A transcrição fonética consiste em um sistema de símbolos que tem como finalidade representar os sons da fala. No entanto, mais do que símbolos que transcrevem vogais e consoantes de todas as línguas, a transcrição fonética também apresenta outros fatores da pronúncia, como os acentos e a tonicidade, por exemplo. 

Além disso, ela se difere de região para região e de pessoa para pessoa, isso porque ela simboliza os diferentes sotaques que existem. Neste artigo, vamos saber mais sobre esse assunto. Acompanhe!

Sobre a transcrição fonética

Os símbolos fonéticos são determinados pelo IPA – The International Phonetic Alphabet, que, em tradução livre, significa Alfabeto Fonético Internacional. Eles estão diretamente associados com as letras do alfabeto, com algumas exceções. 

Na transcrição fonética, os símbolos são escritos entre colchetes [ ], a utilização do til indica a nasalização da vogal, e o uso do apóstrofo antes de uma sílaba faz referência a sua tonalidade. 

Por intermédio das transcrições, é possível visualizar melhor a fala, com a utilização de seus sinais gráficos próprios. Além disso, elas permitem que o professor alfabetizador reflita melhor sobre os conflitos entre a fala (pronúncia) e a escrita (ortografia). 

Como ocorre a transcrição fonética?

Por meio da utilização dos símbolos do alfabeto fonético, os sons transcritos são apresentados dentro de colchetes. 

Um exemplo disso, é a transcrição fonética das palavras do dialeto mineiro: mala [ˈmalə], moça [ˈmosə] e moço [ˈmosʊ], mole [ˈmɔlɪ]. Nesses casos, o símbolo (ˈ) representa a sílaba tônica de cada uma das palavras.

Como é possível notar, a transcrição fonética representa as falas de modo mais direto, ou seja, em relações às quais cada símbolo caracteriza um som ou fone da língua. Por essa razão, há pronúncias diferentes para uma palavra que na ortografia se escreve de uma única forma.

Para exemplificar, podemos citar a palavra “dia”. Existe uma única maneira de escrevê-la, mas há, pelo menos, duas formas para a sua transcrição fonética. Observe: a transcrição [ˈdʒiə], para a pronúncia “djia”, falada no estado do Rio de Janeiro e a transcrição [ˈdiə], falada em Campinas (SP). 

Desse modo, a transcrição fonética auxilia na visualização de uma fala de uma maneira mais eficiente, por meio do uso de sinais gráficos próprios. 

Representação dos principais sons vocálicos

[a] – som á – pá, pato.

[ɐ] -som ã – dama, cama.

[ɛ] – som é – pé, metro, credo.

[e] – som ê – medo, dedo, cedo.

[i] – som i – ir, vir, sede.

[ɔ] – som ó – cola, coca, moda.

[o] – som ô – morrer, correr.

[u] – som u – uva, vodu, pato.

[j] – semivogal i nos ditongos – pai, país, leite.

[w] – semivogal u nos ditongo – céu, cruel.

Representação dos principais sons consonantais

[b] – som b – barco, banana, beijo.

[p] – som p – pedágio, pato, pé.

[t] – som t – temporal, tombo, tijolo. 

[tʃ] – som t africado – tingimento, tipo, tintura.

[d] – som d – dedo, dia, dado.

[dƷ] – som d africado – dia, dinheiro, dica. 

[k] – som c e qu – canal, colcha, queijadinha, quitute.

[g] – som g e gu – galo, gato, guilhotina, guerrilha.

[Ʒ] – som j – jeito, hoje, viagem, jiboia.

[f] – som f – fato, faca, fome.

[v] – som v – vaso, vida, volta.

[s] – som s – sapato, sala, cínico, cereja.

[z] – som z – zebra, amizade, camiseta, camisa.

[r] – som rr – torre, carro, rato.

[ɾ] – som r entre vogais – faro, caro.

[m] – som m – mamãe, medo, malvada.

[n] – som n – nada, neve, nuca.

[ɲ] – som nh – linha, minha, ganho.

[ʃ] – som ch – chuva, cheio, chave, feliz.

[l] – som l – luta, limbo, lado

[ʎ] – som lh – cedilha, velha, mulher. 

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