Língua Portuguesa, Literatura e Alfabetização

Autor: admin (Page 1 of 86)

Específico x Especifico – tem acento?

Tanto específico, com acento agudo, quanto especifico, sem acento, são palavras que existem na língua portuguesa. Elas, contudo, pertencem a classes gramaticais distintas. Neste artigo, vamos mostrar quando usar cada uma.

Específico

Específico, com acento agudo, é um adjetivo que indica algo particular ou peculiar a um indivíduo, situação ou espécie. É o antônimo de genérico. O vocábulo pode apresentar variação de gênero (masculino e feminino) e de número (singular e plural). Vejamos alguns exemplos de uso desta palavra:

  • Ele tinha uma problema muito específico para resolver.
  • O urso polar é um mamífero que vive em um região específica do planeta: o círculo polar Ártico.
  • Existem doenças que aparecem em grupos específicos da população.

Vale destacar que o termo vem do latim specificus e recebe acento por ser uma palavra proparoxítona. Isso significa que sílaba tônica é a antepenúltima (es-pe--fi-co).

Na língua portuguesa, todas as proparoxítonas são acentuadas: último, máscara, otona, chácara, cara, dico, etc.

O vocábulo também pode funcionar como substantivo. Nesse caso, ele sempre virá acompanhado de um determinante (artigo, numeral ou pronome).

ex: Na hora de dar um feedback, sempre prefira o específico ao genérico.

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Alfabetização de crianças com síndrome de down – estratégias e desafios

Crianças com síndrome de down (SD) podem aprender a ler e escrever. Isso é inquestionável. Mas esse processo deve acontecer no tempo de cada criança. E é este o maior cuidado que se deve ter na fase de sua alfabetização.

Pessoas com down podem ter problemas com audição, habilidades de memória e resolução de problemas, na noção de imagem corporal, de coordenação motora, atenção e orientação espacial e temporal. O próprio Movimento Down reconhece que a criança SD possui algum nível de dificuldade cognitiva, leve, moderada ou severa. Nesse sentido, a melhor forma de começar a alfabetização é identificando suas reais necessidades.

Após uma avaliação individual, o processo exigirá estímulos diários para que as intervenções criem consciência fonológica, trabalhando a vinculação de sons e letras, ensinando os fonemas.

As crianças com down podem ser estimuladas por questões visuais, por meio da combinação de imagens com contação de histórias, músicas, leitura e brincadeiras. O próprio enriquecimento do vocabulário da criança deve acontecer de forma simples, basicamente em conversas, com o cuidado de articular bem e repetir as palavras.

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Último x Ultimo – quando usar cada palavra?

Tanto último, com acento, quanto ultimo, sem acento, são palavras que existem na língua portuguesa. Contudo, elas pertencem a classes gramaticais diferentes. No Neste artigo, vamos mostrar quando utilizar cada uma. Vejamos!

Quando usar “último”?

Último, com acento, é um adjetivo masculino que indica o que vem ou está depois de tudo e de todos. A palavra vem do latim ultimus.

ex: O Poderoso Chefão foi o último filme que assisti este ano.

O termo recebe acento agudo por ser um vocábulo proparoxítono. Isso quer dizer que a sílaba tônica é a antepenúltima (úl-ti-mo).

A palavra também pode ser utilizada como substantivo, como antônimo de “primeiro”.

ex: O último a chegar foi Mariano e o primeiro foi João Batista.

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Alfabetização de crianças com paralisia cerebral – estratégias e desafios

A alfabetização é um desafio de toda criança, mas, sobretudo, é um direito de cada uma delas. Para os diferentes meninos e meninas portadores de paralisia cerebral (PC), o processo ensino-aprendizado também é possível e desejável. Para que tenha sucesso, além de muito respeito às diferenças, só é necessário formular estratégias específicas e disponibilizar recursos adequados.

Assim, reforçam os especialistas, é possível propiciar condições para que o aluno com PC tenha acesso à escrita, por meio de experiências significativas, tornando-o capaz não só de ler e escrever, mas de transcender para o letramento.

A mediação bem-feita desse processo é fundamental para o sucesso dele. As poucas pesquisas realizadas com foco especial na alfabetização de crianças com paralisia cerebral indicam como melhor caminho sempre contar com uma parceria entre a família e a escola, devendo esta ser representada por um grupo de docentes: um professor titular, um professor assistente e outro de Atendimento Educacional Especializado (AEE).

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Kimono ou Quimono – qual a forma correta?

A forma correta de escrever a palavra em português é quimono, com “q”. O termo kimono, com “k”, tem origem japonesa. Neste artigo, vamos fazer uma análise completa desta palavra. Vejamos!

Quimono

O Vocabulário Oficial da Língua Portuguesa (Volp), da Academia Brasileira de Letras, registra somente a palavra quimono. O mesmo acontece com os principais dicionários.

O termo designa o tipo de vestimenta utilizada para prática de artes marciais, como judô, jiu-jítsu, caratê, entre outras. A palavra também pode indicar uma vestimenta feminina que, confeccionada em tecido leve, pode ser usada sobre a roupa.

ex1: Nas competições, os atletas normalmente usam quimonos brancos ou azuis.

ex2: A modelo desfilou com um quimono florido.

ex3: No jiu-jítsu, muitas academias têm seus próprios quimonos.

Um fato interessante é que, no português de Portugal, também existem os termos quimão e quimau.

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Biblioteca comunitária – como criar uma?

Uma biblioteca é um local público ou privado em que se instalam diversas coleções organizadas de livros, revistas, publicações periódicas e materiais tanto gráficos quanto audiovisuais. Essas coleções, uma vez catalogadas, ficam à disposição dos frequentadores para consulta e/ou empréstimo, sob condição de posterior devolução.

De modo geral, o objetivo de uma biblioteca é ser um espaço para estudos, pesquisas, atividades culturais e escolares. No entanto, no Brasil não só há poucas bibliotecas como também boa parte da população ainda não compreende a importância desse tipo de instituição na nossa formação.

Por essa razão, muitos cidadãos se unem a fim de criar uma biblioteca comunitária

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“Acabamento final” é pleonasmo?

Afinal, a expressão “acabamento final” é um pleonasmo vicioso? Neste artigo, vamos responder essa pergunta e também mostrar os tipos de pleonasmos. Confira!

Acabamento final: é ou não pleonasmo?

A resposta é sim, “acabamento final” é um pleonasmo. Isso porque a palavra “acabamento” já indica o fim de algo, logo, adicionar a palavra “final” é totalmente desnecessário. Na verdade, o ideal seria escolher entre “final” ou “acabamento”. Por exemplo:

  • Estamos na fase de acabamento da obra.
  • Estamos na fase final da obra.
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Abaixo-assinado X abaixo assinado – tem hífen?

Afinal, a forma certa é “abaixo-assinado” ou “abaixo assinado”? As duas construções estão corretas, mas se referem a coisas diferentes. Neste artigo, vamos explicar o significado de cada uma. Acompanhe a leitura!

Abaixo-assinado 

O termo “abaixo-assinado”, com hífen, é um substantivo composto masculino que se refere a um documento com diversas assinaturas diferentes, usado por um grupo de pessoas para fazer um protesto ou oposição, expressar um interesse coletivo, realizar um pedido etc.

Sinônimo de requerimento, subscrição e petição, normalmente é destinado a alguma autoridade ou a alguém que tenha poder de decisão sobre o assunto tratado no documento.

O substantivo varia em número, tendo uma forma para o singular e outra forma para o plural (abaixo-assinados), mas não varia em gênero — ou seja, não existe forma feminina da palavra.

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Análise do Discurso – o encontro da linguística com a comunicação

“O diabo está nos detalhes”. A célebre frase faz muito sentido quando se pensa na força que está por trás, ou encoberta, por uma ação discursiva. Afinal, não basta saber usar as palavras, as combinações semânticas de uma língua, para se fazer entender. A destreza gramatical, concentrada nas boas práticas da estrutura das sentenças, não é suficiente para dar conta do discurso. Este é muito mais amplo e geral.

Ceci n’est pas une pipe” ou, em português, “Isto não é um cachimbo”, tem a ver com tudo isso que se chama Análise do Discurso. Para ela, o sujeito que fala e está plenamente inserido em um contexto sociocultural, num dado momento histórico, é que importa.

Ceci n’est pas une pipe. Óleo sobre tela. Rene Magritte. 1929
Ceci n’est pas une pipe. Óleo sobre tela. Rene Magritte. 1929.

Pelo olhar da Análise do Discurso, todo discurso é carregado de ideologia e nem o uso mais rotineiro da linguagem deixa brecha para a neutralidade.

Análise do Discurso e Sistema Linguístico

A Análise do Discurso não desconsidera a relevância do sistema linguístico, mas o vê como um conceito complementar ao processo discursivo. No entanto, para esta corrente de pensamento, o discurso está inserido em um processo intimamente associado à constituição dos sentidos.

Se não, veja: quem você considera mais legítimo para dizer um “não” no seu dia a dia? Pense na quantidade de palavras que mudam de sentido dependendo de quem as emprega, da posição que essa pessoa ocupa na sua vida, de onde ela está e do momento em que as frases são ditas.

A Análise do Discurso lembra que todas estas circunstâncias sócio-históricas diferenciam as falas (e até o silêncio) deste ou daquele sujeito a partir de uma posição ideológica, permitindo construir sentidos muito distintos, segundo cada contexto. A isso chamamos formação discursiva.

Trata-se, portanto, da relação entre a linguagem e a ideologia.

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Lava-louça x Lava louça – tem hífen?

A forma correta é lava-louça, com hífen. Neste artigo, vamos explicar qual regra se aplica a este caso. Vejamos!

Verbo + Substantivo

De acordo com o ponto 1.º da Base XV do Acordo Ortográfico de 1990, os substantivos compostos formados pela união de um verbo e um substantivo devem ser hifenizados. É exatamente o caso de lava-louça, união do verbo lavar com o substantivo feminino louça.

Vejamos outros exemplos que seguem essa mesma regra: guarda-roupa, cata-vento, tapa-olho.

Vale destacar que lava-louça é um vocábulo composto formado por justaposição. Neste processo de formação de palavras, os radicais dos termos não sofrem alteração e mantêm sua grafia original.

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