Qual a diferença entre o paralelismo semântico e o paralelismo sintático? Neste artigo, vamos mostrar as características de cada um. Vamos lá!

Se nossa missão como emissor de uma mensagem é fazer com que ela seja compreendida pelo receptor, é preciso muito cuidado no jeito de escrever. É preciso garantir que a mensagem faça sentido, que seu conteúdo chegue ao outro de modo coerente e coeso. É preciso, no fundo, que o encadeamento de suas orações respeite a regra do paralelismo.

Até porque poucas coisas são mais chatas para o leitor do que perder o fio da meada de um texto cuja forma como as orações/ideias foram apresentadas tornou o conteúdo incompreensível. Textos caóticos ou, pelo menos, desleixados com o encadeamento de suas ideias desestimulam o leitor a continuar.

O paralelismo desativa essa armadilha ao organizar a estrutura discursiva. Ele ensina que, para transformar as ideias em uma mensagem clara e objetiva, é preciso apostar na organização por meio de escolha gramatical, pontuação, concordância, coerência e coesão.

Em geral, há duas formas de encarar essa organização: pelo paralelismo sintático e pelo semântico. Esses dois aspectos textuais ressaltam o que há de semelhante entre palavras e expressões dentro de um parágrafo.

Ambas as formas de paralelismo se caracterizam pelas suas relações de similaridade, mas a sintática busca o que há de semelhança entre frases ou orações, ou entre classes gramaticais, e a semântica atenta para a correspondência de sentido entre os termos.

Como reconhecer o paralelismo sintático

O paralelismo sintático, ou paralelismo gramatical, é um jeito de coordenação dentre elementos de mesma natureza gramatical ou sintática. Em outras palavras, ele garante que os elementos constituintes de orações em cadeia reproduzam as mesmas funções sintáticas ou morfológicas.

É como se houvesse um fio condutor, ou um roteiro a ser preenchido, no qual palavras ou expressões simétricas fossem inseridas. Isso de alguma forma agiliza o raciocínio do leitor e dá maior fluidez ao texto.

A falta de paralelismo do exemplo abaixo é bem comum:

  • O que espero das férias: viagens, praia e visitar lugares diferentes.

Perceba que o uso do verbo “visitar” provoca uma ruptura na estrutura da oração, que vinha sendo baseada no sequenciamento de substantivos (“viagens” e “praia”). Para atender à exigência do paralelismo, o correto seria substituir o verbo por outro substantivo, no caso, “visita”. Assim:

  • O que espero das férias: viagens, praia e visitas a lugares diferentes.

Veja outro exemplo no mesmo sentido:

  • Obedecer às leis de trânsito é necessário, importante e traz benefícios à segurança de todo motorista.

É fácil perceber que as palavras “necessário” e “importante” são adjetivos e que essa sequência é interrompida pela presença do verbo “traz” ligado ao substantivo “benefícios”. Para melhorar o período, nada melhor do que aplicar o princípio do paralelismo, substituindo esse trecho pelo também adjetivo “benéfico”:

  • Obedecer às leis de trânsito é necessário, importante e benéfico à segurança de todo motorista.

Como identificar o paralelismo semântico?

O paralelismo semântico, por sua vez, observa a correspondência de valores existentes no discurso. Sua base é o encadeamento de ideias de um jeito que mantenha a coerência. Para isso, elas precisam ser comparáveis entre si. Veja o exemplo:

  • Mariana gosta de pizza e namorar.

A Mariana curte duas coisas bacanas, mas que expressam ideias bem diferentes: o substantivo “pizza” é um alimento; o verbo “estudar” é uma ação. Não há comparação possível entre os termos. A falta de correspondência de sentidos leva à carência de simetria entre as ideias. Para restabelecer o paralelismo semântico, é necessário considerar escrever algo assim:

  • Mariana gosta de comer pizza e de namorar.

Regra dos pares correlatos

Para ajudar a manter a simetria desejada pelo paralelismo, há alguns artifícios possíveis. Um deles é o uso de pares correlatos, que orientam a leitura deixando claro qual é a relação de sentido pretendida entre os elementos do enunciado.

A seguir, temos alguns deles:

  • Quanto mais… (tanto) mais
  • Não só… mas (como) também
  • Tanto… quanto
  • Primeiro… segundo
  • Seja… seja, quer…quer, ora…ora
  • Não… e não/nem
  • Por um lado… por outro

Neste último, é curioso perceber que o segundo termo não adota o artigo “um”. Coisas na nossa língua!

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