Cecília Meireles foi uma escritora, professora, jornalista e pintora, considerada a principal representante feminina da segunda geração do modernismo brasileiro. Também é amplamente considerada a melhor poetisa do Brasil, ainda que tivesse horror a que a chamassem de poetisa, tendo preferência pelo termo poeta.

Vida pessoal e profissional

Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, no bairro Rio Comprido, na cidade do Rio de Janeiro. Seu pai, Carlos Alberto de Carvalho Meireles, era funcionário do Banco do Brasil e faleceu poucos meses antes de seu nascimento. Sua mãe, Mathilde Benevides Meireles, era professora da rede pública do ensino primário da época e faleceu quando a filha tinha apenas três anos de idade.

Órfã de pai e mãe, Cecília foi criada pela avó materna, a portuguesa Jacinta Garcia Benevides. Contudo, sua infância foi solitária, pois sua avó não a deixava sair de casa para brincar com outras crianças.

Seus primeiros estudos foram na Escola Municipal Estácio de Sá, onde se destacou e recebeu a Medalha de Ouro Olavo Bilac, em 1910, das mãos do próprio Olavo Bilac, que era inspetor de sua escola. Nesse período, a menina já demonstrava todo o seu amor pelos livros e começou a escrever seus primeiros versos.

Em 1917, formou-se na Escola Normal do Rio e começou a lecionar no ano seguinte, na Escola Pública Deodoro, de ensino primário. Seu livro de estreia foi Espectros, em 1919, sob a influência dos poetas que formariam o grupo da revista Festa, de inspiração neossimbolista.

Em 24 de outubro de 1922, casou-se com o pintor, desenhista, ilustrador e artista plástico português Fernando Correia Dias. O casal teve três filhas: Maria Elvira (1923), Maria Mathilde (1924) e Maria Fernanda (1925).

Em 1927, no Rio de Janeiro, circulou a revista Festa, fundada por Tasso da Silveira e Andrade Muricy. A revista modernista tentava revalorizar a linha espiritualista de tradição católica e tinha Cecília Meireles entre seus colaboradores. Dois anos depois, escreveu para O Jornal, também do Rio de Janeiro, e, em 1930, dirigiu seção do Diário de Notícias.

Em 1934, inaugurou a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro e do Brasil, ao dirigir o Centro Infantil. A partir desse ano, lecionou e proferiu conferências em várias universidades do mundo:

1934 – Conferências sobre Literatura Brasileira em Lisboa e Coimbra (Portugal), a convite do governo português;

1935 a 1938 – Professora de Literatura Luso-brasileira e de Técnica e Crítica Literária na Universidade do Distrito Federal (que na época estava sediada no Rio de Janeiro);

1940 – Professora do curso de Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas, em Austin, Estados Unidos, além de participar de conferências sobre literatura, folclore e educação no México;

1953 – Congresso sobre Gandhi, em Goa, na Índia, a convite do primeiro-ministro Jawaharlal Nehru.

Casou-se pela segunda vez com Heitor Grillo, em 1940, pois seu primeiro marido, que sofria de depressão, suicidou-se em 1935.

Após uma vida dedicada à arte, ao conhecimento e a viagens pelo mundo, Cecília Meireles faleceu dia 9 de novembro de 1964, no Rio de Janeiro, vítima de um câncer no estômago, com o qual lutava desde 1962.

Características da literatura de Cecília Meireles

Cecília Meireles iniciou na literatura por meio da “corrente espiritualista” dos poetas do grupo da revista Festa, mas posteriormente afastou-se deles.

Suas obras apresentam as seguintes características principais:

– linguagem que valoriza os símbolos;

– imagens sugestivas com apelos sensoriais;

– musicalidade nos versos;

– uso tanto de versos regulares e brancos, quanto de versos livres;

– literatura intimista, introspectiva, de frequente viagem interior;

– obra com atmosfera de sonho, de fantasia e, ao mesmo tempo, de solidão e padecimento;

– o tempo é personagem central: ele passa, é fugaz, fugidio;

– a vida também é fugaz e a morte é uma presença no horizonte.

Para entender melhor a relação da escritora com a morte, veja este trecho de uma de suas entrevistas:

“Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno que, para outros, constituem aprendizagem dolorosa e, por vezes, cheia de violência. Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade”. (MEIRELES, Cecília. Cecília Meireles – obra poética. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985. p. 58.)

Prêmios e homenagens

1910 – Medalha de Ouro Olavo Bilac, pelo brilhantismo escolar;

1939 – Prêmio de Poesia Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, pelo livro Viagem;

1942 – Sócia honorária do Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro;

1952 – Grau de Oficial da Ordem do Mérito (Chile);

1953 – Sócia honorária do Instituto Vasco da Gama, em Goa, Índia;

1953 – Doutora “honoris causa” pela Universidade de Delhi (Índia);

1962 – Prêmio de Tradução de Obras Teatrais, pela Associação Paulista de Críticos de Arte;

1963 – Prêmio Jabuti de Tradução de Obra Literária, da Câmara Brasileira do Livro, pelo livro Poesia de Israel;

1964 – Prêmio Jabuti de Poesia, da Câmara Brasileira do Livro, pelo livro Solombra;

1964 – É inaugurada a Biblioteca Cecília Meireles em Valparaiso, Chile;

1965 – Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra (prêmio póstumo);

1989 – A cédula de cem cruzados novos é impressa pelo Banco Central com a efígie de Cecília Meireles (homenagem póstuma).

Principais obras de Cecília Meireles

O trabalho literário de Cecília Meireles é vasto, contando com mais de 50 publicações. Dentre elas, destacam-se:

1919 – Espectros 

1923 – Criança, meu amor 

1923 – Nunca mais… e Poemas dos Poemas 

1924 – Criança meu amor… 

1925 – Baladas para El-Rei 

1929 – O Espírito Vitorioso 

1930 – Saudação à menina de Portugal 

1935 – Batuque, Samba e Macumba 

1937 – A Festa das Letras 

1939 – Viagem 

1942 – Vaga Música

1945 – Mar Absoluto 

1945 – Rute e Alberto 

1947 – O jardim 

1949 – Retrato Natural 

1950 – Problemas de Literatura Infantil 

1952 – Amor em Leonoreta 

1953 – Romanceiro da Inconfidência 

1953 – Batuque 

1955 – Pequeno Oratório de Santa Clara 

1955 – Pistoia, Cemitério Militar Brasileiro 

1955 – Panorama Folclórico de Açores 

1956 – Canções 

1957 – Romance de Santa Cecília 

1957 – A Bíblia na Literatura Brasileira 

1957 – A Rosa 

1958 – Obra Poética 

1960 – Metal Rosicler

1961 – Poemas Escritos na Índia

1963 – Poemas de Israel

1963 – Solombra

1964 – Ou Isto ou Aquilo

1964 – Escolha o Seu Sonho

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