Pense numa régua. Para facilitar, naquela régua que os pais colocam na parede do quarto dos filhos para medir mês a mês, ano a ano, o crescimento da meninada.

Nessa situação, a altura dos filhos é o nome da coisa, portanto, o substantivo. Porém, essa medição periódica dos centímetros indica a qualidade da evolução do seu desenvolvimento físico. “Neste mês, Pedro ficou maior”; “Pedro é o mais alto dos irmãos”. Estão aí: “maior” e “mais alto” como graus de uma qualidade inerente a Pedro.

Com base nas ideias de que o adjetivo tem a função de modificar o substantivo e de que ele pode variar em gênero, número e grau, vamos nos ater por enquanto ao último (grau). Essa flexão possível do adjetivo pode indicar apenas uma comparação ou atribuir qualidade (maior ou menor) ao substantivo. Podemos falar de algo que seja maior, supremo, o suprassumo, o maioral, ou menor, ínfimo, pior.

São duas as flexões de adjetivos possíveis: comparativa ou superlativa. Comecemos pela primeira.

Grau comparativo

No grau comparativo, a flexão é usada para contrapor qualidades em um mesmo ser ou em seres distintos. Alguém (um ser) pode ter uma qualidade em grau superior, igual ou inferior a outro ou ter qualidades em graus maiores ou menores, se comparadas entre si.

Essas três maneiras de fazer a comparação de modo correto são:

a) grau de superioridade: formado pela anteposição do advérbio “mais” e a posposição ao adjetivo da conjunção “que” ou “do que”. Exemplo: “Pedro é mais estudioso do que João”;

b) de igualdade: formado pela anteposição do advérbio “tão” e a posposição ao adjetivo da conjunção “como” ou “quanto”. Desta forma: “João é tão esperto quanto sortudo”.

c) de inferioridade: antepõe o advérbio “menos” e coloca a conjunção “que” ou “do que” após o adjetivo. Como em: “Marcos é menos prudente do que ajuizado”.

Grau superlativo

O grau superlativo, por sua vez, tem a função de ressaltar alguma qualidade, para mais (relativo de superioridade) ou para menos (de inferioridade). Essa flexão do adjetivo revela, portanto, a diferença de intensidade de um e de outro.

Há duas formas básicas de fazer o superlativo: absoluto (sintético ou analítico) e relativo.

O superlativo absoluto se dá quando o adjetivo se refere a apenas um substantivo, caso de “Aquela regra é muito complexa”. Enquanto sua forma analítica conta com a presença de um advérbio (muito, pouco, bastante), a sintética é formado com sufixos (íssimo, por exemplo).

O absoluto sintético, assim, expressa-se por uma só palavra, unindo o adjetivo a um sufixo, como em “absolutíssimo” ou “relativíssimo”.

Esse sufixo pode variar um pouco, conforme algumas características das palavras. Quando o adjetivo termina em “-vel”, por exemplo, o superlativo é formado por “-bilíssimo”, caso de “amável – amabilíssimo”.

Mudanças mais expressivas no radical da palavra também acontecem quando o superlativo é formado a partir de adjetivos que remontam a uma forma próxima ao latim. Nesses casos, a forma superlativa vem com “-imo” e “-rimo”:

  • célebre – celebérrimo
  • humilde – humílimo (ou humildíssimo)
  • íntegro – integérrimo
  • livre – libérrimo
  • magro – macérrimo (ou magríssimo)
  • pobre – paupérrimo (ou pobríssimo)
  • provável – probabilíssimo

Se o adjetivo termina em “-z”, o superlativo é feito em “-císsimo”: “capaz – capacíssimo”. E assim por diante: “bom (vogal nasal representada por ‘-m’) – boníssimo”; vão (ditongo ‘-ão’) – vaníssimo”.

Por outro lado, se o objetivo é formar o superlativo absoluto analítico, é preciso ter o auxílio de um advérbio que indica excesso, especialmente: muito, imensamente, extraordinariamente, grandemente. Exemplos:

  • muito malandro
  • imensamente grato
  • excessivamente evidente

Vale notar que, no caso de ter o grau comparativo de superioridade, alguns adjetivos só admitem a forma sintética, rejeitando o uso de advérbio. Veja:

  • melhor, e não “mais bom”;
  • pior, e não “mais mau”;
  • maior, e não “mais grande”;
  • menor, e não “mais pequeno”.

Superlativo relativo

O superlativo relativo se dá quando se quer engrandecer um elemento de um conjunto. Essa modalidade pode acontecer de duas formas:

a) Superioridade: antepondo “o mais” e usando a preposição “de” ou “dentre” após o adjetivo, como em: “Pedro não se considera o mais inteligente de todos”; “O mais inteligente dentre todos é Paulo”.

b) Inferioridade: com a preposição “o menos” e o uso de preposição “de” ou “dentre” após o adjetivo. Assim: “Pedro é o menos preguiçoso de todos”; “O menos sortudo dentre todos era Mateus”. 

Prefixos superlativos

Na língua portuguesa, é possível acrescentar alguns prefixos para caracterizar o superlativo. Basta usar: “arqui-”, “extra-”, “hiper-”, “super-”, “ultra-”. São assim: arquirrival, hipersensível, extraordinário, superinteressante.

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