Modernismo foi o principal movimento artístico da primeira metade do século XX. Surgiu após o pré-modernismo, enquanto o mundo ocidental passava por uma série de conflitos sociopolíticos e por rupturas em relação aos principais valores e ideias do século anterior.

Havia, nessa época, uma enorme euforia diante do progresso industrial e dos avanços técnico-científicos. Isso aumentou a disputa pelo domínio dos mercados fornecedores e consumidores e resultou na Primeira Guerra Mundial.

Assim, durante e após a belle époque, surgiram variadas correntes artísticas que refletiam o caos e a violência das primeiras décadas do século XX. São as chamadas “vanguardas europeias”.

As vanguardas europeias

As vanguardas europeias foram movimentos agressivos que romperam radicalmente com os padrões de arte tradicional. São responsáveis por centenas de manifestos escritos antes, durante e após o período da guerra.

Ao todo, tivemos cinco vanguardas. Veja-as a seguir. 

1. Cubismo

Originou-se na França, em 1907, com o pintor Pablo Picasso. Na literatura, teve seu primeiro manifesto-síntese assinado por Guillaume Apollinaire, em 1913.

A literatura cubista reúne assuntos aparentemente sem nexo, é anti-intelectual, prefere substantivos soltos, jogados de forma anárquica, e menospreza verbos, adjetivos e pontuações. Sua preocupação com a disposição espacial e gráfica do poema influenciou o surgimento da poesia concreta no Brasil nas décadas de 1950-60.

2. Futurismo

O primeiro manifesto do movimento foi publicado pelo italiano Filippo Tommaso Marinetti, em 1909, e expressou sua ideologia revolucionária. Seu caráter violento e radical surpreendeu os meios culturais.

Em 1912, Marinetti lança o Manifesto Técnico da Literatura Futurista, que defendia a destruição da sintaxe, a substituição dos sinais de pontuação pelos sinais matemáticos e musicais, a abolição dos adjetivos e dos advérbios, a disposição dos substantivos ao acaso e a negação da estrofe, da rima e da harmonia.

3. Expressionismo

Surgiu em 1910, na Alemanha, e preocupava-se com a manifestação do mundo interior, pouco importando os conceitos de belo e feio vigentes na época. Desenvolveu-se mais na pintura com Kandinski, Paul Klee, Chagall e Munch, sendo divulgado no Brasil pela pintora Anita Malfatti.

Na literatura, despreocupa-se com a organização do texto em estrofes e com sua musicalidade. A linguagem é fragmentada, cheia de substantivos e adjetivos e, às vezes, não apresentava sujeito.

4. Dadaísmo

Em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, um grupo de refugiados em Zurique, na Suíça, deram início ao movimento mais radical da vanguarda europeia: o Dadaísmo.

Os dadás entendiam que era hipocrisia e presunção cultivar a arte numa Europa banhada em sangue, portanto esforçaram-se em ridicularizá-la e destruí-la. Eram contra as ordenações lógicas, por isso sua literatura era desordenada e improvisada. Não importava o significado das palavras, mas, sim, sua sonoridade, o que levava os escritores até mesmo a inventar palavras.

Os dadaístas com destaque são Tristan Tzara, Francis Picabia, Philippe Soupault e André Breton.

5. Surrealismo

O Manifesto do Surrealismo foi publicado em 1924, em Paris, por André Breton, um ex-dadaísta. Breton era psicanalista e procurou unir arte e psicanálise, e assim esse movimento buscou sondar o mundo interior do homem, o seu inconsciente.

Além de André Breton, destacam-se na literatura Louis Aragon e Antonin Artaud. Nas artes plásticas, temos Salvador Dalí, Max Ernst, Joan Miró e Jean Harp.

Modernismo no Brasil

A Semana de Arte Moderna é considerada o marco inicial do Modernismo no Brasil e ocorreu nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo.

Sua intenção era difundir as vanguardas europeias ao mesmo tempo em que estimulava a tomada de consciência da realidade brasileira e combatia a arte tradicional. A Semana conseguiu unir os artistas com ideias modernistas que até então estavam dispersos, contudo não repercutiu tanto na imprensa da época.

Primeira fase do Modernismo

Realizada a Semana de Arte Moderna, tem início a primeira fase modernista, que foi de 1922 a 1930. Essa fase caracterizou-se pelas tentativas de solidificação e divulgação do movimento, além de uma visão nacionalista, porém crítica, da realidade brasileira.

É considerada a fase mais radical do Modernismo, pois desejava romper com todas as estruturas do passado (antipassadismo). Como consequência está o seu caráter anárquico e seu forte sentido destruidor.

Principais autores e obras:

Antônio de Alcântara MachadoPathé Baby; Brás, Bexiga e Barra Funda; Laranja da China.

Manuel BandeiraA cinza das horas; Carnaval; O ritmo dissoluto; Libertinagem; Lira dos cinquent’anos; Estrela da tarde; Itinerário de Pasárgada.

Mário de AndradeHá uma gota de sangue em cada poema; Paulicéia desvairada; Macunaíma (rapsódia); Amar, verbo intransitivo (romance); Contos novos (contos); A escrava que não é Isaura; Os filhos da Candinha (crônicas).

Menotti Del PicchiaJuca Mulato; Moisés; Chuva de pedras (poesia); O homem e a morte; Salomé; A tormenta (romances).

Oswald de AndradePau-Brasil; Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade; Cântico dos cânticos para flauta e violão (poesia); Serafim Ponte Grande; Memórias sentimentais de João Miramar; O rei da vela (teatro).

Segunda fase do Modernismo

A segunda fase modernista estende-se de 1930 a 1945 e refletiu o cenário internacional e nacional da época. No cenário internacional, vivia-se a depressão econômica, o avanço do nazi-fascismo e a Segunda Guerra Mundial; no nacional, é consolidada a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas.

Todo esse contexto deu origem à preocupação do artista com o destino dos homens, o “estar-no-mundo”. Consequentemente, a literatura tornou-se mais politizada, resultando numa arte engajada.

Os romancistas de 30 estavam mais amadurecidos, com enfoque nos problemas de sua realidade imediata, o que levou ao surgimento de uma literatura regional, caracterizada pela denúncia social. A seca do Nordeste ganhou destaque, bem como suas consequências: a mão de obra barata, um intenso movimento migratório, a miséria e a fome.

No entanto, os poetas de 30 seguiram caminhos diferentes. A poesia tendia à universalização, ou seja, tratava dos conflitos do homem em geral, e, por isso, o regionalismo manifestava-se eventualmente. Na estética, continuaram cultivando o verso livre e a poesia sintética.

Prosa – principais autores e obras:

Érico VeríssimoClarissa; Música ao longe; Olhai os lírios do campo; O tempo e o vento (O continente, O retrato e O Arquipélago); O senhor embaixador; Incidente em Antares.

Graciliano RamosAngústia; Caetés; São Bernardo; Vidas secas; Infância; Insônia; Memórias do cárcere; Viagem.

Jorge AmadoO país do carnaval; Cacau; Suor; Capitães de areia; Seara vermelha; Terras do sem-fim; São Jorge dos Ilhéus; Gabriela, cravo e canela; Dona Flor e seus dois maridos.

José Lins do RegoMenino de Engenho; Banguê; Usina; Pedra Bonita; Fogo morto; Água-mãe; Eurídice.

Rachel de QueirozO Quinze; João Miguel; Caminho de pedras; As três Marias (romances).

Poesia – principais autores e obras:

Carlos Drummond de AndradeAlguma poesia; Brejo das Almas; Sentimento do mundo; A rosa do povo; Claro enigma; Lição de coisas; Antologia poética.

Cecília MeirelesViagem; Vaga música; Mar absoluto; Romanceiro da Inconfidência; Ou isto ou aquilo.

Murilo MendesA poesia em pânico; O visionário; As metamorfoses; Mundo enigma; Poesia liberdade.

Vinícius de MoraisPara viver um grande amor; Para uma menina com uma flor; Orfeu da Conceição (teatro).

Características da linguagem modernista

Na poesia:

– Versos livres, palavras em liberdade

– Ausência de pontuação

– Irreverência

– Antipassadismo cultural

– Influência das correntes de vanguarda

– Liberdade de criação

– Exaltação de estados inconscientes

Na poesia e na prosa:

– Linguagem ágil que capta simultaneamente diferentes planos da realidade

– Síntese por meio de frases curtas e pouca (ou nenhuma) adjetivação

– Busca de uma linguagem brasileira, mais popular e coloquial

– Desprezo pelo rigor das regras gramaticais

– Nacionalismo

– Ironia, humor, piada, paródia

– Temas extraídos do cotidiano

– Urbanismo

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