Língua Portuguesa e Literatura para o Enem

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Oxítonas terminadas com a letra “U”: quando acentuar?

Por que há palavras oxítonas terminadas com a letra “U” que são acentuadas e outras não? Neste artigo, vamos resolver essa questão e mostrar as regras que se aplicam a cada caso. Vejamos!

Oxítonas terminadas com a letra

Regra geral de acentuação das oxítonas

Segundo o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, as palavras oxítonas, aquelas que têm a última sílaba como tônica, são acentuadas sempre que terminarem em A, AS, E, ES, O, OS, EM, ENS. Vejamos alguns exemplos:

  • Crachá;
  • Atrás;
  • Picolé;
  • Inglês;
  • Bocó;
  • Após;
  • Amém;
  • Reféns.

Nesse sentido, a princípio, palavras oxítonas terminadas com a letra “U” não são acentuadas. Vamos conferir alguns casos:

  • Tatu;
  • Paracatu;
  • Caju;
  • Pacaembu;
  • Jambu.

Há, contudo, casos que fogem a essa regra geral. É o que vamos ver agora.

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Emabaçado, embasado e embassado: qual a forma correta?

As palavras embaçado, com “ç”, e embasado, com “s”, estão corretas e existem na Língua Portuguesa. Já o termo embassado, com “ss”, está incorreto. Por isso, não deve ser utilizado.

Neste artigo, vamos mostrar como e quando utilizar cada uma das palavras. Confira!

Emabaçado, embasado e embassado: qual a forma correta?

Quando usar embaçado?

O adjetivo embaçado é formado pelo particípio do verbo embaçar e indica, principalmente, algo sem cor ou brilho, que apresenta certa palidez.

O termo também indica o fênomeno que ocorre no vidro quando a temperatura de um local está maior que a do ambiente externo. O vocábulo pode ainda denominar uma pessoa perplexa ou confusa.

A palavra é escrita com “ç” por ser originada do substantivo baço.

Exemplos com embaçado

  • Durante a chuva, é comum a janela do carro ficar embaçada.
  • O vapor da chaleira tinha embaçado o vidro do tampo do fogão.
  • Aquela explicação confuso deixou o público embaçado.

Embaçado é sinônimo de pálido, fosco, lívido, perplexo, desordenado, embaraçado, pasmo, confuso, baço, abafado, emabaciado, entre outros.

Quando usar embasado?

Embasado é um adjetivo deverivado do verbo embasar. Ambas as palavras nascem do susbtantivo base. Por isso, devem ser escritas com “s”.

Nesse contexto, vale destacar que, pelo fato de a letra “s” estar entre vogais, ela é pronunciada com som de “z”.

O termo indica algo fundamentado ou que possui fundamento, justificativa ou objetivo claro.

Exemplos com embasado

  • Esse trabalho está embasado em sólidas provas científicas.
  • Propostas embasadas têm mais valor do que simples achismos.
  • O parecer foi embasado em estudos técnicos realizados por peritos da Polícia Federal do Brasil.

Embasado é sinônimo de alicerçado, cimentado, fundamentado, apoiado, baseado, entre outros.

Parônimos

Os parônimos são pares de palavras quase idênticas, com leves diferenças no som e na grafia, mas que possuem significados distintos.

Nesse sentido, pode-se dizer que os termos embaçado e embasado são considerados parônimos.

Resumo

Para finalizar este artigo, preparamos um quadro resumo das palavras analisadas:

TermoOrigemSignificado
Embaçado Originado do substantivo “baço”. Por isso, escrito com “ç”.Algo fosco, pálido, sem cor. Sujeito confuso.
EmbasadoOriginado do substantivo “base”. Por isso, escrito com “s”.Algo fundamentado, baseado em evidências.
EmbassadoNão existe

Qual a justificativa para o acento de “veículo”?

O acento agudo da palavra “veículo” causa muita dúvida. Afinal, ele se justifica por pela regra dos hiatos ou pela regra das proparoxítonas? Neste artigo, vamos resolver essa questão. Confira!

Acordo Ortográfico

A Base X do Acordo Ortográfico estabelece a regra de acentuação conhecida como regra dos hiatos.

Ela prediz que devem ser acentuadas “as vogais tónicas/tônicas grafadas ‘i’ e ‘u’ das palavras oxítonas e paroxítonas levam acento agudo quando antecedidas de uma vogal com que não formam ditongo e desde que não constituam sílaba com a eventual consoante seguinte, excetuando o caso de ‘s'”.

Nesse sentido, é importante notar que a Reforma Ortográfica especificou que a regra dos hiatos vale somente para oxítonas e paroxítonas.

Dessa forma, o acento da palavra “veículo” só pode ser justificado pela regra que diz que todas as proparoxítonas devem ser acentuadas.

Exemplo de questão

Para exemplificar como esse conhecimento pode ser cobrado em provas, vejamos um exemplo de questão:

  • Avalie se a afirmativa abaixo está certa ou errada:

O acento gráfico das palavras “veículo” e “íngreme” pode ser justificado por duas regras de acentuação distintas.

Resposta: Errado. Ambos os termos são acentuados por serem proparoxítonos. Nesse sentido, há somente uma regra que justifica o uso do acento agudo.

Veículo x Veiculo

Por fim, vale pontuar que, enquanto a palavra veículo é proparoxítona, a palavra veiculo é paroxítona. Dessa forma, somente a primeira deve ser acentuada.

O vocábulo veículo é um substantivo masculino que é sinônimo de carro, avião, barco, etc. Já o termo veiculo é a conjugação do verbo veicular na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo.

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Pressa, Preça e Presa: quando usar cada palavra?

As palavras pressa, com “ss”, preça, com “ç”, e presa, com “s”, existem na Língua Portuguesa. Porém, elas têm usos distintos. Neste artigo, vamos mostrar como e quando utilizar cada termo. Confira!

Pressa, preça e presa: quando usar cada termo?

Quando usar “pressa”?

Pressa é um substantivo feminino que indica falta de calma ou de paciência ou necessidade de fazer algo com agilidade e rapidez.

A palavra vem do latim pressus e é sinônima de afobação, precipitação, urgência, celeridade e correria.

O termo, no plural, pode também compor a locução adverbial de modo “às pressas“. Nesse sentido, observe que, por estarmos diante de uma locução com núcleo feminino, devemos utilizar o acento grave indicativo de crase.

Exemplos com “pressa”

  • A pressa é iminiga da perfeição.
  • Maria saiu às pressas para escola, porque seu despertador não tocou na hora certa.
  • Ando devagar, porque já tive pressa. Levo esse sorriso, porque já chorei demais.
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Mega-sena ou Megassena: qual a forma correta?

Apesar de ir contra as autais regras da língua portugesa, a forma correta é “mega-sena”, com hífen. Neste artigo, vamos explicar por que “megassena” não está correto. Confira!

Mega-sena ou megassena: qual a forma correta?

Acordo Ortográfico

A Reforma Ortográfica definiu que, em palavras compostas, se o primeiro elemento terminar com vogal e o segundo elemento iniciar com “s”, devemos escrevê-las sem hífen e dobrar essa consoante.

Para entender melhor, vamos ver alguns exemplos:

  • Antissocial;
  • Autossuficiente;
  • Megassistema;
  • Ultrassom.

Opa! Mas por essas regras a forma correta não seria “megassena”? Sim, seria. Contudo, há uma questão temporal que influenciou a grafia da palavra. Vejamos!

Mega-Sena: por que tem hífen?

O nome Mega-Sena foi criado pela Caixa Econômica Federal (CEF) no ano de 1996, ou seja, antes da entrada em vigor do Novo Acordo Ortográfico.

Com o passar do tempo, ela se tornou a maior modalidade lotérica do Brasil. Por essa razão, a Caixa decidiu não alterar a grafia da palavra, pois a marca ficou muito conhecida em todo o país.

Vale dizer que, por ser um substantivo próprio, que dá nome a um determinado produto, não há obrigatoriedade de que o termo siga à risca as regras ortográficas vigentes.

Portanto, para resumir, o hífen na expressão Mega-Sena deve-se mais a uma decisão institucional do que linguística.

O que é a Mega-Sena?

Trata-se de uma modalidade de loteria que consiste na escolha de seis números (daí o nome “sena”). Apesar de as maiores quantias serem pagas aos que acertam todos os números, também são distribuídos prêmios para quem acerta quatro (quadra) ou cinco (quina) números.

Para quem faz apenas um jogo, a chance de acertar todos os números, segundo a Caixa Econômica Federal é de 1 em 50.063.860. À medida que aumenta a quantidade de jogos, essas chances também se apliam.

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Transitividade verbal: o que é, direta, indireta e outras

A transitividade verbal indica a relação do verbo transitivo com os seus complementos. Isso porque, quando o verbo transitivo está sozinho, ele não possui um sentido completo, necessitando da transição para um determinado elemento que o complemente. 

Neste artigo, você vai aprender a diferenciar os conceitos de verbo é transitivo direto, indireto, bitransitivo e intransitivo por meio de exemplos. Acompanhe a leitura e tire todas as suas dúvidas sobre o assunto!

Transitividade verbal: guia completo com exercícios comentados.

O que é transitividade verbal?

Como dito anteriormente, a transitividade verbal é a ligação que um verbo transitivo tem com o seu objeto. Em outras palavras, trata-se da forma como um verbo é regido para ter conexão com o seu complemento. 

Para você entender melhor, acompanhe o exemplo a seguir:

  • A Luísa não quer.

Ao ler a frase acima, não é possível entender o que a Luísa não quer. Isso porque o verbo “querer” necessita de um complemento, ou seja, de um objeto para ganhar sentido. Logo, ele é um verbo transitivo. Veja um novo exemplo:

  • A Luísa não quer pão.

Agora, a oração está completa e conseguimos entender o seu contexto. Melhor dizendo, o verbo transitivo apresenta o seu objeto, o “pão”. Assim, para identificar a transitividade verbal, é necessário entender que ela está associada a uma transmissão do sentido de ação do verbo com o seu objeto. 

Além disso, conforme o tipo de complemento, a classificação dos verbos também muda, podendo ser:

  • verbo transitivo direto (VTD);
  • verbo transitivo indireto (VTI);
  • verbo transitivo direto e indireto (VTDI);
  • verbo intransitivo (VI).

No tópico abaixo, falaremos sobre cada uma delas em detalhes. 

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Habituar-se a x Habituar-se com: qual a forma correta?

A forma correta é “habituar-se a“. A construção “habituar-se com” está errada e não deve ser utilizada. Neste artigo, vamos explicar as razões. Confira!

Habituar-se a x Habituar-se com: qual a forma correta?

Gramática normativa

De acordo com José Carlos de Azeredo, na “Gramática Houaiss”, o verbo habituar-se, no sentido de acostumar-se, exige o uso da preposição “a”. Vejamos alguns exmeplos:

  • Apesar de morar na cidade há mais de 10 anos, Giovane ainda não se habituou ao frio de Porto Alegre. (CORRETO)
  • Apesar de morar na cidade há mais de 10 anos, Giovane ainda não se habituou com frio de Porto Alegre. (ERRADO)
  • Para resolver questões complexas é preciso se habituar à linguagem matemática. (CORRETO)
  • Para resolver questões complexas é preciso se habituar com a linguagem matemática. (ERRADO)
  • Eu ainda não me habituei à nova rotina. (CORRETO)
  • Eu ainda não me habituei com a nova rotina. (ERRADO)
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Tem vírgula na expressão “entendedores entenderão”?

Não devemos utilizar a vírgula na expressão “entendedores entenderão”. Neste artigo, vamos explicar o motivo do não uso do sinal de pontuação. Confira!

Sujeito e predicado

De acordo com os gramáticos Celso Cunha e Lindley Cintra, a vírgula não deve ser usada para separar sujeito e predicado, porque esses elementos são, em regra, inseparáveis na estrutura da oração.

É o que acontece na frase “entendedores entenderão”. Nela o termo “entendedores” funcionam como sujeito da forma verbal “entenderão”. Assim, esses vocábulos não podem ser separados com sinais de pontuação.

Qual o significado da expressão “entendedores entenderão”?

A expressão é utilizada usualmente na internet para dizer que só quem conhece determinado assunto – ou é muito esperto – vai compreender determinado tópico.

Vale ressaltar, porém, que se trata de uma construção coloquial, que não deve ser utilizada em textos que demandam mais formalidade, como redações de vestibulares, e-mails corporativos, memorandos, etc.

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Trovadorismo – o que é, autores, obras e contexto histórico

Marcado pela produção de cantigas líricas, o Trovadorismo é considerado o primeiro movimento literário europeu. Suas produções são um composto de música e poesia, com cantigas divididas em temas que falam de amor, amizade, zombaria e depreciação. 

Esse movimento literário e poético ocorreu somente na Europa, especialmente na França, Espanha e Portugal, e registrou escritos entre os séculos XI e XIV. Para saber seu conceito e características, continue a leitura deste artigo. 

Trovadorismo: característica do movimento literário

Qual o conceito do Trovadorismo?

O conceito do Trovadorismo teve origem no Sudeste da Europa, durante a Idade Média, a  partir do termo “trovador”, o qual significa: “cantor e compositor de cantigas”. 

As cantigas, principais produções literárias da Península Ibérica, eram cantadas com o auxílio de instrumentos musicais. Assim, claramente, se espelhavam na poesia lírica grega, tornando-se a base desse movimento. 

Confira no vídeo abaixo a declamação de uma cantiga do tempo do Trovadorismo:

Contexto histórico do Trovadorismo

Como dito anteriormente, o Trovadorismo iniciou-se na Idade Média, por volta dos séculos XI e XII. Nesse período, os países europeus estavam em formação e a sociedade medieval estava fragmentada entre clero, nobreza e povo. Além disso, a maior parte das nações tinha o Feudalismo como abordagem vigente, e a Igreja Católica como denominação religiosa.

Nesse cenário, o teocentrismo prevalecia. Assim, entendia-se Deus como centro do mundo e o homem como personagem secundário submetido aos valores cristãos. Nesse sentido, era a igreja que ditava os valores e influenciava no pensamento e comportamento humano.  Inclusive, somente os fiéis tinham acesso à educação. 

A Europa se mantinha em uma guerra entre os cristãos e os muçulmanos e o Tribunal do Santo Ofício tinha a tortura e à fogueira como prática aos que não seguiam a igreja.

Quais as características do Trovadorismo?

As características do Trovadorismo são:

  • conexão da música com a poesia;
  • recitais acompanhados de instrumentos musicais;
  • produção de cantigas líricas ou satíricas;
  • temas de amor, amizade, zombaria e depreciação;
  • escritos com referências de submissão e fidelidade amorosa;
  • produção de textos em prosa.

Cantigas do Trovadorismo

As cantigas do Trovadorismo podem ser divididas em líricas e satíricas. Veja abaixo, alguns exemplos. 

Cantigas líricas

No grupo das cantigas líricas, há temas de amor e amizade. Ambos possuem a manifestação de sentimento do sujeito lírico como característica principal. No entanto, há algumas diferenças nas cantigas de amor e amigo. Observe:

Cantigas de amor

  • o eu lírico é sempre masculino;
  • o trovador fala sobre o amor não correspondido;
  • a mulher é tratada como superior, por meio de adjetivos como “senhora” ou “dama”;
  • a maioria das cantigas apresenta refrão;
  • o trovador está sempre enlouquecido por amor;
  • a mulher é vista como figura idealizada;
  • as poesias são compostas em redondilha maior (possuem 7 sílabas poéticas).
Exemplo de cantiga de amor do Trovadorismo
Fonte da imagem

Cantigas de amigo

  • o eu lírico é sempre feminino;
  • o trovador é um homem que cria um eu lírico feminino;
  • o tema é a relação amorosa entre duas pessoas do campo;
  • a mulher fala sobre sentir saudades em decorrência da ausência do homem (namorado ou amante);
  • todas as cantigas apresentam refrão;
  • o cenário é sempre um ambiente do campo;
  • além da mulher e seu amigo, outras pessoas podem aparecer nos versos;
  • as poesias são compostas em redondilha menor (possuem 5 sílabas poéticas).
Exemplo de cantiga de amigo doi Trovadorismo
Fonte da imagem

Cantigas satíricas

As cantigas satíricas, por sua vez, trazem um tom de crítica social. Criadas por trovadores que não pertenciam à nobreza e até mesmo por membros da igreja. Os versos zombavam das regras do tempo. 

No entanto, embora muito semelhantes, as cantigas satíricas eram divididas também em dois grupos: temas de escárnio e de maldizer. Conheça abaixo as diferenças sutis entre elas:

Cantigas de escárnio

  • diversas críticas ao comportamento social;
  • termos de duplo sentido;
  • presença de trocadilhos e ironias;
  • textos sem palavrões;
  • não há menção a pessoa ofendida.
Exemplo de cantiga satírica do Trovadorismo
Fonte da imagem

Cantigas de maldizer 

  • críticas feitas a pessoas identificadas;
  • termos de duplo sentido;
  • presença de linguagem ofensiva e palavrões.
Exemplo de cantiga de maldizer do Trovadorismo
Fonte da imagem

Trovadorismo em Portugal

O Trovadorismo em Portugal teve destaque nos séculos XII e XIII, declinando no século XIV. Assim, o movimento se iniciou com a obra “Cantiga da Ribeirinha” do trovador Paio Soares de Taveirós, escrita para Maria Pais Ribeiro. 

É válido dizer que a literatura portuguesa do século XII não dispunha de nenhuma identidade nacional. Isso porque o território era parte do Condado Portucalense e Galícia. Foi D. Afonso I Henriques quem transformou tais condados em um reinado, embora só tenha sido reconhecido como monarca após reconquistar essas terras posteriormente.

Devido a este fato, a identidade dos trovadores era ibérica e hispânica, e não portuguesa. Somente no final do século XII que Dom Dinis I, rei trovador, estabeleceu a língua galego-portuguesa como oficial. O movimento foi essencial para o idioma e a cultura do lugar. 

Principais autores do trovadorismo em Portugal

Além de Paio Soares de Taveirós, primeiro trovador, e D. Dinis, grande impulsionador do movimento, com 140 cantigas líricas e satíricas, houve outros trovadores em Portugal, dentre eles:

  • João Soares Paiva;
  • João Garcia de Guilhade;
  • Martim Codax;
  • Aires Teles;
  • Afonso Sanches;
  • Ricardo Coração de Leão.

As cantigas do Trovadorismo podem ser encontradas em compilações denominadas de “Cancioneiros”. 

Questão sobre Trovadorismo

Para fechar o artigo, vamos ver como esse movimento é cobrado em provas de vestibulares. Para isso, vamos analisar uma questão da Universidade Estadual de Goiás:

Leia os textos a seguir e responda a questão:

Senhora, que bem pareceis!
Se de mim vos recordásseis
que do mal que me fazeis
me fizésseis correção,
quem dera, senhora, então
que eu vos visse e agradasse.

Ó formosura sem falha
que nunca um homem viu tanto
para o meu mal e meu quebranto!
Senhora, que Deus vos valha!
Por quanto tenho penado
seja eu recompensado
vendo-vos só um instante.

De vossa grande beleza
da qual esperei um dia
grande bem e alegria,
só me vem mal e tristeza.
Sendo-me a mágoa sobeja,
deixai que ao menos vos veja
no ano, o espaço de um dia.

Rei D. Dinis

CORREIA, Natália. Cantares dos trovadores
galego-portugueses. Seleção, introdução, notas e
adaptação de Natália Correia. 2. ed. Lisboa: Estampa, 1978.
p. 253.

Quem te viu, quem te vê

Você era a mais bonita das cabrochas dessa ala
Você era a favorita onde eu era mestre-sala
Hoje a gente nem se fala, mas a festa continua
Suas noites são de gala, nosso samba ainda é na rua
Hoje o samba saiu procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais a esquece não pode reconhecer
[…]

Chico Buarque

A cantiga do rei D. Dinis, adaptada por Natália Correia, e a canção de Chico Buarque de Holanda expressam a seguinte característica trovadoresca:

a) a vassalagem do trovador diante da mulher amada que se encontra distante.
b) a idealização da mulher como símbolo de um amor profundo e universal.
c) a personificação do samba como um ser que busca a plenitude amorosa.
d) a possibilidade de realização afetiva do trovador em razão de estar próximo da pessoa amada.

Resposta: Letra A. Como vimos no artigo, uma das principais características do Trovadorismo eram os escritos com referências de submissão e fidelidade amorosa. É exatamente o que vemos no dois textos, um homem se colocando como vassalo de sua amada.

*

Gostou do artigo? Então, continue seus estudos com o nosso Guia da Literatura.

Artigo de opinião: características e questões sobre esse gênero textual

O artigo de opinião é um gênero argumentativo, muito encontrado em jornais, revistas e blogs. Normalmente, o autor desse tipo de texto é um jornalista ou uma figura pública com autoridade no assunto abordado. No entanto, alguns vestibulares também solicitam a produção desse gênero textual. 

Esse tipo de texto tem o objetivo de apresentar um determinado ponto de vista a respeito de algum assunto relevante. Em outras palavras, o artigo de opinião é motivado geralmente por um acontecimento ou notícia atual de interesse da sociedade. 

Assim, o autor do texto se baseia na discussão, validando a sua opinião por meio de um artigo, com teor subjetivo. Continue a leitura, para saber mais sobre esse assunto. 

Artigo de opinião: estrutura do gênero textual e questões do Enem

O que é um artigo de opinião?

Como dissemos anteriormente, o artigo de opinião é um texto que defende determinado ponto de vista, por intermédio da argumentação. Normalmente publicado em veículos informativos digitais ou impressos, o gênero aborda temas de interesse social. 

Entretanto, por se tratar de uma opinião pessoal do autor, nem sempre o texto reflete o ponto de vista do veículo que o publicou. Inclusive, o maior objetivo é, exatamente, provocar um debate sobre um tema específico. 

Assim, também chamado de articulista, o autor deve usar recursos argumentativos que visam persuadir e convencer o leitor sobre as suas convicções. Contudo, para isso, também é válido apostar na inserção de dados e informações que justifiquem a sua concepção sobre o assunto.  

Quais são as características do artigo de opinião?

Por se tratar de um texto de gênero argumentativo e jornalístico, o artigo de opinião apresenta as seguintes características:

  • uso de linguagem acessível a todos;
  • voz ativa;
  • escrita leve e coerente;
  • linguagem argumentativa e subjetiva;
  • ausência de gírias e palavrões;
  • períodos curtos;
  • argumentação persuasiva com base em evidências;
  • temas atuais e de relevância social;
  • títulos provocativos;
  • escrita em 1ª ou 3ª pessoa;
  • assinatura do autor. 

Qual a estrutura do artigo de opinião?

A estrutura do artigo de opinião é feita da seguinte maneira:

  • título;
  • introdução;
  • desenvolvimento;
  • conclusão.

Essa é a estrutura padrão dos textos dissertativo-argumentativos. Nesse sentido, para escrever um artigo de opinião é preciso respeitar essa lógica, expondo os argumentos e fornecendo dados para convencer o leitor sobre a opinião acerca do assunto. 

Exemplo de artigo de opinião

Vamos conferir agora um exemplo de artigo de opinião com a estrutura acima.  Vejamos primeiro a estrutura da introdução do texto.

Introdução

Exemplo de introdução de artigo de opinião

Na imagem acima, é possível notar que há um título: “De olho nos falsos médicos”, e que o autor fez uma breve introdução apresentando o assunto abordado. Além disso, ele também inseriu dados que comprovam o fato, ao citar o número de denúncias feito ao Cremers – Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul. 

Nem todos os artigos de opinião possuem apenas um parágrafo de introdução ao tema. No entanto, em caso de redações para vestibulares essa é a melhor maneira de respeitar o limite de linhas. 

Desenvolvimento

Pois bem, vamos analisar agora o desenvolvimento do texto:

Exemplo de desenvolvimento de artigo de opinião

No desenvolvimento do texto, encontramos a argumentação que defende o ponto de vista de que há médicos falsos exercendo a medicina. O autor em questão, usou dois parágrafos.  O primeiro apresentava a fundamentação e o segundo, a análise do fundamento. 

Em outras palavras, no primeiro ele apresentou um fato: “uma mulher foi presa em flagrante, com um diploma falso”, informação essa que embasa a sua opinião. Já no segundo parágrafo, ele faz uma análise mais profunda dos dados, ao dizer que: “foram identificados mais nove diplomas falsos da mesma universidade”. Ou seja, ele fundamenta a tese que defende sobre a atuação de falsos médicos. 

É importante destacar que todas as informações usadas são verídicas. Isso significa que ele utilizou dados reais para comprovar a sua teoria. Isso é fundamental e, do contrário, o texto não teria relevância alguma. 

Conclusão

Agora, vamos observar a conclusão:

Exemplo de conclusão de artigo de opinião

O ideal é que a conclusão de um artigo de opinião apresente um resumo do desenvolvimento e renove o ponto de vista do autor. Assim, é perceptível que o criador do texto acima, repetiu os argumentos e reteve a sua opinião: “Não podemos, de forma alguma, permitir que pessoas não capacitadas lidem com vidas humanas”.

Como fazer um artigo de opinião?

Como visto no exemplo acima, para fazer um artigo de opinião, é preciso:

  • definir o tema a ser abordado (no caso dos vestibulares, o tema é previamente definido);
  • buscar por referências que comprovem a sua tese;
  • usar um título provocativo e/ou polêmico;
  • contextualizar o tema na introdução e suas perspectivas já na introdução;
  • construir suas argumentações no desenvolvimento, de forma organizada, persuadindo o leitor;
  • resumir o tema, reiterando o seu ponto de vista na conclusão, apontando caminhos para a solução dos problemas ou deixando uma reflexão final. 

Questões do Enem sobre artigo de opinião

O Enem costuma cobrar o conhecimento sobre o gênero artigo de opinião de forma mais indireta. Em geral, as questões pedem, principalmente, que você identifique a tese que o autor do artigo está defendendo e também seus principais argumentos. Vejamos alguns exemplos.

Exemplo de questão 1

Devagar, devagarinho

Desacelerar é preciso. Acelerar não é  preciso. Afobados e voltados para o próprio umbigo, operamos, automatizados, falas robóticas e silêncios glaciais. Ilustra bem esse estado de espírito a música Sinal fechado (1969), de Paulinho de Viola. Trata-se da história de dois sujeitos que se encontram inesperadamente em um sinal de trânsito. A conversa entre ambos, porém, se deu rápida e rasteira. Logo, os personagens se despedem, com a promessa de se verem em outra oportunidade. Percebe-se um registro de comunicação vazia e superficial, cuja tônica foi o contato ligeiro e superficial construído pelos interlocutores: “Olá, como vai? / Estou indo, e você, tudo bem? / Tudo bem, eu vou indo correndo, / pegar meu lugar no futuro. E você? / Quanto tempo… / Pois é, quanto tempo… / Me perdoe a pressa / é a alma dos nossos negócios… / Oh! Não tem de quê. / Eu também só ando a cem”.

O culto à velocidade, no contexto apresentado, se coloca como fruto de um imediatismo processual que celebra o alcance dos fins sem dimensionar a qualidade dos meios necessários para atingir determinado propósito. Tal conjuntura favorece a lei do menor esforço – a comodidade – e prejudica a lei do maior esforço – a dignidade.
Como modelo alternativo à cultura fast, temos o movimento slow life, cujo propósito, resumidamente, é conscientizar as pessoas de que a pressa é inimiga da perfeição e do prazer, buscando assim reeducar seus sentidos para desfrutar melhor os sabores da vida.

SILVA, M. F. L. Boletim UFMG, n. 1 749, set. 2011 (adaptado).

Nesse artigo de opinião, a apresentação da letras da canção Sinal Fechado é uma estratégia argumentativa que visa sensibilizar o leitor porque

a) adverte sobre os riscos que o ritmo acelerado da vida oferece.

b) exemplifica o fato criticado no texto com uma situação concreta.

c) contrapõe situações de aceleração e de serenidade na vida das pessoas.

d) questiona o clichê sobre a rapidez e a aceleração da vida moderna

e) apresenta soluções para a cultura da correria que as pessoas vivenciam hoje.

Resposta: Letra B. Note que a questão pediu para identificar a estratégia argumentativa por traz do uso de determinado trecho no artigo de opinião.

Nele o autor utilizou a canção para expressar um exemplo concreto da tese que ele está defendendo, que é a de que a sociedade vive atualmente de forma desnecessariamente acelarada. A letra de Paulinho da Viola nesse sentido retrata um desses diálogos vazios causados pelo excesso de pressa.

(Enem 2020 / 2ª Aplicação)

Questão – Enem 2021 – Prova Azul

Resposta: Letra B. Note que, neste artigo de opinião, o autor defende a tese de que vivemos em uma sociedade desnecessariamente acelerada. Isso traz diversas consequências, como, por exemplo, a superficialidade das interações cotidianas.

Nesse sentido, a letra da música de Paulinho da Viola apresenta um exemplo concreto desses diálogos vazios que caracterizam os tempos modernos.

Exemplo de questão 2

Novas tecnologias

Atualmente, prevalece na mídia um discurso de exaltação das novas tecnologias, principalmente aquelas ligadas às atividades de telecomunicações. Expressões frequentes como “o futuro já chegou”, “maravilhas tecnológicas” e “conexão total com o mundo” “fetichi – zam” novos produtos, transformando-os em objetos do desejo, de consumo obrigatório. Por esse motivo carregamos hoje nos bolsos, bolsas e mochilas o “futuro” tão festejado.

Todavia, não podemos reduzir-nos a meras vítimas de um aparelho midiático perverso, ou de um aparelho capitalista controlador. Há perversão, certamente, e controle, sem sombra de dúvida. Entretanto, desenvolvemos uma relação simbiótica de dependência mútua com os veículos de comunicação, que se estreita a cada imagem compartilhada e a cada dossiê pessoal transformado em objeto público de entretenimento.

Não mais como aqueles acorrentados na caverna de Platão, somos livres para nos aprisionar, por espontânea vontade, a esta relação sadomasoquista com as estruturas midiáticas, na qual tanto controlamos quanto somos controlados.

SAMPAIO A. S. A microfísica do espetáculo. Disponível em: http://observatoriodaimprensa.com.br. Acesso em: 1 mar 2013 (adaptado).

Ao escrever um artigo de opinião, o produtor precisa criar uma base de orientação linguística que permita alcançar os leitores e convencê-los com relação ao ponto de vista defendido. Diante disso, nesse texto, a escolha das formas verbais em destaque objetiva

a) criar relação de subordinação entre leitor e autor, já que ambos usam as novas tecnologias.

b) enfatizar a probabilidade de que toda população brasileira esteja aprisionada às novas tecnologias.

c) indicar, de forma clara, o ponto de vista de que hoje as pessoas são controladas pelas novas tecnologias.

d) tornar o leitor copartícipe do ponto de vista de que ele manipula as novas tecnologias e por elas é manipulado.

e) demonstrar ao leitor sua parcela de responsabilidade por deixar que as novas tecnologias controlem as pessoas.

Enem 2013

Reposta: Letra D. Ao usar a 1ª pessoa do plural, o autor usa a estratégia argumentativa de incluir o leitor como parte constituinte da tese que ele defende no seu artigo de opinião.

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