A literatura periférica, também conhecida como literatura marginal, faz referência a toda produção literária que contraria e, até mesmo, opõe-se aos moldes da literatura canônica. Isto é, a literatura periférica não goza de prestígio social e acadêmico e circula fora do mercado comercial das grandes editoras.
Hoje, essa falta de prestígio justifica-se, principalmente, pelo fato de seus escritores originarem-se de grupos sociais marginalizados. Além disso, suas obras apresentam forte subversão linguística e retratam histórias de sujeitos pertencentes às classes desfavorecidas.
Origem da literatura periférica no Brasil
Foi na década de 1970 que o termo marginal apareceu na literatura brasileira por meio da Geração Mimeógrafo. Essa geração era composta de artistas que estavam inseridos no contexto da poesia marginal, assim denominada por estar à margem do circuito editorial estabelecido à época.
As motivações da Geração Mimeógrafo eram diferentes das motivações dos escritores periféricos de hoje. Seus artistas, que integravam a classe média, desejavam fazer os próprios livros e simbolizavam um movimento de contracultura em função da censura imposta pela Ditadura Militar, que os obrigou a buscar meios alternativos de propagação cultural.
Dessa forma, por ser o mimeógrafo uma tecnologia acessível à época, as obras eram produzidas de forma artesanal e vendidas de mão em mão, nas ruas, em praças e nas universidades. Os escritores que tiveram destaque nesse cenário de busca por uma liberdade de expressão foram: Ana Cristina César, Paulo Leminski, Chacal, Torquato Neto, Jards Macalé e Waly Salomão.
Somente no final da década de 1990 que surgiram os escritores oriundos das periferias, principalmente as de São Paulo. Eles começaram a tratar principalmente de temas que envolviam a própria periferia, a cultura hip hop e os problemas sociais. Então o poeta Ferréz, nome artístico de Reginaldo Ferreira da Silva, retomou o termo marginal e nomeou a literatura produzida por ele como literatura marginal.
Desde então, a literatura periférica/marginal pode referir-se a: obras e autores que, por algum motivo, circulam fora do mercado comercial das grandes editoras; obras e autores que fazem oposição às tendências literárias e fogem dos cânones estabelecidos; autores de origem periférica, cujas obras retratam a realidade das minorias.
Características principais da literatura periférica
As características que normalmente permeiam a literatura periférica de hoje são:
- autores que compõem o grupo social das minorias e que são originários das periferias brasileiras;
- oposição às principais tendências literárias e aos cânones estabelecidos;
- predominância da linguagem coloquial, das estruturas das letras de rap e gírias, inclusive as de baixo calão;
- desvios propositais de ortografia, sintaxe e/ou pontuação;
- sujeitos e espaços tidos como “marginais” no centro da narrativa;
- temáticas cotidianas e variadas que retratam os problemas sociais;
- selo editorial desconhecido.
Principais autores e obras da literatura periférica atual
Alguns nomes vêm ganhando destaque no contexto da literatura periférica hoje. Conheça-os e confira suas principais obras:
Ferréz
1997 – Fortaleza da desilusão
2000 – Capão pecado
2003 – Manual prático do ódio
2004 – Amanhecer esmeralda
2006 – Ninguém é inocente em São Paulo
2006 – Inimigos não mandam flores
2009 – Cronista de Um Tempo Ruim
2011 – Deus foi almoçar
2012 – O pote mágico
2015 – Os ricos também morrem
Alessandro Buzo
2000 – O Trem
2004 – Suburbano Convicto
2004 – O cotidiano do Itaim Paulista
2007 – Guerreira
2008 – Favela Toma Conta
Santiago Dias
1982 – Rosas e Vidas
1984 – Caminho
1987 – Estradar
1994 – Canto a uma manhã sem dor
2018 – Destino Cigano
O Menestrel Desvairado
O Plantador de Manhãs
Anchieta Na Terra dos Papagaios (teatro)
Sérgio Vaz
1988 – Subindo a ladeira mora a noite
1991 – A margem do vento
1994 – Pensamentos vadios
2005 – A poesia dos deuses inferiores
2007 – Colecionador de Pedras
2008 – Cooperifa – Antropofagia Periférica
2011 – Literatura, pão e poesia
2016 – Flores de Alvenaria
2016 – Oração dos Desesperados
Allan da Rosa
2005 – Vão
2006 – Da Cabula
2007 – Zagaia
2007 – Morada
2012 – A Calimba e a Flauta: Versos Úmidos e Tesos
2016 – Reza de mãe
Sacolinha
2005 – Graduado em marginalidade
2006 – 85 Letras e um Disparo
2010 – Estação Terminal
2010 – Peripécias de Minha Infância
2012 – Manteiga de Cacau
2013 – Como a água do rio
2016 – Brechó, Meia-noite e Fantasia
2019 – Dente-de-leão: a sustentável leveza de ser
2020 – Entre amar e morrer, eu escolho sofrer
2022 – Onde estavam meus olhos? – Ainda sobre leveza
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