Uma redação nota mil no Enem tornou-se o sonho de muitos jovens brasileiros nos últimos anos. No entanto, apesar de não ser algo impossível, é um feito que depende de uma série de fatores para ocorrer (é uma mistura de competência, conhecimento prévio do tema e um pouco de sorte).

Uma mistura que nao acontece todo dia. Por isso que menos de 0,005% dos estudantes que fazem o exame alcançam a nota máxima na redação.

Esse cenário, contudo, fica muito mais favorável quando olhamos estudantes que tiraram notas acima de 900 pontos. Segundo dados do Inep (organizador da prova), aproximadamente 10% das pessoas que fazem o Enem conseguem alcançar esse resultado. E essa pontuação já é um baita diferencial e garante vaga na maior parte dos cursos das melhores universidades públicas do país.

E se, por um lado, tirar a nota mil não depende somente dos seus estudos, tirar 900 é algo que está ao alcance de qualquer estudante dedicado que domine as técnicas corretas e entenda a estrutura da redação.

Para escrever uma boa redação dissertativa-argumentativa, fique ciente de que a banca do Enem possui regras bem específicas e de que você deve conhecê-las para não perder ponto à toa.

Portanto, veja a seguir como você será avaliado e as principais dicas que o Clube separou para você garantir pelo menos 900 pontos na redação do Enem!

Sumário

Como a redação aparece no Enem?

Para começar, vamos entender como a redação aparece no Enem.

Em regra, a redação está no caderno do primeiro domingo do Exame, junto com as provas de Ciências Humanas (45 questões de geografia, história, filosofia e sociologia) e de Linguagens e Códigos (mais 45 questões de língua portuguesa, literatura e língua estrangeira).

Para responder às 90 questões e escrever a redação de 30 linhas, o candidato tem 5h30.

O comando da redação está logo após as questões de Linguagens e Códigos. Já a folha de rascunho está na última página do caderno de provas.

Em geral, o tema da redação virá junto com quatro textos motivadores, que podem ter diferentes formatos (infográfico, resenha, crônica, notícia, etc.). Veja um exemplo na imagem abaixo:

Exemplo de comando da Redação do Enem.

Como você viu, a redação não será sua única missão no primeiro dia de prova. Por isso, é imprescindível ter uma boa preparação para fazer uma gestão inteligente do seu tempo.

Como estudar para a redação do Enem?

Não se engane! Para conseguir garantir pelo menos 900 pontos na redação do Enem, você vai precisar se preparar para essa importante parte da prova. Por isso, listamos abaixo 5 dicas para estudar para a redação:

1) Domine a estrutura básica do texto dissertativo-argumentativo

Nós vamos detalhar melhor esse tópico abaixo, mas vale pontuar aqui que a tipologia textual da redação do Enem é o texto dissertativo-argumentativo, que se divide, basicamente, em três etapas:

  • apresentar sua opinião sobre o tema (tese);
  • defender seu ponto de vista com argumentos;
  • concluir com uma proposta de intervenção.

2) Fique por dentro das atualidades

Apesar de muitos estudantes ficarem apreensivos com o tema da redação do Enem, é importante entender que a prova é feita de forma que um estudante de ensino médio consiga resolvê-la.

Assim, o tema proposto estará dentro do campo de conhecimento do aluno. Então, você não precia gastar seu tempo tentando adivinhar o assunto. Basta se manter por dentro das atualidades e ter um repertório cultural que te permita contextualizar esses tópicos.

3) Inclua a redação no seu plano de estudos

O grande filósofo grego Aristóteles dizia que“ nós somos o que repetidamente fazemos. Excelência, então, não é um ato, mas um hábito.”

Trazendo esse pensamento para o contexto do Enem, você só vai escrever melhor se escrever sempre, repetidamente, até que se torne um hábito.

Por isso, para se diferenciar dos concorrentes e estar no seleto grupo que vai tirar mais de 900, é fundamental você produzir redações periodicamente. Sua nota vai ser reflexo da sua prática.

Nesse sentido, reserve um dia fixo na sua semana para escrever um texto. Isso vai te ajudar de diversas maneiras. Primeiro, vai te manter atualizado sobre os principais temas. Segundo, vai te permitir criar uma estrutura de redação, o que vai te ajudar muito a não ficar travado na hora da prova.

Por fim, você vai conseguir simular as condições dia da prova e calcular o tempo que leva para escrever.

4) Peça para alguém corrigir seus textos

Ter um mentor que possa ler e corrigir seus textos é fundamental. Pode ser um professor, um amigo ou um parente de confiança. Isso vai permitir que você identifique seus principais pontos de melhoria.

Ademais, essa pessoa também vai agregar um novo ponto de vista sobre suas redações, o que ajudará a enriquecer seu repertório cultural.

5) Mapeie seus principais erros ortográficos e gramaticais

A partir da correção dos seus textos, crie um glossário com as palavras que você mais erra e também identifique sinônimos para elas.

Sistematize também as regras gramaticais que mais geram erros nos seus textos. Crie mapas mentais ou resumos sobre esses tópicos para te ajudar a fixar as normativas.

Outro ponto fundamental no estudo para a redação é compreender bem as comeptências que serão avaliadas. Vejamos!

Como a redação do Enem é corrigida?

Afinal de contas, como a sua redação é corrigida? De onde vem a nota final? Vamos entender melhor agora.

Primeiramente, sua redação é digitalizada e enviada aleatoriamente para dois corretores de diferentes partes do país, que estão cadastrados no banco de dados do Inep.

Essas duas pessoas, que devem ser formadas em Letras ou Linguística, vão ler o seu texto, sem saber que você é, e vão atribuir uma nota. Se essa nota for muito discrepante (uma deu 700 e a outra 900), sua redação será enviada para um terceiro corretor. Se, ainda assim, a discrepância persistir, seu texto será avaliado por uma banca de correação composta por três professores.

Mas o que é considerado uma discrepância? Isso acontece quando as notas do avaliadores:

  • tiverem uma diferença de mais de 100 pontos no total;
  • apresentarem uma diferença superior a 80 pontos em alguma das competências.

A nota final da sua redação é a média simples das notas atribuídas por esses corretores. Vale dizer ainda que essa nota sai junto com o resultado das outras provas do Enem.

Além disso, o espelho, que indica a pontuação em cada uma das competências e tem a cópia digitalizada da sua redação, é liberado um pouco depois. Esse documento é fundamental para quem quer entrar com recurso contra a banca examinadora.

A avaliação do corretor será toda feita com base nas cinco competências listadas no manual do candidato. Vejamos quais são elas!

Conheça as cinco competências da redação do Enem 

As competências do Enem são os critérios que norteiam a avaliação da sua redação pela banca examinadora. Cada competência vale 200 pontos, totalizando mil pontos ao final.

A pontuação de cada competência está dividida em seis faixas de notas:

  • 200 pontos (cumpriu todos os critérios)
  • 160 pontos (cumpriu quase todos os critérios, com poucas inadequações)
  • 120 pontos (cumpriu parte dos critérios, de forma mediana)
  • 80 pontos (cumpriu parte dos critérios. mas de forma insuficiente)
  • 40 pontos (descumpriu quase todos os critérios)
  • 0 ponto (descumpriu todos os critérios)

Isso significa que, na melhor das hipóteses, para tirar uma nota acima de 900, você vai precisar alcançar 200 pontos em pelo menos 3 competências.

Para te ajudar nessa missão, vamos te explicar, de forma esquematizada, cada uma das competências e mostrar tudo que você precisa fazer para garantir o máximo de pontos possível.

Competência I: Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa

A primeira competência da Matriz de Referência do Enem avalia o domínio que o candidato possui da norma culta da Língua Portuguesa. Na prática, o que a banca espera do candidato é um léxico variado, respeito à ortografia e boas estruturas sintáticas, a fim de garantir uma leitura fluida e clara.

Contudo, é importante não confundir léxico variado, que é um amplo conhecimento e emprego de palavras, com preciosismo linguístico!

O preciosismo é um vício de linguagem que consiste no uso excessivo de palavras rebuscadas e não usuais, o famoso “falar difícil”. Muitos pensam que isso automaticamente passa certa credibilidade e demonstra domínio da língua, enquanto, na verdade, esses vocábulos afastam a clareza e a inteligibilidade imediata do leitor.

Portanto, evite correr riscos e aposte numa linguagem simples, porém correta. Afinal, o que se espera do estudante é o domínio da linguagem padrão, aquela que encontramos em jornais, sites e revistas de referência.

No mais, preocupe-se principalmente com a forma como seus períodos são construídos, certificando-se de que eles estão completos e contribuem para a fluidez da leitura. De modo geral, prefira orações na ordem direta e períodos curtos, entre duas e três linhas, no máximo. 

Contudo, você não deve confindir simplicidade com mediocridade. É importante destacar que os corretores esperam que os períodos apresentem certa complexidade em sua construção, com uso de orações subordinadas e intercaladas.

Por isso, é fundamental você incluir esse tipo de construção pelo menos uma vez por parágrafo.

De qualquer forma, para dominar esta competência, não há outro caminho a não ser muita leitura e estudo da gramática normativa.

Quantidade de erros aceita

Essa competência permite que você cometa dois desvios ortográficos. Vale destacar que uma mesma palavra escrita erroneamente várias vezes conta como um erro só. Por exemplo, se você escreveu a palavra “cópia” sem acento várias vezes, isso será considerado um erro somente.

Você também pode ter um erro de estrutura sintática (pontuação, construção frasal, etc.).

Se se mantiver dentro dessa quantidade, você não será penalizado na competência I.

Como relação aos desvios, a Cartilha de Redação do Enem chama atenção para os seguintes pontos:

  • convenções da escrita – respeito às regras ortográficas (acentuação, uso do hífen, uso de letras maiúsculas e minúsculas, separação silábica, etc.);
  • regras gramaticais – regência verbal, concordância, tempos e modos verbais, paralelismo, crase, pontuação e colocação pronominal;
  • escolha do registro – respeito à modalidade de escrita formal, sem marcas de oralidade ou informalismos;
  • escolha vocabular – escolha precisa das palavras, utilizando-as com sentido correto e com adequação ao contexto.

Competência II: Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa

Esta competência vai avaliar três coisas: compreensão do tema, uso de conceitos de outras áreas do conhecimento e domínio da tipologia textual.

1) Sobre a tipologia textual

Primeiramente, vamos entender a tipologia textual em que está inserida a redação do Enem. Ela é classificada como texto dissertativo-argumentativo, o qual apresenta os posicionamentos pessoais do autor em relação a um tema. Logo, seu principal objetivo é a defesa de um ponto de vista, o que deve ser feito por meio de linguagem persuasiva e estratégias argumentativas bem fundamentadas.

Esse tipo de texto deve apresentar 3 elementos:

  • Proposição – apresentação do tema e da tese a ser defendida;
  • Argumentação – apresentação de dados, fatos, referências que apoiem a tese proposta;
  • Conclusão – na caso do Enem, é a proposta de intervenção (que está prevista na Competência V, que veremos daqui a pouco).

Para determinar se você respeitou a tipologia textual, o corretor vai procurar os três elementos acima na sua redação.

No caso do Enem, além dessas características básicas da tipologia dissertativa-argumentativa, a prova também apresenta algumas particularidades, exemplos:

  • Discurso em terceira pessoa, pois privilegia estruturas impessoais em vez de juízos de valor ou sentimentos exaltados;
  • É comum verbos no presente do indicativo ou no futuro do presente para dar um caráter verdadeiro e atemporal ao texto;
  • É necessário falar de um único tema, respeitando a progressão temática;
  • Apresenta estrutura básica: introdução, desenvolvimento e conclusão;
  • Deve apresentar proposta de intervenção para a situação-problema.

É importante ressalvar que o texto pode usar outras tipologias (como a narrativa ou descritiva). Isso, porém, deve ser feito de forma pontual para não correr risco de fugir do tipo textual.

2) Sobre o tema

Para alcançar pelo menos 900 pontos na redação, é imprescindível que você entenda perfeitamente o tema e escreva a sua redação com ele na cabeça do início ao fim. Fuga total ou parcial à temática proposta pode, até mesmo, zerar a sua redação.

Aqui vale a pena destacar a diferença entre fugir do tema e tangenciá-lo. Fugir do tema é escrever sobre algo totalmente distinto do que foi pedido. Por exemplo, o avaliador solicitou que você escrevesse sobre violência contra a mulher e você falou sobre preservação da natureza.

Já tangenciar o tema é quando você até aborda o tópico solicitado. Contudo, no desenvolvimento do seu texto, você acaba se perdendo pelo caminho.

Aqui vale pontuar que, de acordo com a matriz de referência de redação do Enem, o tangenciamento do tema afeta não só a Competência II. Ele acarreta penalizações também nas Competências III e IV, impedindo que a redação receba mais de 40 pontos em todos esses campos.

Como sabemos, é impossível descobrir o tema da redação do próximo Enem antes da prova. No entanto, já é de conhecimento de todos que, com certeza, ele será um problema a ser resolvido, visto que a Competência V exige uma proposta de intervenção.

Vale reforçar esse ponto: o tema da redação do Enem sempre, sempre, sempre estará ligado a um problema social a ser resolvido.

Por isso, ao ler o comando da redação, a primeira coisa que você deve se perguntar é: qual é o problema ligado a esse tema?

Ao desenvolver o tema, espera-se que o candidato traga referências e argumentos do seu repertório sociocultural. Entretanto, serão penalizados aqueles que apresentarem repertório a partir de cópia dos textos motivadores. 

Como usar os textos motivadores na redação do Enem?

Como dito anteriormente, o uso dos textos motivadores pode acarretar penalizações. Contudo, há momentos em que não temos argumentos suficientes para tratar do tema proposto.

Nesse contexto, você pode utilizar um dado dos textos motivadores. Porém, você deve evitar a cópia direta.

Busque reescrever o trecho com suas palavras, sempre citando a fontes. Por exemplo, se o texto motivador diz que somente 17% dos brasileiros frequenta cinemas, você pode inverter esse dado e dizer que 83% dos brasileiros não vão ao cimena.

Pode ainda expressar esse dado como uma proporção (1 em cada 5 brasilieros frequente o cinema) ou como uma fração (1/5 dos brasileiros frequenta o cinema regularmene).

3) Sobre o uso de conceitos de outras áreas do conhecimento

Uma redação bem avaliada no Enem é aquela que agrega conhecimentos de outras áreas. Para isso, você pode lançar mão de alusões históricas, dados estatísticos, argumentos de autoridade, citação de obras de referência da literatura brasileira.

O ideal é que você evidencie pelo menos dos usos dessa lista acima. Ademais é indicado que você faça duas ou três menções diferentes a outros campos do conhecimento.

Competência III: Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista

Este descritor pode ser resumido em uma palavra: argumentação. Ele avalia a capacidade do participante de:

  • Selecionar os argumentos, dados e opiniões mais adequados;
  • Organizá-los de forma clara e estratégica, definindo quais são as ideias principais e quais são as ideias complementares a elas;
  • Relacionar e organizar as informações no texto, encadeando as ideias de forma progressiva;
  • Interpretar corretamente essas informações, contextualizando-as em relação ao tema para realizar a defesa do ponto de vista.

Neste caso, recomendamos que você elabore um projeto de texto antes de começar a escrever.

Ainda na folha de rascunho, escreva seus argumentos, dados, citações e opiniões em forma de tópicos. Em seguida, faça uma análise criteriosa dessas informações e pergunte-se:

  • “O que não pode faltar de jeito nenhum no meu texto?”
  • “O que complementa essas informações que são primordiais?”
  • “Em qual ordem irei dispor tudo isso?”
  • “Como irei conectar todas essas ideias?”

Por fim, descarte o que sobrar e inicie a construção do seu texto.

O próprio Inep destaca a importância desse planejamento prévio. O Instituto que organiza o Exame ressalta que “o texto que atende às expectativas referentes à Competência III é aquele no qual é possível perceber a presença implícita de um projeto de texto, ou seja, aquele em que é claramente identificável a estratégia escolhida para defender o ponto de vista.”

Estratégias argumentativas para a redação do Enem

Uma forma de pontuar bem na competência III é utilizar bem as estratégias argumentativas. Para te ajudar, listamos algumas abaixo que você pode usar na sua redação:

  1. Comprovação – essa estratégia utiliza dados estatísiticos, pesquisas e estudos para comprovar os argumentos apresentados.
  2. Exemplificação – essa estratégia lança mão de fatos noticiados pela mídia para exemplificar, dar concretude a determinado argumento.
  3. Citação – outra maneira de reforçar um argumento é trazer uma citação de grandes pensadores, de autoridades no tema proposto ou de livros de referência.
  4. Causa e consequência – nessa estratégia, você primeiro enumera as causas do problema para depois listar as consequências associadas.
  5. Contraste – aqui o objetivo é opor argumentos favoráveis e contrários ao tema e depois fazer um síntese dessa oposição.

Competência IV: Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação

O que se avalia nesta competência é a utilização dos recursos coesivos para articular os enunciados textuais. Ou seja, é a estruturação lógica e formal dos períodos e parágrafos.

Para um bom encadeamento das ideias, é indispensável o estudo dos conectivos lógico-semânticos, os quais podem ser: conjunções (principalmente), advérbios, locuções adverbiais, preposições e pronomes.

De forma geral, com explica a professora Débora Aladim, para tirar a nota máxima na competência IV, você precisa ter seis conectivos no seu texto: um conectivo dentro de cada parágrafo e dois parágrafos da redação começando com conectivos (conectivos interparagrafais).

Uma sugestão é começar os dois últimos parágrafos do texto com conectivos: um conectivo de contradição no penúltimo (porém, contudo, etc.) e um de conclusão no parágrafo final (por fim, em suma, etc.).

Nesse sentido, para te ajudar, criamos uma tabela abaixo com exemplos de conectivos para as mais diversas situações:

Tipo de conectivosExemplos
Condicionalidade se, caso, desde que, contanto que, a menos que, a não ser que.
Ordenaçãoprimeiramente, em primeiro lugar, a princípio, para começar, em segundo lugar, ademais.
Causalidadeporque, como, pois, porquanto, já que, uma vez que, dado que, visto que.
Finalidadepara que, a fim que, com o objetivo de, com a meta de.
Disjunção ou alternânciaou
Temporalidadequando, mal, assim que, nem bem, logo que, antes que, depois que, enquanto, ao mesmo tempo que, à medida que, à proporção que,
Conformidadecomo, conforme, consoante, segundo
Conjunção ou adiçãoe, também, não só…mas também, tanto…como, além de, ainda, nem.
Oposiçãoporém, todavia, contudo, entretanto, no entanto, embora, apesar de.
Conclusãologo, portanto, por isso, por conseguinte, então, dessa forma, em conclusão, em suma.
Explicaçãopois, que, porque, porquanto, tendo em vista que
Comparaçãotão…que, mais…que, menos…que
Exemplificaçãocomo, por exemplo.
Retificaçãoou seja, isto é, ou melhor, em outras palavras
Tabela de conectivos

Além dos conectivos, nesta competência, é importante você compreender bem as regras de pontuação, da crase e também de quando utilizar os pronomes demonstrativos “essa” e “esta”.

Ademais, você precisa estudar os mecanismos de referenciação, que envolvem a retomada de termos, ideias e orações em diferentes partes do texto.

Algumas estratégias que você pode usar para isso são:

  • Substituir termos ou expressões por pronomes pessoais, possessivos e demonstrativos, por advérbios de localização ou por artigos:

Ex: Os Direitos Humanos são fundamentais para uma sociedade. Por isso, defendê-los é um dever de todos.

  • Substituir termos ou expressões por sinônimos, hipônimos, hiperônimos ou expressões resumitivas:

Ex: O cinema tem um papel crucial na construção do imaginário coletivo. Assim, valorizar a sétima arte é fortalecer a memória afetiva de um país.

Extra: confira no vídeo abaixo os conceito de hiperonímia e hiponímia:

  • Substituir verbos, substantivos e períodos por conectivos e expressões de retomada:

Ex: A autonomia do estudante fortalece a cidadania e a civilidade. (o conectivo “e” evita a repetição do verbo “fortalece”.)

  • Usar a elipse ou a omissão de elementos que já tenham sido citados:

Ex: O Brasil faz parte do Mercosul, mas a Bolívia não.

Competência V: Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos

Como já mencionamos, toda redação do Enem nos traz uma situação-problema, à qual devemos apresentar uma proposta de intervenção, isto é, uma solução. Logo não cabe apresentar apenas pontos positivos sobre o tema. 

Assim sendo, seu texto deve apresentar uma proposta de intervenção detalhada, que respeite os direitos humanos e especifique o que fazer, como fazer, quem deve fazer e para que irá fazer, tornando, assim, a proposta viável. 

Dito de outra forma, a proposta de intervenção ideal possui 5 elementos essenciais:

  • Agente (quem?)
  • Ação (o que?)
  • Meio (como?)
  • Finalidade (para quê?)
  • Detalhamento

Para ficar mais claro, vamos conferir um exemplo de proposta de uma redação que tirou a nota mil no Enem de 2021, do estudante Gabriel Borges:

“Portanto, o registro civil deve ser incentivado de maneira mais efetiva no país. O Estado [AGENTE] criará um mutirão nacional intitulado “Meu Registro, Minha Identidade”. [AÇÃO] Esse projeto funcionará por meio da união entre movimentos sociais, comunidades locais e órgãos governamentais municipais, estaduais e federais, visto que é necessária uma ação coletiva visando a consolidação da cidadania brasileira. [MEIO]Com o trabalho desses agentes, serão enviados profissionais a todas as cidades em busca de pessoas [FINALIDADE] que, finalmente, terão suas certidões de nascimento confeccionadas, além de receberem acompanhamento e incentivo para a realização de cadastro em outros serviços importantes do sistema nacional. Por conseguinte, o Brasil estará agindo ativamente para reparar suas injustiças históricas e para solidificar sua democracia, de maneira que os seus cidadãos sejam vistos igualmente. [DETALHAMENTO]

O que é considerado desrespeito aos Direitos Humanos?

Nesta competência, vale ficar atento ao fato de que a proposta de intervenção deve respeitar os direitos humanos, que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), são “garantias jurídicas universais que protegem indivíduos e grupos contra ações e omissões dos governos que atentem contra a dignidade humana”.

Então nunca defenda ações como multilação, trabalhos forçados, torturas, execução sumária e outros formas de “justiça com as próprias mãos” e tudo que configure crime de acordo com nosso ordenamento jurídico.

Também não é permitido propor nenha intervenção motivada por questões de raça, etnia, religião, gênero, opinião política, condição física ou origem geográfica ou socioeconômica. Evite qualquer tipo de discurso de ódio.

Vale ressalvar que proposta que tratem de pena de morte e de prisão perpétua são aceitas desde que a administração da punição ao agressor seja conferida ao Estado.

Por fim, para avaliação das redações nesse quesito, o Inep utiliza os princípios do artigo 3° da Resolução n°1, de 2012, que estabelece as Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos:

  • Dignidade humana;
  • Igualdade de direitos;
  • Reconhecimento e valorização das diferenças e diversidades;
  • Laicidade do Estado;
  • Transversalidade, vivência e globalidade;
  • Sustentabilidade ambiental.

Resumo das competências

Para te ajudar a fixar o conhecimento das 5 competências da prova de redação do Enem, preparamos o quadro-resumo abaixo, com as palavras-chaves para cada competência e também dicas importantes sobre elas:

Competência Conceito-chaveDicas
Competência IRegras ortográficas e gramaticas– Você pode cometer até 2 desvios ortográficos e 1 gramatical, sem ser penalizado.
– Utilize pelo menos uma oração intercalada ou subordinada por parágrafo (períodos complexos)
Competência IITipologia textual– Você pode usar uma ou duas informações do texto motivador desde que reescreva-as com suas palavras.
Competência IIIArgumentação– Selecione duas ou três estratégias argumentativas para dominar e utilizar no dia da prova
Competência IVConectivos– Utilize pelo menos 6 conectivos na sua redação (sendo pelo menos dois interparagrafais)
Competências VProposta de intervenção– Agente (quem?)
– Ação (o que?)
– Meio (como?)
– Finalidade (para quê?)
– Detalhamento
Competências da redação do Enem

Estrutura da redação dissertativa-argumentativa do Enem

A sua redação do Enem deve ser estruturada em três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão.

1. Introdução

A introdução é o primeiro parágrafo do seu texto e precisa apresentar o tema e a sua tese. A tese é o seu posicionamento perante o tema e deve ser resumida numa sentença. Portanto, tenha uma tese bem definida, pois o corretor, ainda na introdução, necessita saber perfeitamente o que você está defendendo. Ademais, ela será o fio condutor de toda a sua argumentação no decorrer da redação. 

Como é preciso fechar o texto com uma proposta de intervenção, também já deixe claro logo de início que a situação é um problema com possibilidade de solução. Do contrário, você não terá o que resolver na conclusão.

2. Desenvolvimento

O desenvolvimento começa no segundo parágrafo, no entanto não há uma regra que explicite quantos parágrafos ele deve ter ao todo. De modo geral, recomenda-se escrever dois ou três, no máximo.

A primeira sentença de cada um desses parágrafos deve ser um tópico frasal, o qual sintetiza toda a ideia do que está por vir. Quanto ao conteúdo, apresente os argumentos, dados, citações e opiniões que justifiquem a sua tese, mas garanta que as suas fontes são confiáveis e relevantes.

3. Conclusão

A conclusão é o último parágrafo da sua redação. Nela, retome todos os problemas que você apresentou no decorrer do texto, mas não traga problemas novos, visto que essa parte não é dedicada para isso. 

É aqui que você deve expor a proposta de intervenção (solução) para a situação-problema abordada em todo o texto. Dessa forma, garanta que você tenha respondido às perguntas da Competência V: o que, como, quem e para que fazer.

Posso colocar título na redação do Enem?

De acordo com a Cartilha do Participante da Redação do Enem, “o título é um elemento opcional na produção da sua redação. Assim, embora seja considerado linha escrita, não é avaliado em qualquer aspecto relacionado às competências da matriz de referência”.

Por isso, não é recomendado gastar uma linha da sua redação para isso. Assim, o ideal é não colocar título.

O que pode zerar uma redação do Enem?

De acordo com o Inep, instituto responsável pela elaboração da prova, as razões para tirar nota zero na redação são as seguintes:

  1. fuga total ao tema;
  2. não obediência ao tipo dissertativo-argumentativo;
  3. extensão de até 7 (sete) linhas manuscritas, qualquer que seja o conteúdo, ou extensão de até 10 (dez) linhas escritas no sistema Braille;
  4. cópia de texto(s) da Prova de Redação e/ou do Caderno de Questões sem que haja pelo menos 8 linhas de produção própria do participante;
  5. desenhos e outras formas propositais de anulação, em qualquer parte da folha de redação (incluindo os números das linhas na margem esquerda);
  6. números ou sinais gráficos sem função evidente em qualquer parte do texto ou da folha de redação (incluindo os números das linhas na margem esquerda);
  7. parte deliberadamente desconectada do tema proposto;
  8. impropérios e outros termos ofensivos, ainda que façam parte do projeto de texto;
  9. assinatura, nome, iniciais, apelido, codinome ou rubrica fora do local devidamente designado para a assinatura do participante;
  10. texto predominante ou integralmente escrito em língua estrangeira;
  11. folha de redação em branco, mesmo que haja texto escrito na folha de rascunho;
  12. texto ilegível, que impossibilite sua leitura por dois avaliadores independentes.

Mas fique tranquilo. Esse cenário trágico (de zerar a redação) é muito, muito raro mesmo. Você precisa vacilar demais para cair nesse buraco. Segundo dados estatísticos do Enem, menos de 0,05% estudantes tiram a nota mínima nessa etapa da prova.

Nesse sentido, o principal cuidado que você deve ter é prestar bastante atenção ao tema, para não fugir dele.

Também é importante tomar cuidado com a letra. Você pode usar letra cursiva ou de forma, mas ela tem de ser legível. Se o corretor não conseguir entender o que você escreveu, ele também pode te dar zero.

Exemplos e análise de redação nota mil

Agora, nós vamos fazer uma análise completa de duas redações nota mil do Enem de 2020, destacando todos os pontos que foram abordados neste artigo.

1) Análise da redação nota 1.000 de Isabella Gadelha, PA

Nise da Silveira foi uma renomada psiquiatra brasileira que, indo contra a comunidade médica tradicional da sua época, lutou a favor de um tratamento humanizado para pessoas com transtornos psicológicos. No contexto nacional atual, indivíduos com patologias mentais ainda sofrem com diversos estigmas criados. Isso ocorre, pois faltam informações corretas sobre o assunto e, também, existe uma carência de representatividade desse grupo nas mídias.

Análise da introdução: A estudante abre a introdução com uma menção a uma autoridade no tema da saúde mental (a psiquiatra Nise da Silveira). Essa estratégia já demonstra repertório cultural e também faz uma conexão com outros campos de conhecimento (Competência II). No segundo período, ela introduz o tema da dissertação e, no terceiro, apresenta a tese que ela irá defender nos próximos parágrafos.

Primariamente, vale ressaltar que a ignorância é uma das principais causas da criação de preconceitos contra portadores de doenças psiquiátricas. Sob essa ótica, o pintor holandês Vincent Van Gogh foi alvo de agressões físicas e psicológicas por sofrer de transtornos neurológicos e não possuir o tratamento adequado. O ocorrido com o artista pode ser presenciado no corpo social brasileiro, visto que, apesar de uma parcela significativa da população lidar com alguma patologia mental, ainda são propagadas informações incorretas sobre o tema. Esse processo fortalece a ideia de que integrantes não são capazes de conviver em sociedade, reforçando estigmas antigos e criando novos. Dessa forma, a ignorância contribui para a estigmatização desses indivíduos e prejudica o coletivo.

Análise do segundo parágrafo: Aqui a estudante já lança mão de conectivos (“primeiramente”, “visto que”, “apesar de”, “dessa forma”), o que ajuda a pontuar na Competência IV. Ela também usa a estratégia argumentativa da exemplificação ao fazer uma alusão a Van Gogh. Essa menção também já configura uma conexão com outros campos do conhecimento (artes).

Ademais, a carência de representatividade nos veículos midiáticos fomenta o preconceito contra pessoas com distúrbios psicológicos. Nesse sentido, a série de televisão da emissora HBO, “Euphoria”, mostra as dificuldades de conviver com Transtorno Afetivo Bipolar (TAB), ilustrado pela protagonista Rue, que possui a doença. A série é um exemplo de representação desse grupo, nas artes, falando sobre a doença de maneira responsável. Contudo, ainda é pouca a representatividade desses indivíduos em livros, filmes e séries, que quando possuem um papel, muitas vezes, são personagens secundários e não há um aprofundamento de sua história. Desse modo, esse processo agrava os esteriótipos contra essas pessoas e afeta sua autoestima, pois eles não se sentem representados.

Análise do terceiro parágrafo: Um dado interessante é que, nesse parágrafo, a estudante cometeu um desvio de pontuação no segundo período (não devia ter colocado o termo “Euphoria” entre vírgulas, por se tratar de um aposto especificativo). Além disso, no penúltimo parágrafo, o uso do pronome relativo “que” ficou ambíguo. Apesar disso, a banca não penalizou a aluna na Competência I.

Outro ponto interessante foi que a estudante usou a estratégia argumentstiva da contradição: mencionou uma série que trata do tema, para depois dizer que ela é uma exceção e que as pessoas com distúrbios mentais são subrepresentadas na mídia. Nesse sentido, ele fez um uso inteligente do conectivo “contudo”. Ela também iniciou o parágrafo já com um conectivo de adicição (“ademais”), o que a faz ganhar pontos na Competência IV.

Portanto, faz-se imprescindível que a mídia – instrumento de ampla abrangência – informe a sociedade a respeito dessas doenças e sobre como conviver com pessoas portadoras, por meio de comerciais periódicos nas redes sociais e debates televisivos, a fim de formar cidadãos informados. Paralelamente, o Estado – principal promotor da harmonia social – deve promover a representatividade de pessoas com transtornos mentais nas artes, por intermédio de incentivos monetários para produzir obras sobre o tema, com o fato de amenizar o problema. Assim, o corpo civil será mais educado e os estigmas contra indivíduos com patologias mentais não serão uma realidade do Brasil.”

Análise da proposta de intervenção: Note que a proposta de intervenção traz todos os elementos necessários:

  • Agente: a mídia e o Estado
  • Ação: informar a sociedade (mídia) e promover a representatividade (Estado)
  • Meio: por meio de comerciais periódicos nas redes sociais e debates televisos (mídia) e por intermédio de incentivos monetários (Estado).
  • Finalidade: a fim de formar cidadãos informados (mídia) e com o fato de amenizar o problema (“Estado”).
  • Detalhamento: Assim, o corpo civil será mais educado e os estigmas contra indivíduos com patologias mentais não serão uma realidade do Brasil.

Perceba que a estudante foi além do solicitado e trouxe uma proposta dupla, com dois agentes. Contudo, isso não é necessário para alcançar a pontuação máxima na Competência V.

Um ponto a se destacar é que a aluna utilizou palavras-chaves para marcar elementos da proposta de intervenção. Por exemplo, utilizou “por meio de” para indiciar o meio e “a fim de” para indicar a finalidade.

Essa estratégia é muito inteligente, porque, como o corretor vai ler centenas de redações, quanto mais claro for seu texto, mais chances de você conseguir uma boa nota.

2) Análise da redação nota 1.000 de Aécio Fernandes, RN

Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Segundo a lógica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar também a problemática das doenças mentais no Brasil, ainda que elas sejam estigmatizadas por parte da sociedade. Nesse sentido, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a negligência estatal e a educação brasileira.

Análise da introdução: O estudante já abre a redação com uma alusão a outro campo do conhecimento (literatura), já pontuando na Competência II. Além disso, utiliza corretamente o pronome relativo “cuja”, o que sempre agrada os corretores. No segundo período, ele faz a apresentação do tema, conectada com a alusão anterior, o que contribui também para pontuar na Competência IV. Ótimo trabalho! Por fim, na terceiro período, ele faz a apresentação da tese que irá defender.

Primordialmente, é necessário destacar a forma como parte do Estado costuma lidar com a saúde mental no Brasil. Isso porque, como afirmou Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Prova disso é a escassez de políticas públicas satisfatórias voltadas para a aplicação do artigo 6 da “Constituição Cidadã”, que garante, entre tantos direitos, a saúde. Isso é perceptível seja pela pequena campanha de conscientização acerca da necessidade a saúde mental, seja pelo pouco espaço destinado ao tratamento das doenças mentais nos hospitais. Assim, infere-se que nem mesmo o princípio jurídico foi capaz de garantir o combate ao estigma relativo a doenças psíquicas.

Análise do segundo parágrafo: Inicialmente, vale destacar o uso do advérbio “primordialmente” no início do parágrafo. Além de ser um conectivo interparagrafal, ele também indica marca de autoria por parte do estudante, o que gera pontos tanto na Competência III quanto na IV. O autor também traz uma menção ao campo do Direito (a Constiuição) e traz um exemplo de livro sobre a temática, gerando mais pontos na Competência II também.

É interessante destacar a alusão ao artigo 6 da Constiuição, que trata dos direitos sociais. Trata-se de uma estratégia que pode ser utilizada em qualquer redação, pois todas as temáticas tem alguma relação com ele. Então, considere ler com cuidado esse dispositivo.

Outrossim, é igualmente preciso apontar a educação, nos moldes predominantes no Brasil, como outro fator que contribui para a manutenção do preconceito contra as doenças psiquiátricas. Para entender tal apontamento, é justo relembrar a obra “Pedagogia da Autonomia”, do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, na medida em que ela destaca a importância das escolas em fomentar não só o conhecimento técnico-científico, mas também habilidades socioemocionais, como respeito e empatia. Sob essa ótica, pode-se afirmar que a maioria das instituições de ensino brasileiras, uma vez que são conteudistas, não contribuem no combate ao estigma relativo às doenças mentais e, portanto, não formam indivíduos da forma como Freire idealiza.

Análise do terceiro parágrafo: O estudante abre o parágrafo com um conectivo (Competência IV). Também usa bem a citação de livros e autores para demonstrar bagagem de leitura e fazer conexões com outros campos de conhecimento (Competência II).

No último período, ele utilizou a estratégia de argumentação de causa e consequência, mostrando que o fato de as escolas serem conteudistas gera indivíduos menos empáticos, o que reforça o preconceito contra pessoas com distúrbios psíquicos (Competência III).

Frente a tal problemática, faz-se urgente, pois, que o Ministério Público, cujo dever, de acordo com o artigo 127 da “Constituição Cidadã”, é garantir a ordem jurídica e a defesa dos interesses sociais e individuais indisponíveis, cobre do Estado ações concretas a fim de combater o preconceito às doenças mentais. Entre essas ações, deve-se incluir parcerias com as plataformas midiáticas, nas quais propagandas de apelo emocional, mediante depoimentos de pessoas que sofrem esse estigma, deverão conscientizar a população acerca da importância do respeito e da saúde mental. Ademais, é preciso haver mudanças escolares, baseadas no fomento à empatia, por meio de debates sobre temas socioemocionais.

Análise da prosposta de intervenção: Vamos conferir os elementos da proposta de intervenção:

  • Agente: o Ministério Público
  • Ação: parcerias com plataformas midiáticas
  • Meio: propagandos de apelo emocional
  • Finalidade: conscientizar a população.
  • Detalhamento: nessa redação, o estudante detalhou o agente. Vale destacar que o detalhamento pode ser sobre qualquer do elementos da propostade intervenção.

Análise extra: Perceba que, em ambas as redações, os estudantes utilizaram tópicos frasais logo no primeiro período de cada parágrafo do desenvolvimento. Isso contribui para deixar claros os argumentos que serão defendidos naquela parte do texto. Além disso, também ajuda a organizar e orientar a escrita, evitando fuga ou tangenciamento do tema.

Também é interessante ressaltar que os dois estudantes utilizaram construções sintáticas complexas, com orações subordinadas e intercaladas dentro de todos os parágrafos. Isso demonstra domínio das regras gramaticais, como exige a Competência I.

Temas de que já caíram nas edições anteriores do Enem

Para finalizar este guia, listamos na tabela abaixo todos os temas de redação que já foram cobrados nas provas do Enem. Assim, você pode usá-los para praticar tudo o que aprendeu neste artigo!

Anos Tema da redação do Enem
2023“Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil”
2022“Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil”
2021“Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil” (tema do Enem impresso e do digital)
2020“O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira” (tema do Enem impresso)
2020“O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil” (tema do Enem digital)
2019“Democratização do acesso ao cinema no Brasil”
2018“Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na Internet”
2017“Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”
2016“Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”
2015“A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”
2014“Publicidade infantil em questão no Brasil”
2013“Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil”
2012“Movimento imigratório para o Brasil no século 21”
2011“Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado”
2010“O trabalho na construção da dignidade humana”
2009“O indivíduo frente à ética nacional”
2008“Como preservar a floresta Amazônica”
2007“O desafio de se conviver com a diferença”
2006“O poder de transformação da leitura”
2005“O trabalho infantil na realidade brasileira”
2004“Como garantir a liberdade de informação e evitar abusos nos meios de comunicação”
2003“A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo?”
2002“O direito de votar: como fazer dessa conquista um meio para promover as transformações sociais de que o Brasil necessita?”
2001“Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar interesses em conflito?”
2000“Direitos da criança e do adolescente: como enfrentar esse desafio nacional?”
1999“Cidadania e participação social”
1998“Viver e aprender”
Tabela de temas de redação Enem

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