Tecnicamente falando, a resenha crítica é um gênero textual híbrido, pois mistura um pouco de informativo, descritivo e opinativo.

Esse gênero de texto possui fortes características analíticas e interpretativas e tem sempre como objetivo discutir um determinado produto cultural, seja ele um livro, artigo, filme, série, documentário, exposição de artes, peça teatral, apresentação de dança ou um show.

Ao sintetizar as suas ideias e expor o conceito que tem sobre a obra citada, o resenhista tende a influenciar seus leitores.

Na prática, ele revela de um modo bem pessoal e particular a análise interpretativa da obra feita pelo resenhista. Mesmo assim, resenhas críticas são muito frequentes no mundo acadêmico, justamente por trazerem os aspectos positivos e negativos sobre o tema explorado.

Como fazer uma resenha crítica

A estrutura de uma resenha crítica, como a de todo texto de natureza argumentativa, deve incorporar os básicos e famosos introdução, desenvolvimento e conclusão.

Aqui vale uma observação: resenha crítica não é igual a artigo científico. Em outras palavras, significa que a demarcação entre esses três “territórios” não precisa (nem deve) ser feita de modo tão explícito. 

A formalidade no caso da resenha está no tamanho – o número de páginas costuma ter, em média, somente quatro páginas – na concisão, evitando repetições e excessos de informações, e no uso de uma linguagem denotativa e feita de acordo com a norma-padrão da língua.

Mesmo que as fronteiras entre as partes do texto sejam mais tênues, vale pensar em uma “introdução” que deixe claro qual é o objeto de análise: título, autoria, editora/produtora, local e ano da publicação, tamanho (páginas ou minutos) e demais características que demonstram a relevância do tema. Também é essencial contextualizar o assunto sobre o qual se fala.

O desenvolvimento é onde o resenhista expõe e detalha suas ideias e seus argumentos. Isso exige uma capacidade de articular os argumentos, nem sempre concordando com a visão do autor; muitas vezes, a relevância da resenha está justamente na discordância respeitosa e com fortes argumentos.

A fase final do texto, de conclusão, é onde o resenhista deixa a sua marca, ou seja, expõe “pra valer” a sua opinião de forma mais direta. É comum que as opiniões transitem em torno da qualidade e originalidade da obra, dos benefícios que ela traz, da sua qualidade etc.

Muito além do resumo

Vale ressaltar que a resenha crítica vai muito além de um mero resumo informativo, cuja principal característica é ser um texto de caráter descritivo e imparcial, que não faz julgamentos ou avaliações. 

Diferentemente disso, a resenha precisa agregar outras fontes de referências, fazer com que elas “dialoguem” com a obra citada, e construir uma compreensão crítica do texto original de uma forma direta, assertiva e responsável, do ponto de vista das relações que estabelece entre as ideias.

Assim, uma resenha crítica não para em pé apenas pela exposição das primeiras impressões do resenhista. É fundamental refletir com cuidado, reler o original ou rever o filme, por exemplo, anotando partes relevantes – isso faz com que, de certa forma, sempre exista um resumo da obra imerso no texto de uma resenha crítica.