantes, é convidada para uma festa na casa de Luísa e acaba se envolvendo com Vito, o amante dela. Assim, mais uma vez, as duas passam a dividir o mesmo homem. 

Durante o enredo, Rami começa a mudar a sua postura. Ela percebe as injustiças que rodeiam as mulheres de Moçambique, especialmente no que diz respeito às relações. Contudo, uma notícia muda tudo: Tony é atropelado e supostamente morre. Isso porque, o corpo do falecido fica irreconhecido, dando margem ao erro. 

Assim, Rami acaba assumindo um relacionamento com Levy, irmão de seu marido. Porém, tempos depois, Tony volta e descobre que foi dado como morto. Nesse ínterim, Luísa deixa Tony e se casa com Vito, convidando Rami para ser a segunda esposa. 

As outras três mulheres seguem com Tony e ainda procuram outra esposa para ocupar o lugar vago, mas Tony não quer mais se envolver com ninguém, encerrando assim a dança de Niketche. 

Contexto histórico de “Niketche – uma História de Poligamia”

A obra “Niketche – uma História de Poligamia”, tem como pano de fundo a instabilidade política e social, gerada pelo Acordo Geral de Paz, assinado em 1992, em Moçambique. Apesar da diminuição de conflitos entre a Resistência Nacional Moçambicana e o governo da Frente de Libertação de Moçambique, a paz ainda era ameaçada.

É neste contexto que a história de poligamia se desenvolve. Assim como em outras obras criadas no período da pós-independência, Niketche também valoriza a diversidade cultural para aumentar a união do país. 

Análise literária de “Niketche – uma História de Poligamia”

Dividida em 43 capítulos, “Niketche – uma História de Poligamia” é contada pela narradora-personagem, Rami. A protagonista analisa, durante o enredo, a sua condição e das demais mulheres vinculadas à tradição de Moçambique. Desta forma, o leitor consegue entender qual a realidade feminina da época, marcada pela submissão ao homem. 

O tempo da narrativa não é revelado, porém, é notório que a história ocorre em uma época posterior à Guerra Civil Moçambicana, ou seja, após 1992. Além disso, a ambientação é do sul de Moçambique, porém outras localidades são citadas, como Zambézia e Cabo Delgado.

A história começa com uma traição, na qual a esposa se sente culpada, por se olhar no espelho e não se achar mais atraente. Entretanto, no decorrer da narrativa, a mulher traída faz amizade com as amantes do marido e até propõe que se tornem uma única família. 

Neste cenário, nota-se que a autora sobressai a voz feminina, a partir do momento em que as amantes começam a ter empatia uma pela outra, deixando a rivalidade de lado. Contudo, também é possível notar que há uma crítica de costumes por trás do enredo, no qual as mulheres devem ser sempre submissas ao homem. 

Isso porque, Paulina Chiziane aborda a mulher na sociedade patriarcal, destacando as responsabilidades da esposa de Tony, enquanto ele está sempre ausente. Nesse sentido, a esposa cuida da casa e dos filhos, sendo essas as suas responsabilidades familiares. 

Até a finalização da obra, o leitor consegue ver Rami em um processo de autodescoberta e evolução, aprendendo a não se culpabilizar pelos erros que não partiram dela. Além de visualizar a sororidade entre as personagens. 

Sobre a autora Paulina Chiziane

Paulina Chiziane nasceu em Moçambique, cidade de Manjacaze, em 1955. Embora filha de pai protestante, Chiziane cursou o primário em uma instituição católica. No entanto, se formou na Escola Comercial de Maputo e estudou linguística na Universidade Eduardo Mondlane.  

A autora se envolveu com a Frente de Libertação de Moçambique e trabalhou junto à Cruz Vermelha, no período da Guerra Civil. Além disso, Chiziane integrou o Núcleo das Associações Femininas da Zambezia (Nafeza). 

Com o seu romance “Niketche – uma História de Poligamia”, a escritora conquistou o Prêmio Camões, em 2021.

*

Gostou do artigo? Então, continue seus estudos com o nosso Guia da Literatura.

Olhos d’água, de Conceição Evaristo: análise e resumo da obra

Lançado em 2014, o livro “Olhos d’água” é uma coletânea de contos escritos por Conceição Evaristo. A autora aborda temas associados às experiências do cotidiano de pessoas negras, especialmente as mulheres. 

Os 15 contos que compõem a obra são apresentados de forma real, ou seja, sem nenhum tipo de cortes ou cenas fantasiosas. A autora retrata fielmente como é o dia a dia de uma pessoa negra no Brasil. 

As narrativas são curtas e falam sobre crianças, homens e, principalmente, mulheres, sendo elas: mães, domésticas, idosas, ex-prostitutas e tantas outras esferas. Os contos abordam o racismo, bem como as imposições acerca da cor de pele e gênero dos personagens. 

“Olhos d’água” conquistou o 3.º lugar do prêmio Jabuti, pela categoria de Contos e Crônicas, no ano de 2015.

Personagens de “Olhos d’água”

Os personagens da obra “Olhos d’água” são homens, crianças e, sobretudo, mulheres marcadas pelas submissão e violência devido à cor de pele e outras questões sociais e de gênero. 

Alguns contos levam o nome das personagens, como os títulos: Ana Davenga, Ayoluwa e Natalina. Mulheres que vivenciaram diferentes tipos de violência, mas decidiram continuar vivendo, sonhando e ansiando por dias melhores. 

Além disso, as pessoas da narrativa trazem a identidade afro-brasileira e relembram o sofrimento, bem como a resiliência de seus ascendentes.

Resumo de “Olhos d’água”

A obra “Olhos d’água” é composta por 15 diferentes contos que se mesclam. Eles narram histórias de pessoas negras que sofreram os mais diversos tipos de violência e depreciação durante a vida. 

Contudo, o leitor consegue notar, desde o primeiro conto, o qual possui o mesmo título do livro, que a autora vai além do sofrimento. Seu objetivo é mostrar a ancestralidade e identidade afro-brasileira, destacando a dura realidade, bem como o acalento a esses personagens. 

Os nove primeiros contos da obra têm mulheres como protagonistas, enquanto os quatro seguintes, contam a histórias de homens que morrem devido à marginalização social. Os títulos, em sua maioria, são construídos pelo nome dos personagens principais, como: “Maria”, “Luamanda” e “Lumbiá”, por exemplo. 

Vale dizer que, já no prefácio, o livro sinaliza que a escrita é a forma que a autora tem de retratar as suas experiências e escancarar o que há de errado na realidade: 

“…escrever é, certamente,“uma maneira de sangrar”; mas também de invocar e evocar

vidas costuradas “com fios de ferro” – porém aqui preservadas com a persistente costura

dos fios da ficção, em que também se almeja e se combina, incansavelmente, não

decerto a imortalidade, mas a tenaz vitória humana, a cada geração, sobre a morte.

A partir daí, o leitor consegue se identificar imediatamente por meio das narrativas compartilhadas. Narrativas estas, recheadas de ancestralidade, fé, lágrimas, violência e sentimentos. As vozes não se calam devido aos acontecimentos expostos e por essa razão, a obra comove com sua dor poética.

Contexto histórico de “Olhos d’água”

O contexto histórico em “Olhos d’água” é histórico e, ao mesmo tempo, contemporâneo. Isso porque, ainda que aborde temas muito atuais por meio de sua publicação de 2014, ele é um retrato de situações que ocorrem desde que “o mundo é mundo”. 

Assim, a obra representa a voz dos negros e de toda uma sociedade que, há muitas décadas, tenta ser silenciada. 

Análise literária de “Olhos d’água”

Em “Olhos d’água”, a desigualdade social é o ponto central. As situações retratadas, infelizmente, não são ficções, mas sim a dura realidade do cotidiano de muitas pessoas. Entre os destaques de cada conto, a autora menciona o desespero, a miséria e a fome. Além de retratar episódios como assaltos, balas perdidas, a vida de um morador de rua e assim por diante. 

Temas como esses não são novos, bem como o retrato de uma realidade perfeita que homens brancos costumam pintar. Por essas razões, Conceição decidiu retratar de forma clara a realidade do mundo do crime, as desigualdades e, especialmente, a violência contra negros e mulheres. 

No entanto, a autora consegue mostrar os personagens não apenas como vítimas de um sistema falho, mas sim, como protagonistas de suas próprias histórias. Ao combinar diálogos e pensamentos, a autora transmite a complexidade do “existir”. Isso porque, cada uma das pessoas retratadas tem sonhos, medos, amores, raivas, assim como qualquer ser-humano. 

Além disso, “Olhos d’água” também escancara a sexualidade em um período no qual a sociedade tenta impor padrões aceitáveis, oprimindo quem os “desacata”.

Adaptação no teatro da obra “Olhos d’água”

O livro “Olhos d’água” deu origem ao espetáculo: “Olhos d’água ou Nas Pedras Nasciam Asas”, que estreou no Rio de Janeiro em novembro de 2019. A obra cênica é assinada por Cássio Duque, com a adaptação do conto “Olhos d’água” de Conceição Evaristo. A direção é de Juracy de Oliveira, Shirlene Paixão e Sol Miranda. 

Sobre a autora Conceição Evaristo

Nascida em uma favela de Belo Horizonte, em 29 de novembro de 1946, a autora Conceição Evaristo é graduada em Letras pela UFRJ, mestre em Literatura Brasileira pela PUC do Rio de Janeiro, e doutora em Literatura Comparada na Universidade Federal Fluminense. 

Sua carreira literária iniciou por meio de publicações em “Cadernos Negros”, do Grupo Quilombhoje, de São Paulo, no qual Conceição escrevia contos e poesias. Assim, foi construindo sua produção textual e sendo reconhecida como uma mulher que representava o seu povo.

São os sentimentos e experiências de homens e mulheres negras que compõem os seus livros de dores e sensações. Além de “Olhos d’água”, a autora também escreveu outros livros como: “Ponciá Vicêncio”, que foi publicado nos Estados Unidos em uma tradução para a Língua Inglesa. 

*

Gostou do artigo? Então, continue seus estudos com o nosso Guia da Literatura.

« Older posts

© 2024 Clube do Português

Theme by Anders NorenUp ↑

#CodigoClever