Tanto vaso quanto vazo estão corretos. Afinal, as duas palavras existem no português e, portanto, são corretas. A questão é que elas são homófonas, ou seja, os sons de suas pronúncias são idênticos, embora sejam termos muito diferentes e devam ser usados em situações distintas.

Vaso, com “s”, é substantivo masculino e define um recipiente próprio para conter líquidos ou sólidos, sendo sinônimo de recipiente, vasilha, jarro, canal, entre outros.

Vazo, com “z”, é verbo, ou seja, a forma do verbo vazar conjugado na primeira pessoa do singular do presente do indicativo. Vazar é sinônimo de esvaziar, despejar e entornar ou ainda o ato de deixar sair (o conteúdo de um recipiente).

Origem do substantivo vaso

É bom que cada uma dessas palavras fique no seu quadrado: “vaso” tem sua origem no latim clássico vas, mas também deriva do latim vulgar vasum. Isso que determina sua escrita com “s” na segunda sílaba.

Além de ser sinônimo de qualquer invólucro ou receptáculo capaz de conter alguma coisa, como em “Você pode regar os vasos de flores que estão na varanda?”, o termo refere-se ainda a qualquer tipo de canal ou conduto que transporta líquidos, inclusive os canais que transportam líquidos no corpo humano, como as veias e as artérias: “Veias e artérias são vasos sanguíneos.”.

A palavra é ainda mais versátil: “vaso” é usado ainda para indicar o vaso sanitário, privada ou latrina: “A empregada limpou o vaso com água sanitária.”.

Como verbo, vazo também é versátil

A origem do verbo “vazar” é bem distinta: deriva do verbo “vaziar”. Este, por sua vez, é composto pelo substantivo “vazio” mais o sufixo verbal “-ar”. Daí vem o motivo de ser escrito com “z” na segunda sílaba.

Em geral, o verbo se refere ao ato de deixar sair o conteúdo de um recipiente. Mas também pode ser usado para descrever o ato de beber todo o conteúdo de um recipiente, de desaguar um rio ou de baixar a maré (vazante).

De maneira informal, pode indicar o ato de sair de determinado lugar, sendo sinônimo de sair, deixar e abandonar. E mais: é também os atos de externar sentimentos, de enterrar ou passar através de alguma coisa ou de difundir uma informação por engano.

Alguns exemplos:

  • O carro vazou óleo por toda a garagem.
  • Ele vazou a informação sem medir as consequências.
  • Ricardo vaza de qualquer lugar sempre que começa uma confusão.

Homofonia: termos distintos, mesma fonética

Como dito lá no início, tanto a palavra “vaso” quanto o termo “vazo” são pronunciados pelos mesmos sons, ou seja, apresentam a mesma fonética. Palavras homófonas como estas, na língua portuguesa, não são tão incomuns: veja os casos de: acento/assento, conserto/concerto, cela/sela, sinto/cinto, cozer/coser, acento/assento.

A homofonia é a parte da morfologia que estuda a analogia entre vocábulos como esses, que têm formas fonéticas iguais e significação diferente. Podemos lembrar de outros exemplos: cessão/seção/ cesta/sexta, conselho/concelho (reunião), cheque/xeque, sede/cede (do verbo ceder).