Encare inicialmente a ideia de parágrafo como uma questão espacial, como uma forma convencionada na escrita de ocupar certos espaços na folha de papel (no ambiente digital também, claro).

Esqueça por ora as questões ligadas ao conteúdo e foque a atenção para a convenção formal. Estou falando das linhas do caderno, mas, sobretudo de margens e de pontuação. Afinal, são esses fatores que delimitam o que chamamos parágrafo.

É quase como um aquário. A água, os peixinhos, eventualmente algumas plantinhas, devem ficar circunscritos à sua forma. Nenhum conteúdo tem permissão para extravasar as paredes de vidro.

Ensinar parágrafo – por onde começar?

Pensando nisso, nada mais prático que começar apresentando uma folha pautada à criança que está no primeiro ano – o domínio do conceito só será exigido a partir do terceiro ano. Desde cedo, a consciência de como a folha funciona é importante. É preciso ensinar que há as linhas horizontais paralelas, que devem “apoiar” as palavras escritas, e as margens verticais, quase sempre impressas em vermelho.

Onde começa o parágrafo? Aí evocamos a nossa memória afetiva… Até minha vó ensinava que a primeira palavra de um parágrafo deveria iniciar em uma linha “limpa” e ser colocada “a dois dedinhos” de distância da margem esquerda. Ela estava certa.

Em textos impressos, não se vê a pauta. Nesse caso, um bom exercício é pedir à criança que pinte os espaços que ficam entre o limite mais à esquerda da “mancha” de texto e a primeira letra que ela identifica. Vale também mostrar que a margem direita também é importante, porque exige que o resto do texto vá para a linha debaixo e recomece juntinho à margem esquerda.

Só depois, diga ao aluno que esse espaço tem um nome – parágrafo – e uma função – indicar que uma nova sequência de frases está começando. Esse, por si só, é outro bom ensinamento: que o parágrafo é uma unidade de sentido e, portanto, não se define segundo um número padronizado de linhas.

Características do parágrafo

Entramos agora na questão de conteúdo. Desse ponto de vista, é evidente que o parágrafo é um elemento relevante de qualquer texto. E não é muito difícil identificar suas funções. Elas são muito bem definidas.

O que é primordial a um parágrafo é que ele seja bem compreendido por si só, como uma unidade. Se estiver dentro de um texto maior, é essencial também que “converse” bem com seus “vizinhos de cima e debaixo”. A isso damos os nomes de coerência e coesão.

Esses conceitos todos são aprendidos em séries mais maduras. Um reforço importante para essa ideia é a leitura, que permite “apreender” a ideia de organização de um parágrafo pela experiência leitora.

Mesmo assim, o educador deve mostrar aos alunos que o parágrafo de um bom texto se concentra em uma única ideia-núcleo, mesmo que esteja esta esteja rodeada de ideias secundárias. A mudança de assunto é sempre pauta para um novo parágrafo.

O tópico frasal parece uma ideia bem sofisticada, mas é uma “mão na roda” quando o assunto é organizar um bom parágrafo. Mas vale destacar que nem toda frase inicial de parágrafo é um tópico frasal – para tal, ela precisa resumir o tema que vai ser exposto. Por isso é bom que ele seja uma afirmação objetiva e categórica ou, se preferir, “curta e grossa”.

Há uma imensidão de “aquários” diferentes, do vidrinho que hospeda um peixinho beta à imensidão do oceano. Assim é com os tipos de texto. E cada um deles exige uma estrutura textual diferente. A forma que define um bilhete é muito diferente daquela exigida no Enem (o temido texto dissertativo-argumentativo) ou até a de uma poesia. Seja como for, sempre há algum “cheiro de mar” (ou, se preferir, algum resquício de ideia-núcleo) nele.

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