Tipos e gêneros textuais são coisas diferentes

A partir de sua intergenericidade, o anúncio publicitário acaba surpreendendo o leitor ao romper o modelo cognitivo esperado para uma peça como essa.

Vale lembrar que a base dos gêneros textuais são as necessidades comunicativas da humanidade. Os gêneros usam, na verdade, variações das estruturas dos tipos textuais a partir de modelos de texto que circulam na vida social.

O tipo textual é, por sua vez, a forma como um texto se apresenta. Tem, portanto, a ver com sua estrutura, reconhecida pelo emprego recorrente de certos recursos linguísticos. As tipologias mais usadas são: narração, descrição, dissertação, argumentação, informação e injunção.

Ao contrário dos tipos textuais, os gêneros são mais fluidos, por estarem intimamente atrelados às situações comunicacionais – são identificados com base no objetivo, na função e no contexto.

A intergenericidade é a prova de que as barreiras entre os diferentes gêneros textuais são tênues e de que novos modelos, alguns mais formais, outros bem mais informais, podem surgir a qualquer momento.

Interação e complementaridade

A internet também está aí para mostrar que a variedade de gêneros textuais pode ser infinita. Nada surge do vazio. O autor do texto interage com o tema, com o contexto de produção da escrita e com sua bagagem de informações.

Diante disso, a intergenericidade propõe usar um dado gênero, que se caracteriza por uma certa forma, na função de outro, sem embaralhar a interpretação final. Ao fazer isso do jeito certo, os (dois) gêneros que interagem acabam se completando e oferecendo ao leitor algo diferente e novo, despertando sua curiosidade e tornando eficaz a intenção do texto.