Os estudos da área de neurociência contribuem muito para o processo de alfabetização. Neste artigo, vamos explicar a relação entre as duas áreas. Confira!

Alfabetizar uma criança consiste em ensiná-la a ler e a escrever, sendo estes, passos importantes para a sua autonomia. No entanto, muito tem se questionado sobre a neurociência e a alfabetização, ou seja, o quanto a área que estuda o cérebro pode influenciar diretamente no processo de aprendizagem?

A neurociência tem tido um papel fundamental na explicação do desenvolvimento das crianças no período da alfabetização. Diversos estudos apontam a interação e a contribuição dos aspectos neurobiológicos, ambientais e socioemocionais como fatores decisivos nas dificuldades de aprendizagem.

No artigo de hoje, vamos mostrar que a neurociência e a alfabetização são complementares e vamos entender qual o papel do educador nesse processo. Confira!

Conceito

A neurociência é o campo que estuda as funcionalidades do sistema nervoso, este que é o principal responsável pelo aprendizado. Ela se divide em três áreas: 

  • neuropsicologia; 
  • neurofisiologia; 
  • neurociência cognitiva. 

Juntas, possuem a finalidade de entender como a mente humana funciona e quais são as melhores estratégias para otimizar os seus processos. 

O aprendizado se enquadra em um desses processos. Isso porque ele faz parte do sistema nervoso. Desse modo, coloca os sentidos para trabalhar e leva as informações ao cérebro que, ao chegarem, são processadas, compreendidas e armazenadas. Entretanto, se não houver estímulos corretos, todas as informações aprendidas podem ser esquecidas.

Dentre os fatores que podem estimular o sistema nervoso e sua capacidade de aprendizagem, podemos destacar:

  • plasticidade cerebral: habilidade do cérebro em se modificar de acordo com as alterações do ambiente. Quanto mais plástico for o cérebro de uma criança, mais facilidade ela terá na aprendizagem;
  • memória: funciona por intermédio da ativação dos circuitos neurais e com base em associação. Quando um circuito é ativado, ele ativa o próximo automaticamente;
  • emoção: é o fator que deixa as sinapses mais estáveis e fortes, influenciando diretamente na memória e no aprendizado. Um bom exemplo disso, é a facilidade que uma pessoa adulta tem de lembrar de acontecimentos da infância;
  • motivação: consiste na força que leva uma pessoa a realizar determinada tarefa na ânsia de alcançar resultados;
  • atenção: relacionada com os interesses e estímulos aos quais o ser humano é exposto. Estímulos demais podem tirar o foco e prejudicar a aprendizagem.

Como ocorre o processo de alfabetização?

O processo de alfabetização inicia-se pelo reconhecimento dos sons. Por essa razão, toda a comunicação pela qual a criança passou desde os primeiros meses até a inserção na educação infantil são de grande valia. 

Dessa forma, um dos principais elementos para a aprendizagem é o ambiente, ou seja, os adultos precisam oferecer à criança uma rotina repleta de estímulos. Assim, quando chegar a hora de alfabetizá-la, por volta dos quatro aos seis anos de idade, ela estará mais preparada. 

Após essa etapa, a criança deverá aprender a associação dos sons com as letras e, para isso, são inúmeras as possibilidades de jogos e atividades. É importante destacar que nessa fase ela recebe a informação por meio da atenção. Em seguida, essa mesma informação se consolida pela memória, criando a conexão pela lógica e externalização.

Como a neurociência contribui com a alfabetização?

A neurociência vem sendo apontada como uma ferramenta essencial para a alfabetização. Não é pra menos, visto que ela direciona o professor para a compreensão das características do aprendizado das crianças e estratégias mais eficientes.

Por meio dela, os educadores compreendem como o cérebro é impactado pelo ambiente. Dessa forma, conseguem adotar estímulos mais assertivos para guiar o processo de aprendizagem em sala de aula.

Dentre os principais benefícios da neurociência na alfabetização, podemos destacar:

  • auxilia o professor a entender o desenvolvimento dos alunos: os educadores passam a enxergar novas possibilidades e estratégias de aprendizagem, respeitando o tempo de cada criança;
  • ajuda com a adoção de estratégias assertivas: o modo com que cada aluno aprende é único e, em razão disso, a neurociência contribui para que o professor adote estratégias diferenciadas com base na necessidade de cada turma.

Como trabalhar a neurociência e a alfabetização?

A alfabetização não é um processo que ocorre naturalmente, ou seja, para ler e escrever é preciso que ocorra a ativação simultânea de diversas áreas do cérebro. Isso acontece entre os 5 e 7 anos, quando a plasticidade se encontra no auge. É nesse momento que a anatomia do cérebro é alterada e outras funções são estimuladas.

Quando uma criança é alfabetizada, ela começa a aprender os sons da língua, as rimas e a relação entre as letras e os sons. Esse processo demanda que ela reconfigure o cérebro para conseguir processar esse novo formato. 

Essa reconfiguração não é um processo natural, ou seja, precisa de estímulos, repetições e prática.

Ao conhecer os processos cerebrais de leitura e escrita, é possível desenvolver meios mais eficientes para a alfabetização. Algumas dicas para o sucesso desse processo são:

  • apresentar às crianças os mais diversos livros ilustrados, como histórias em quadrinhos, interativos, e assim por diante, para estimular o interesse na leitura;
  • estimular o envolvimento dos pequenos com as histórias lidas, por meio de provocações e perguntas;
  • explorar a utilização de outras linguagens, como música, dança, arte, para que as crianças criem relações entre a escrita e as demais linguagens;
  • criar um ambiente “alfabetizador”, com letras, livros de leitura e demais itens que estimulem e desafiem os pequenos a aprendizagem.

Além disso, é ideal que o educador não se limite apenas na alfabetização por meio de aulas comuns, ou seja, é fundamental que ele invista em outros recursos como uso de som, imagem e atividades práticas para uma melhor absorção do conhecimento.

O conhecimento adquirido durante os estudos da neurociência podem contribuir diretamente no ensino da leitura e da escrita. Quanto mais os educadores compreenderem o funcionamento do cérebro, mais eles conseguirão aplicar as informações necessárias para o aprendizado. 

Por isso, vale a pena refletir sobre as mudanças no ensino, as quais consideram os aspectos cognitivos da aprendizagem de cada aluno. Isso porque, cada criança possui características diferenciadas que influenciam diretamente na obtenção de conhecimento.

A neurociência e a alfabetização devem caminhar juntas

Por fim, é fundamental que o professor busque novos métodos em cada fase do aprendizado. Para isso, ele deve contar com o apoio dos familiares, para que as crianças vivam em um ambiente propício para o aprendizado.

A neurociência e a alfabetização devem caminhar juntas para que estratégias sejam desenvolvidas. Isso tornará o conhecimento mais eficaz e fará com que o educador seja o mediador do processo de ensino-aprendizagem, auxiliando no desenvolvimento das crianças.

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