As grafias ianomâmi e yanomami estão corretas.
Foto: Alejandro Zambrana/Sesai

Tanto ianomâmi quanto yanomami estão corretas. Contudo, o Vocabulário Oficial da Língua Portuguesa (Volp) reconhece somente a primeira forma. Neste artigo, vamos analisar as duas grafias. Confira!

Grafia reconhecida

Como dito anteriormente, o Vocabulário Oficial da Língua Portuguesa (Volp) da Academia Brasileira de Letras (ABL) registra somente a forma ianomâmi, com “i” e com acento circunflexo.

Vale destacar que a Lei Eduardo Ramos, de n. 726, de 8/12/1900, confere responsabilidade legal à ABL para controlar o vocabulário existente no nosso idioma. Apesar de antiga, a lei continua vigente. Assim, as indicações do Volp são consideradas oficiais.

A palavra ianomâmi recebe o acento circunflexo por ser uma paroxítona terminada com a letra “i” (i-a-no--mi).

Yanomami

Apesar de não estar registrada no Volp, a forma yanomami é a utilizada pelo Governo Federal e pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

Além disso, o próprio povo yanomami utiliza a forma com “y” e sem acento agudo. Essa grafia é também a que aparece em outros idiomas, como o inglês e o espanhol.

Nesse contexto, é lícito dizer que essa forma, apesar de a ABL não reconhecê-la, também pode ser considerada legítima.

É importante relembrar que o Acordo Ortográfico integrou as letras “y”, “k” e “w” ao alfabeto da língua portuguesa. Dessa forma, elas devem obedecer às regras gerais que caracterizam consoantes e vogais.

Vale destacar ainda que há registro das grafias yanoama e yanomani.

Significado

Para finalizar, vale pontuar que o termo yanomami (ou ianomâmi) foi criado por antropólogos a partir da palavra yanõmami. Na expressão yanõmami thëpë, significa “seres humanos”.

Essa expressão se opõe às categorias yaro (animais de caça) e yai (seres invisíveis ou sem nome), mas também a napë (inimigo, estrangeiro, “branco”).

Minúscula x Maiúscula

Segundo o Manual de Comunicação do Senado Federal, o nome dos povos indígenas devem ser grafados com letra minúscula:

ex: A situação dos ianômamis pode configurar um caso de genocídio.

Pasquale Cipro Neto traz mais algumas informações sobre esse tópico. De acordo com o professor, uma convenção de antropólogos em 1953 definiu que os nomes de grupos étnicos do Brasil seriam grafados no singular e com inicial maiúscula em artigos acadêmicos.

Quando não se trata de textos científicos, podemos nos referir aos povos indígenas com nomes no plural e letra minúscula (os yanomamis, os guarani-kaiowás, etc.), assim como nos referimos a qualquer nacionalidade.

Índio x Indígena

Ultimamente, os povos originários têm considerado o termo índio pejorativo, porque reforça um esteriótipo de que esses povos seriam selvagens e atrasados.

Nesse sentido, tem-se adotado, preferencialmente, o termo indígena, que indica alguém que é “natural do lugar que se habita” ou “aquele que está ali antes dos outros”. Dessa forma, a palavra é considerada mais respeitosa e representativa da grande pluralidade de povos originários.

Para finalizar, vale destacar um dado interessante. De acordo com o IBGE, há atualmente 274 línguas indígenas no Brasil.

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