O enredo da nossa vida a gente conhece muito bem, de cor e salteado. O enredo da escola de samba é mais fantasioso e por isso mesmo talvez mais fascinante. Seja qual for, enredo é o que conta a história, é elemento fundamental de um texto narrativo. E é em torno dele que os acontecimentos se desenrolam.

Chamado também de intriga, trama ou argumento, do ponto de vista estilístico, o enredo pode ser definido como uma estrutura de natureza ficcional ou não ficcional composta por acontecimentos em série que formam uma ação no tempo-espaço. Seus agentes são personagens da narrativa.

Tipos de enredo

Há três tipos de construção de enredo: linear, não linear e psicológico.

O enredo linear caracteriza-se pela presença sucessiva de quatro elementos: apresentação/Introdução – apresenta as personagens e dá as primeiras noções sobre cenário e tempo; complicação – é, basicamente, a história em movimento; clímax – é o ápice, o ponto mais intenso da narrativa; desfecho – parte final que, quase sempre, encerra os conflitos do enredo.

O enredo não linear trabalha com os mesmos quatro elementos do linear, mas não encadeia os fatos de modo sucessivo como o linear. É comum a utilização do recurso do flashback, que adianta para o leitor/espectador alguns acontecimentos, ou fragmentos deles – que, numa sequência de tempo linear, só poderiam acontecer depois de outros tantos.

O enredo psicológico é ainda mais caótico, podendo apresentar fatos que nem sempre são evidentes, porque busca evidenciar os pensamentos das personagens. Nesse caso, muitas vezes os acontecimentos são escassos ou até inexistentes: o enredo se interessa mais em entrar na cabeça da personagem.

Como fazer

Como disse ali em cima, a vida da gente configura um enredo. Este, portanto, já poderia ser chamado do “tema” da narrativa: “minha vida”, “minhas férias”, e assim em diante.

Escolhido o tema, é bom que a narrativa conte com pelo menos um bom conflito – todo mundo tem um para chamar de seu, não é? Como você vai contar a história? Escolha o tipo de narrativa – linear, não linear ou psicológica – bem como os personagens, o local e o corte temporal da narrativa. E escreva!

Você pode contar a história como parte integrante dela ou preferir se distanciar um pouco das “cenas”, fazendo apenas o papel de contador (narrador).

Há vários tipos de narrador: pode ser um personagem da trama, que participa da história; um narrador onisciente, que sabe de tudo e conhece a fundo os personagens e seus pensamentos íntimos; um observador, que fica limitado a olhar e contar o que viu.

As personagens também podem assumir várias formas. Podem ser planas –simples e previsíveis – ou redondas/esféricas – quando são mais complexas e imprevisíveis.

Por fim, é preciso assumir um tipo de discurso narrativo: o direto apresenta a fala de uma personagem sem rodeios; no indireto, o narrador relata o que as personagens falam em cada cena; já o indireto livre ou semi-indireto faz o narrador reproduzir o pensamento de uma personagem.

Difícil? Nem tanto, eu garanto. Todo mundo tem uma boa história para contar. Escolha seu estilo e pratique. Como diz o sambista: “Deixa a vida te levar”!

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