Os jogos de linguagem são a chave da teoria desenvolvida na “fase 2” do pensamento de Ludwig Wittgenstein (1889-1951), principal nome da Teoria da Linguagem. Na nova visão do teórico, o significado de uma palavra emerge a partir de seu uso na linguagem e não da forma. O que vale, portanto, é o contexto, e este é definido pelo uso que se faz das palavras e dos significantes.

Para Wittgenstein, em contextos diferentes, cada palavra assume conotações distintas. Sai de cena, neste aspecto, a relevância congelada em um dicionário do significado das palavras e entra a multiplicidade de seus usos. O usuário, de acordo com o filósofo, se transforma em um jogador. A linguagem específica, e suas regras, dá espaço aos jogos de linguagem.

O filósofo utiliza o termo jogo, porque compara a linguagem a um jogo de xadrez, considerando as palavras como peças do tabuleiro e a escolha de cada uma delas como sendo uma jogada, um lance a ser executado.

Palavras e contextos

É curioso observar que Wittgenstein apenas apresentou exemplos, sem definir o que seria um jogo de linguagem. Porém, se pararmos para pensar, faz sentido não adotar uma definição fechada para quem afirma que tudo na linguagem depende do contexto.

Um bom jogador de xadrez observa as contingências antes de decidir qual movimento vai realizar. Assim é com o falante: as situações definem o emprego da melhor palavra, considerando as especificidades em que ela foi, é ou será empregada. Daí o jogo que é jogado no campo da linguagem.

Segundo Wittgenstein, é muito mais do que pensar no sentido prático das palavras. Para ele, são os diferentes contextos que regulam as práticas e, portanto, o real uso da linguagem num contexto social e na representação de distintas formas de vida.

A linguagem não se reduz a designar objetos. Pense numa brincadeira de mímica, o quão difícil pode ser “traduzir” o que o outro quer indicar se nos faltam pistas que contextualizem a ideia do outro jogador.

Como um acontecimento social, o jogo mobiliza jogadores/participantes para exercerem diferentes papéis. Esta movimentação não acontece, no entanto, sem que se observem regras. Contudo, vale ressaltar que, da mesma forma que esse jogo varia conforme o contexto, também as regras podem mudar. Não existe “a” regra, mas uma flexibilização delas a partir do contexto. E, mais, é o efeito dos jogos de linguagem que permite construir a noção (subjetiva, diga-se) sobre as coisas.

Wittgenstein faz, então, a diferenciação entre “significado” e “compreensão”. O significado é dado pela circunstância; e a compreensão, pelo domínio (o saber) sobre algo.

Apreender os jogos de linguagem

É fácil ensinar palavras, mas dominar os jogos de linguagem é outra história. Para Wittgenstein, a criança não desenvolve esse domínio pela explicação, mas sim por meio de treinamento prático que, mais uma vez, leva em conta questões situacionais.

A maior parte da experiência como falantes e ouvintes se dá por meio de novas palavras e frases. Isso denota a capacidade e o potencial criativo da linguagem que, no entanto, só é dominado quando jogado no dia a dia.