Cada uma das pessoas que um dia produziram conhecimento merecem consideração e respeito, concorda? Então, antes de começar a indicar como fazer as referências bibliográficas, vale lembrar que não é correto tomar para si o pensamento ou as informações que surgiram da cabeça (do esforço intelectual) de outra pessoa, sem que se reconheça sua autoria. Incluir essas fontes de “inspiração” é uma forma de respeitar a origem da informação, respaldar o próprio trabalho acadêmico e elevar a credibilidade dele.

É exatamente por isso que se exige de todo trabalho acadêmico, calcado, portanto, no rigor científico, que admita, explicite e liste essas referências bibliográficas adotadas pelo autor.

E a organização dessas referências tem de ser feita tecnicamente, com método. No Brasil, a normalização técnica admitida como o padrão acadêmico é dada por um conjunto de normas (NBRs) elaboradas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Entre elas, destacam-se: a NBR 6023:2002 Informação e documentação – Referências – Elaboração; a NBR 10522:1988 – Abreviação na descrição bibliográfica – Procedimento.

Mas as Normas ABNT não são as únicas no mundo. São bastante conhecidas também as normas APA e Vancouver.

Como fazer as referências bibliográficas?

O objetivo é torná-las claramente visíveis no texto. É, de alguma forma, um jeito padronizado de se comunicar.

O primeiro mandamento das referências ABNT é declarar: os autores de cada um dos textos consultados; o título e o subtítulo desses trabalhos; edição, local, editora e data de publicação.

Há uma forma correta de incluir cada tipo de material referenciado, do livro a um disco, um filme, um quadro, fita cassete, e-mail, meme de rede social, qualquer coisa que seja preciso registrar como fonte de informação produzida por outrem. Justamente por essa diversidade material que não se deve nomear essa parte do trabalho acadêmico apenas como “bibliografia”.

Como se trata de uma padronização, a ABNT definiu a seguinte estrutura básica para referenciar, por exemplo, um livro: SOBRENOME, Nome Abreviado. Título: subtítulo. Edição. Local de publicação: Editora, data de publicação da obra.

A ABNT também coloca como regra que a lista dessas fontes seja colocada em ordem alfabética logo após o desenvolvimento do trabalho (em geral, depois do capítulo de Conclusão).

Fontes de diferentes origens

Dependendo do tipo de fonte de informação utilizada no texto, a disposição e até a ordem das referências a serem citadas na lista bibliográfica podem variar, e muito… A simples existência de mais de um autor em um livro, por exemplo, exige um formato distinto para a citação.

Para um livro com mais de três autores, o normal é incluir o nome por extenso apenas do primeiro autor, seguido da expressão “et al”, que, em latim, significa “e outros”. Assim: 

SOBRENOME, Nome Abreviado. et al. Título: subtítulo (se houver). Edição (se houver). Local de publicação: Editora, data de publicação da obra.

É bem provável ter de citar apenas um capítulo de um livro escrito a várias mãos ou um artigo de revista assinado por um especialista, por exemplo. Nas referências bibliográficas, é fundamental indicar a página de início e fim desse tipo de citação. Confira o modelo:

SOBRENOME, nome abreviado. Título do artigo. Título da Revista, (abreviado ou não) Local de Publicação, Número do Volume, Número do Fascículo, Páginas inicial-final, mês e ano.

Nos casos em que há um autor responsável pela publicação, é esse nome que deve encabeçar a referência, indicando o título de sua função na publicação entre aspas e resumido: o editor aparece como (Ed.), o compilador como (Comp.), o organizador como (Org.) e o coordenador como (Coord.).

Tudo o que vier da internet tem como regra essencial especificar onde pode ser encontrado (o link), bem como a data em que a URL foi acessada. Fica desse jeito:

SOBRENOME, Nome Abreviado. Título: subtítulo (se houver). Nome do site, ano. Disponível em: (link). Acesso em: (data).

É bem comum também ter de citar textos legais. No caso da Constituição, a citação exige que você especifique a região coberta pela constituição (Brasil, para a federal, ou o Estado, para a estadual), a cidade em que fica o órgão constituinte (Brasília, por exemplo), o ano de publicação e a página na qual se encontra o trecho citado (se não tiver sido consultada na internet; neste caso, vale a regrinha do link e data de acesso). Para a Constituição Federal de 1988, deve-se citar assim:

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. Página.

Se for incluir algum texto infraconstitucional, o modelo a ser seguido é o seguinte:

BRASIL. Lei nº X.XXX, de XX de mês de ANO. Função da lei. Diário Oficial da União, Brasília, DF, v. XX, n. XX, data de publicação do diário onde a lei foi divulgada. Seção, páginas.

Veja como citar uma tese, monografia ou dissertação:

SOBRENOME, nome. Título: subtítulo. Ano de apresentação. Número de folhas ou volumes. (Categoria e área de concentração) – Instituição, Local, ano da defesa.

Devo citar tudo ao longo do texto?

A marcação dos trechos correspondentes a uma citação direta ou indireta de uma obra ao longo do trabalho acadêmico é mandatória. Isso evita que o autor do texto seja processado por plágio.

Na minha vida de revisor, é incrivelmente comum observar trechos cujo autor que serviu de fonte foi ignorado. Isso é corriqueiro, mas precisa ser corrigido antes de submeter o trabalho.

Para que isso não aconteça, a organização do trabalho de anotação desses autores precisa ser rigorosa durante a elaboração do texto.

Regras especiais de referências ABNT

Há, ainda, regras específicas de formatação das referências bibliográficas. As “entradas” de cada referência devem ser feitas no mesmo tipo de letra utilizada no trabalho (em geral, Arial ou Times New Roman, corpo 12), em ordem alfabética (desconsidere os artigos definidos e indefinidos), com espaçamento simples e dois espaços simples a separá-las, e alinhamento à esquerda.

Mais um detalhe: a última atualização da NBR 6023 passou a adotar o grifo em itálico para as expressões como “et al” e “In”, que indica uma parte da obra.