A tradicional e popular comemoração de Carnaval é celebrada em diversos lugares do mundo, sendo o Brasil um dos principais países a realizar a celebração. As tão conhecidas marchinhas que encantam adultos e crianças estão sendo cada vez mais usadas em atividades pedagógicas para as crianças, especialmente na Educação Infantil. 

Mas e você, sabe como usar marchinhas na alfabetização? Acompanhe o artigo para descobrir!

Por que usar marchinhas na alfabetização?

Como usar marchinhas de Carnaval na alfabetização?

Antes de falarmos sobre o uso das marchinhas em si, é fundamental destacar que o “aprender brincando” é uma tese defendida por diversos educadores. Vygotsky (1992) e Piaget (1974), por exemplo, reforçavam que as crianças desenvolviam melhor as suas habilidades cognitivas quando aprendiam por meio de jogos e brincadeiras. 

Nesse cenário, trazer o Carnaval para o universo da alfabetização é essencial para o alcance de bons resultados no que diz respeito à leitura e à escrita. Em outras palavras, quando as crianças aprendem a cantar marchinhas, elas não precisam pensar no que escrever, e sim em como escrever as palavras já decoradas, promovendo um extenso valor pedagógico. 

Isso significa que, quando os alunos trabalham com textos já decorados, conseguem refletir melhor sobre o processo da escrita, pois trabalham com um vocabulário que lhes é familiar. Em outras palavras, associam e compreendem mais claramente as letras, as palavras e a ordem em que elas aparecem. Esse tipo de exercício auxilia no avanço de suas hipóteses de leitura e escrita, fazendo com que haja melhoria no processo de alfabetização. 

Vale dizer que, além das marchinhas de Carnaval, trabalhar o desenvolvimento da escrita a partir dos textos que os alunos já conhecem é uma grande estratégia para um maior aprendizado. 

5 dicas de como usar marchinhas na alfabetização

As possibilidades para usar marchinhas na alfabetização são vastas. Abaixo, você confere 5 sugestões de atividades para implementar em sala de aula: 

1. Roda de conversa

A roda de conversa é uma atividade importante para qualquer série escolar e pode, inclusive, ser uma etapa de planejamento para outros exercícios. Isso porque, durante essa dinâmica, o professor pode enriquecer o conhecimento das crianças sobre o Carnaval e também compreender o quanto elas já sabem sobre o assunto. 

Além de falar sobre a temática, é fundamental colocar a celebração em contexto, ou seja, trazer fotos, figuras, histórias e, claro, as marchinhas. Dessa forma, as crianças poderão trocar informações sobre a festa popular e ainda potencializar o que conhecem a respeito do Carnaval. 

2. Letras das marchinhas

Após a apresentação das marchinhas, ainda na roda de conversa, o professor pode trabalhar as letras de algumas delas. Essa atividade pode ir além de apenas “cantar as músicas”. É possível encenar, desenhar o que a música diz e ainda construir murais com figuras que representem a temática da marchinha.

Por exemplo, na letra “mamãe, eu quero mamar”, as crianças podem recortar fotos e figuras de bebês, mamadeiras, chupetas, mães com recém-nascidos chorando e assim por diante. Nesse contexto, diversas atividades podem ser realizadas, focando nas letras das marchinhas, de maneira que os alunos decorem e aprendam a cantá-las.

3. Atividade oral 

Quando as crianças já souberem cantar as marchinhas de Carnaval, atividades orais podem ser realizadas. Nesse contexto, o professor pode cantar um pedaço de determinada marchinha e pedir para as crianças continuarem. No entanto, elas não precisam apenas “cantar”, podem imitar outras vozes e, até mesmo, o som de animais, tornando a dinâmica mais divertida. 

Além disso, como já foi mencionado, os alunos podem contracenar entre si, encenando o que a letra da marchinha está dizendo. Podem cantar em grupo, fingir que estão emocionados, rindo, chorando, entre diversas opções. Essas atividades também contribuem para o desenvolvimento das competências socioemocionais dos estudantes, conforme previsto na BNCC.

4. Uso de palavras-chaves

O uso de palavras-chaves é muito interessante na alfabetização e consiste no professor selecionar alguns termos de determinadas marchinhas. Após feita a seleção, ele deve levar essas palavras para a sala de aula e citá-las aos alunos, que deverão associá-las às marchinhas trabalhadas anteriormente. 

Usando novamente o exemplo da letra “mamãe eu quero”, é possível usar as palavras “chupeta” ou “neném”. Os alunos, ao identificarem a marchinha, podem cantá-la ou representá-la de alguma forma. Esse exercício é excelente para as crianças aprenderem a associar as palavras presentes em um texto. 

Essa estratégia também pode servir como subsídio para a realização de ditados, contribuindo para que os estudantes fixem as grafias corretas dos vocábulos selecionados.

5. Texto memorizado

Por fim, esta última sugestão é indicada para finalizar uma sequência de atividades, ou seja, trata-se de um exercício mais complexo. 

Para realizá-la, basta que as crianças acompanhem a letra das marchinhas de Carnaval com o “dedinho” no papel. Assim, elas escutarão a música, enquanto leem como ela é escrita. Isso ajuda a relacionarem a palavra escrita ao que estão escutando, auxiliando no reconhecimento de sons e construções na hora de escrever. 

É possível notar que as sugestões de atividades de como usar marchinhas na alfabetização não devem ser implementadas todas na mesma aula. Isso porque o ideal é que seja um processo gradual, construído a partir dos interesses que os alunos demonstraram na roda de conversa. 

Além disso, quando realizamos uma sequência didática, conseguimos explorar uma habilidade por vez e ainda aumentar o nível de complexidade em cada uma delas. O importante é promover atividades lúdicas e não se esquecer de ressaltar a importância cultural do Carnaval. 

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