É possível usar crase com palavras ocultas? Neste artigo, vamos responder essa questão e mostrar como funciona o acento grave nesses casos. Vejamos!
A sentença “Quem não é visto não é lembrado” faz sentido? Para um monte de coisas, não é? Porém, no mundo da Língua Portuguesa, não é bem assim. A ocultação de palavras é permitida e bem comum, mas a omissão da crase onde ela for exigida, não.
Mais do que isso, é obrigatória. Até porque tal palavra não desaparece simplesmente; ao contrário, como o termo regente da oração, deve continuar existindo na cabeça do leitor para que a sentença persista fazendo sentido.
Omita, mas não se esqueça
Por isso, para não repetir um termo da oração ou, ainda, para adotar um pronome que o substitua, não hesite em omitir a palavra, como no exemplo:
“A sua letra é semelhante à do professor.”
Lembrando: em geral, a “temida” crase é o fruto da contração da preposição a com o artigo feminino a. Ela também acontece quando a união é com a inicial dos pronomes aquele, aquela, aquilo e qual. O sinal gráfico indicativo de crase é o acento grave (`) que aparece na frase acima.
O exemplo acima mostra que a palavra oculta (“letra”) conta como se estivesse escrita, ou seja, que essa supressão não tira a obrigação de escrever com crase. Talvez, o erro aconteça por influência de um termo no masculino mais próximo do “a” em questão.
Damos mais um exemplo:
- Brasil teria menos 58.500 mortes por covid-19 se mortalidade fosse igual à do Sul.
Originalmente, a manchete do portal Poder 360 veio sem crase. Mas ela é necessária porque se refere à palavra “mortalidade”, que é feminina. Portanto, na dúvida, a recomendação é substituir o termo feminino de referência por um correspondente masculino e observar o que acontece:
- A região Norte do Brasil teria menos 58.500 mortes por covid-19 se índice fosse igual ao do Sul.
Vale destacar que essa substituição não precisa ser feita por um sinônimo. O vocábulo (masculino) só deve manter a mesma estrutura sintática.
À moda subentendida
Vale lembrar ainda o caso da crase obrigatória mesmo diante de palavras masculinas, sempre que subentendem as expressões (locuções) à moda de e à maneira de. Assim:
- Arroz à grega (= à moda grega)
- Bife à parmegiana (= à moda parmegiana)
- Sair à francesa (= à moda francesa)
- Escrita à Machado de Assis (= à moda de Machado de Assis)
- Fazer à sua maneira (= à maneira dela/e)
- Gol à Pelé (= à maneira de Pelé)
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