Língua Portuguesa, em muitos casos, causa arrepios nos estudantes, e no topo dessa lista está a temida análise sintática. Mas a nossa função aqui é mostrar que ela não é um bicho-de-sete-cabeças. E o primeiro passo é entender direitinho do que ela trata, até porque ela contribui muito para a construção de um texto bem escrito (ou mesmo falado).

Para começo de conversa, vamos dar alguns passos para trás. É importante lembrar que letras e sílabas existem como fragmentos de algo maior – a palavra, que é quem tem sentido, que exprime uma ideia, de algo concreto ou não.

A seguir, vale destacar que toda língua (a Portuguesa, no nosso caso) é regida por um conjunto de normas para seu perfeito uso. A essas regras, damos o nome de Gramática. A título de estudo, a Gramática se divide em Fonética, Morfologia e Sintaxe.

Opa, voltamos, então, ao que nos interessa. Vamos agora entender a diferença entre análise sintática e análise morfológica.

O que é análise morfológica?

A morfologia é a parte da Gramática que foca nas palavras e estuda suas funções isoladamente. A Análise morfológica se concentra em separar as palavras em grupos conforme a ideia que sugerem. Assim, foram definidas dez classes gramaticais (substantivo, verbo, advérbio, pronome, numeral, preposição, conjunção, interjeição, artigo e adjetivo).

Dentre todas as classes gramaticais, também é possível detalhar ainda mais a palavra. Há, por exemplo, os substantivos comuns (indica os seres de uma mesma classe, como as árvores) e os próprios (nomes de pessoas, coisas, nações ou entidades), além dos substantivos concretos, abstratos, primitivos, derivados, simples, compostos e coletivos. 

Análise morfológica na prática

Vamos ver agora no exemplo a análise morfológica de cada palavra do período abaixo:

ex: Viajamos para o Nordeste nas últimas férias.

  • Viajamos: VERBO VIAJAR – 3ª pessoa do plural, no pretérito perfeito do indicativo, voz ativa
  • Para: PREPOSIÇÃO
  • O: ARTIGO – definido
  • Nordeste: SUBSTANTIVO – próprio
  • Nas: forma contraída da PREPOSIÇÃO “em” + o ARTIGO “as”
  • Últimas: ADJETIVO
  • Férias: SUBSTANTIVO – abstrato

O que é análise sintática?

Sintaxe vem do grego syntáxis, que significa “arranjo”. É, portanto, um arranjo que se dá entre palavras diferentes para formarem uma ideia que, diga-se, uma palavra isolada não conseguiria produzir.

A análise da Sintaxe, ou Análise sintática, é um ramo da Gramática que estuda não a palavra em si, mas qual é a relação que ela guarda com as outras em uma oração – aquela do sujeito + predicado. E aí é importante lembrar que a oração é um encadeamento de palavras que, juntinhas, formam um pensamento.

Como dito acima, o interesse na função que a palavra exerce dentro da oração é tarefa da análise sintática. É esse exercício que acaba por dissecar (ou descrever) as possibilidades e os mecanismos que são utilizados pelo autor do texto para combinar as palavras, a fim de conferir sentido ao período.

Nela, as classes gramaticais dão lugar a categorias como sujeito (simples, composto, determinado ou indeterminado), adjunto adverbial, predicado, objeto direto e indireto, complemento nominal, aposto, vocativo, entre outros.

O sujeito, que é uma coisa ou pessoa sobre a qual se faz uma declaração, é básico em uma oração, mas a Análise sintática parte mesmo da identificação do verbo. É válido ter uma oração que não conte com um sujeito (aquelas em que o verbo é impessoal, como em “Choveu ontem” ou em “Faz dois dias que…”).

Mesmo assim, deve-se ressaltar que o sujeito, como tal, independe de outro termo da oração, podendo ter complemento (adjuntos e predicado), mas não é complemento de nada.

Análise sintática na prática

Para entender melhor, vamos analisar sintaticamente o período do exemplo anterior:

ex: Viajamos para o Nordeste nas últimas férias.

  • Sujeito: nós (sujeito oculto)
  • Predicado: Viajamos para o Nordeste nas últimas férias. (predicado verbal)
  • Núcleo do predicado: viajamos
  • Adjuntos adverbiais: “para o Nordeste” e “nas últimas férias”

Relação entre morfologia e sintaxe

Cada classe gramatical de palavra pode exercer várias funções distintas numa oração. Um substantivo pode ser núcleo do sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, agente da passiva, complemento nominal, aposto, adjunto adnominal e adjunto adverbial (nesses dois últimos casos, aparecem em locuções adjetivas ou adverbiais). O adjetivo pode exercer a função de núcleo do predicativo e do adjunto adnominal. Já o pronome adjetivo assume o lugar de adjunto adnominal; se for um pronome substantivo, tem a mesma função de substantivo. Entre as dez classes, a exceção é a interjeição, que não exerce função sintática.

Ah, então, o que resta dizer é que a Análise Morfológica dá condições para o exercício da Análise sintática, que deve ser vista, por sua vez, como um bom subsídio para compreender melhor a Língua Portuguesa, sem mais arrepios.

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