Livro de Cecília Meireles que relata fatos sobre a Inconfidência Mineira, “Romanceiro da Inconfidência” traz diferentes personagens históricos para a ficção. A obra, dividida em cinco partes, foi publicada pela primeira vez no ano de 1953 e possui 85 poemas ou romances narrados. 

Assim, personagens como Cláudio Manuel da Costa, Chica da Silva, Marília de Dirceu, Tiradentes e Tomás Antônio Gonzaga aparecem nos versos do livro. A autora consegue mostrar ao leitor dois lados de uma mesma história, isto é, a versão de quem conta e a de quem vive. 

“Romanceiro da Inconfidência” é uma obra que pertence à segunda fase do modernismo brasileiro. 

Personagens de “Romanceiro da Inconfidência”

Na obra “Romanceiro da Inconfidência”, Cecília Meireles traz personagens históricos para a ficção e também dá voz a pessoas comuns que viveram na época. Nomes como Tiradentes e Tomás de Antônio Gonzaga são referenciados com grande empatia e sensibilidade. 

Entretanto, a autora não se limita apenas aos mais notáveis que viveram a Inconfidência Mineira. Ela também destaca aqueles deixados de fora da história, como os escravos e as mulheres, por exemplo. 

Confira, abaixo, alguns dos personagens mais importantes do livro:

  • Chico Rei: é considerado um personagem lendário que descobriu, por meio de uma visão religiosa, ouro em abundância em Minas Gerais.
  • Chica da Silva: é uma famosa escrava que conquistou sua alforria e ainda se envolveu com um dos homens mais ricos do Brasil.
  • Tiradentes: é o herói da Inconfidência Mineira, um dos únicos envolvidos condenado à morte. 
  • Cláudio Manuel da Costa: é um poeta brasileiro que participou do contexto da Inconfidência Mineira.
  • Tomás Antônio Gonzaga: é um famoso autor do Brasil que teve uma parte de sua história durante a Inconfidência. 

Resumo de “Romanceiro da Inconfidência”

Em “Romanceiro da Inconfidência”, Cecília Meireles convida o leitor a acompanhar diferentes fatos que ocorreram na época da Inconfidência Mineira (1789). 

Na primeira parte do livro, publicada em 1953, a autora lança uma reflexão sobre a trajetória do ouro na história do Brasil. Nesse sentido, ela aborda todas as questões acerca do assunto, ou seja, o fato do ouro ter causado riqueza, tanto quanto gerou destruição. 

Desta forma, a primeira parte da obra retrata os dois lados: a felicidade e a tristeza, bem como as conquistas e as derrotas. Inclusive, fatos como a morte do revolucionário Filipe dos Santos tem muito destaque. Assim como, é relatada a situação dos negros escravizados por meio da lenda Chico-Rei e há diversas menções sobre Chica da Silva.

Já na segunda parte, o foco é a Inconfidência Mineira em si, ocorrida em 1789. Em outras palavras, Cecília Meireles fala sobre os diferentes fatos ocorridos na época, desde a construção dessa história, até a sua associação com a Revolução Francesa. Vale destacar que as duas coisas foram influenciadas pelo Iluminismo no Brasil. 

O protagonista da segunda parte da obra é Tiradentes, que é mostrado de forma heroica, tido como traidor. Além disso, são mencionados inconfidentes menos populares como Francisco Antônio, Vitoriano Veloso e ainda Padre Rolim, perseguido por fazer parte de uma conspiração.

Na terceira parte do livro, Cláudio Manuel da Costa é o grande destaque. Sua história sobre o suposto suicídio é o que define a narrativa. Entretanto, também é narrado as sentenças dos diversos inconfidentes acusados.

A quarta parte da obra se concentra em Tomás Antônio Gonzaga, escritor do Arcadismo. O autor é muito conhecido por sua obra “Marília de Dirceu”, a qual também é uma personagem em destaque nessa fase do livro. 

Por fim, a quinta parte fala sobre a morte de Maria I, a rainha louca, e finaliza a narrativa com uma espécie de moral da história. Nela, é feita uma reflexão sobre qual lugar o leitor gostaria de ocupar na história. Em outras palavras, duas hipóteses são dadas: ser lembrado por atitudes certas ou erradas?

Contexto histórico de “Romanceiro da Inconfidência”

O contexto histórico de “Romanceiro da Inconfidência” é, obviamente, a Inconfidência Mineira de 1789. Participaram da conspiração militares, intelectuais e até mesmo alguns padres que estavam insatisfeitos com a dominação portuguesa. A inconfidência foi inspirada por ideias iluministas e o desejo de que Minas Gerais se tornasse uma república independente. 

Estilo literário de “Romanceiro da Inconfidência”

“Romanceiro da Inconfidência” dispõe de prosa poética, e ainda é composto por imagens e musicalidade. Cecília Meireles consegue criar um cenário repleto de emoção e lirismo, por meio do ritmo equilibrado dos seus versos e rimas. 

No entanto, a autora também faz uso de recursos estilísticos, como a assonância, aliteração e repetição que, juntas, criam uma sonoridade envolvente. A obra combina poesia com prosa e encanta os leitores das mais diferentes épocas. 

Análise literária de “Romanceiro da Inconfidência”

Por meio de um narrador onisciente, que conhece até os pensamentos dos personagens, “Romanceiro da Inconfidência”, se passa especialmente no fim do século XVIII, durante a Inconfidência Mineira. Contudo, a obra também relata histórias anteriores a esse acontecimento. 

A narrativa é ambientada em Minas Gerais e destaca cidades como Ouro Preto e Diamantina. Trata-se de um livro que pertence ao segundo momento do modernismo brasileiro e conta com cinco partes e 85 romances. 

Vale dizer que a segunda geração modernista não fazia quebras radicais com as artes tradicionais. Assim, todos os autores dessa época podiam produzir versos livres ou regulares. Em “Romanceira da Inconfidência”, nos deparamos com versos regulares, metrificados e com rimas, além de decassílabos e redondilhas. 

Adaptação no cinema da obra “Romanceiro da Inconfidência”

“Romanceiro da Inconfidência” foi adaptado em 1972 para os cinemas com o título de “Os Inconfidentes”. Uma co-produção brasileira e italiana que teve Cecília Meireles como uma das roteiristas e Joaquim Pedro de Andrade como diretor. 

De gênero drama histórico, o filme entrou para a lista dos 100 melhores filmes brasileiros, feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), em novembro de 2015.

O filme, versão cinematográfica da Inconfidência Mineira, tem grandes atores em seu elenco, como José Wilker na pele de Tiradentes e Luiz Linhares como Tomás Antônio Gonzaga. 

Sobre a autora Cecília Meireles

Nascida em 7 de novembro de 1901, no Rio de Janeiro, Cecília Benevides de Carvalho Meireles foi criada pela avó materna, pois ficou órfã ainda criança. 

Em 1917, se formou no magistério e em 1919 publicou seu primeiro livro de poesias, intitulado de “Espectros”. No entanto, a autora alcançou a maturidade literária inspirada pelo simbolismo, com obras como “Viagem”, publicada em 1939 e “Vaga Música” de 1942.

Contudo, devido ao seu estilo pessoal, seus livros nunca puderam ser classificados em uma escola literária única. Assim, em 1953, a escritora lançou o “Romanceiro da Inconfidência”, um dos maiores destaques na literatura social brasileira. 

Cecília morreu em 9 de novembro de 1964, no Rio de Janeiro, vítima de câncer no estômago. Dentre as suas principais obras, destacam-se:

  • Espectros – 1919.
  • Viagem – 1939.
  • Vaga música – 1942.
  • Mar absoluto – 1945.
  • Retrato natural – 1949.
  • Romanceiro da Inconfidência – 1953.
  • Metal Rosicler – 1960.
  • Ou isto, ou aquilo – 1964.

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