Vidas secas é um romance escrito por Graciliano Ramos. A história, publicada em 1938, retrata a vida miserável de uma família de retirantes nordestinos obrigados a se deslocarem frequentemente para locais menos castigados pela seca.

O livro pertence à segunda fase do modernismo (geração de 1930), também chamada de regionalista e é considerada uma das mais bem-sucedidas obras da época. 

Personagens principais de “Vidas Secas”

Os personagens principais da obra “Vidas Secas” são:

  • Fabiano: é um homem bruto e de poucas palavras. Um pai de família que é, muitas vezes, confundido com um bicho. 
  • Sinhá Vitória: é a esposa de Fabiano que, assim como ele, não fala muito. O seu maior desejo é uma cama com a armação feita de couro.
  • Filhos: os filhos de Fabiano e Sinhá são citados sem a referência aos nomes. O filho mais novo tem muita admiração pelo pai, já o mais velho é mais próximo da mãe. 
  • Baleia: é a cachorra da família que se assemelha a um ser-humano. Apesar de não falar, ela consegue demonstrar os seus sentimentos. 
  • Soldado Amarelo: é o personagem que prende Fabiano injustamente.
  • Tomás da boiadeira: é um homem inteligente, porém abestado. Trata-se de um personagem que vive apenas na memória da família de Fabiano. 
  • Patrão de Fabiano: é o dono da fazenda, que contrata Fabiano para trabalhar para ele, em troca de abrigo. Homem desonesto e explorador.

Resumo de “Vidas secas”

A obra “Vidas secas” conta a história da família de Fabiano, que foge da seca no sertão e encontra uma fazenda abandonada. Sem recursos para continuar a viagem, Fabiano, sua esposa, seus dois filhos e sua cachorra acabam se abrigando no local. 

Pouco tempo depois, o dono da fazenda aparece e contrata Fabiano como vaqueiro. Assim, a família permanece no lugar, acreditando em dias melhores. No entanto, Fabiano é rude até mesmo consigo e relata se sentir um bicho.

Ele acredita que conhecimento, embora seja importante, não enche o bolso e se lembra frequentemente de Tomás da boiadeira que, mesmo lendo muito, não suportou a realidade da vida. 

A família

Sinhá, esposa de Fabiano, é tão dura quanto o marido, porém é mais esperta e sonha em ter uma cama feita com armação de couro. Enquanto, Fabiano cuida da terra, ela cuida do lar e dos filhos. 

Os filhos, por sua vez, não são referenciados pelo nome, apenas por “filho mais novo” e “filho mais velho”. O mais novo admira muito o pai e, por isso, faz de tudo para agradá-lo, já o mais velho é apegado à mãe. Já a cachorra, que se chama Baleia, aparenta ter muitos sentimentos, inclusive se mostra desapontada em determinadas situações.

Assim, a família, muito parecida com tantas outras de classe baixa, passa por momentos bons e ruins. No entanto, os ruins se sobressaem, dentre eles, uma briga que Fabiano arruma com o soldado amarelo, após ingerir bebida alcoólica. Confusão essa, que acarreta sua prisão. 

Embora a família concorde que o período em que estão vivendo ainda é melhor que enfrentar a seca, o dinheiro não se amplia e as humilhações são constantes. Já não bastasse o perrengue que Fabiano tinha de passar diariamente com o patrão, a cachorra da família adoece e precisa ser sacrificada. 

Assim, a família segue a vida até uma nova seca os expulsar da fazenda. Por essa razão, partem para o sul em busca de se manterem vivos. Fabiano reencontra o soldado amarelo, e tem a oportunidade de se vingar da prisão injusta, porém não tem coragem para tal feito. 

Estilo literário de “Vidas secas”

Dividido em 13 capítulos, o romance “Vidas Secas”, publicado em 1938, traz uma visão particular de cada um dos personagens da história. De caráter regionalista, o livro retrata o realismo socialista, representando paisagens urbanas e atividades do proletariado. 

Graciliano Ramos apresenta uma obra com ausência de idealizações e parcialidade narrativa. O enredo é contado em terceira pessoa, em linguagem simples e com o uso do discurso indireto livre, no qual as falas dos personagens se misturam ao narrador. Além disso, a história valoriza o espaço no qual é ambientado, ou seja, no sertão. 

Por fim, é possível notar a ausência do tempo cronológico. Isso porque o escritor destacou o tempo psicológico para que as angústias dos personagens se tornassem mais evidentes. 

Análise literária de “Vidas secas”

Em “Vidas secas”, Graciliano Ramos faz uma crítica a exploração do trabalhador por meio da história de Fabiano, contratado pelo dono da fazenda, em troca de abrigo. O patrão abusivo rouba as contas e ainda o humilha constantemente. 

É possível notar que a obra retrata a miséria de um homem sem estudo, nem posse, que passa a se enxergar como um bicho. Fabiano se revolta contra as injustiças, porém aceita os maus-tratos que sofre não somente do patrão, como também do soldado amarelo. 

No entanto, a história também mostra um animal cheio de sonhos, a Baleia, cadelinha da família. Embora não saiba falar, fica nítido o quanto ela consegue se comunicar através do seu corpo e salva a família da fome no início do enredo. O capítulo de sua morte é um dos mais emocionantes. 

O livro é repleto de termos regionais e diálogos próximos da fala. Assim como em outras obras da segunda fase do modernismo, “Vidas Secas” aborda diversos temas sociais, como forma de denúncia. 

Vale dizer que os capítulos da obra são soltos, isto é, não dispõem de linearidade, fazendo com que se assemelhe a contos de narrativas únicas. Ademais, o aprofundamento psicológico dos personagens é outro atributo importante da trama. 

Adaptação no cinema da obra “Vidas secas”

Em 1963, “Vida Secas” ganhou uma adaptação no cinema, pelas mãos do diretor Nelson Pereira dos Santos, um dos pioneiros do movimento “Cinema Novo”. 

O sucesso dessa adaptação foi tanto que recebeu diversos prêmios e ainda foi indicada em 1964 à Palma de Ouro do Festival de Cannes. 

Sobre o autor Graciliano Ramos 

Escritor, jornalista e político, Graciliano Ramos nasceu em 27 de outubro de 1882, em Quebrangulo, Alagoas. O autor viveu em diversas cidades do Nordeste até a conclusão do Ensino Médio e se mudou para o Rio de Janeiro, local onde exerceu a profissão de jornalista. 

No ano de 1915, Graciliano retornou ao Nordeste, permanecendo lá até 1936, ano em que foi preso pelo Governo Vargas. No entanto, em 1937 conseguiu a liberdade e permaneceu no Rio de Janeiro até a data de sua morte.

Graciliano Ramos faleceu em 20 de março de 1953, vítima de câncer de pulmão. O autor, que ganhou diversos prêmios por sua obra, inclusive o da Fundação William Faulkner pelo romance “Vidas Secas”, deixou um legado de livros, dos quais os principais são:

  • Caetés – 1933.
  • São Bernardo – 1934
  • Angústia – 1936
  • Vidas Secas – 1938.
  • A Terra dos Meninos Pelados – 1939.
  • Histórias de Alexandra – 1944.
  • Infância – 1945.
  • Insônia – 1947.

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