Machado de Assis foi a personalidade mais importante da literatura brasileira entre o fim do século XIX e o início do século XX, sendo considerado por muitos um dos melhores escritores que o Brasil já teve.

Foi romancista, contista e poeta, além de deixar algumas peças de teatro e inúmeras críticas, crônicas e correspondências. Publicou seus primeiros textos ainda seguindo o modelo romântico e, a partir de 1881, filiou-se ao Realismo.

Vida pessoal e profissional

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839 no Morro do Livramento, Rio de Janeiro. De origem humilde, seu pai era brasileiro e pintor de paredes, enquanto sua mãe era portuguesa e trabalhava como lavadeira.

Frequentou por pouco tempo uma escola pública e aos 16 anos já frequentava a tipografia de Paula Brito, onde se publicava a revista Marmota Fluminense. Nela, Machado estreou como escritor com seu poema “Ela”, em 1855. No ano seguinte, trabalhou como aprendiz de tipógrafo, depois revisor, ao mesmo tempo que colaborava com artigos em vários jornais da época.

Teve uma esposa, a portuguesa Carolina Xavier de Novais, com quem se casou em 12 de novembro de 1869. Carolina era irmã do poeta Faustino Xavier de Novais, amigo de Machado.

Como servidor público, teve uma carreira exitosa: em 1873, foi nomeado primeiro oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas; em 1892, foi Diretor-Geral do Ministério da Viação. Em 1897, foi eleito o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras (também chamada “Casa de Machado de Assis”).

Após a morte de sua esposa, o escritor iniciou um processo de isolamento. Sua saúde também estava muito abalada, pois sofria com epilepsia, outros problemas nervosos e uma gaguez progressiva. Morreu em 29 de setembro de 1908, em sua casa no Cosme Velho, bairro no Rio de Janeiro.

A obra de Machado de Assis

Costuma‑se distinguir na obra de Machado de Assis duas fases: 

1. Fase romântica ou de amadurecimento;

2. Fase realista ou de maturidade.

1. Primeira fase

Poesia machadiana:

Na fase romântica, Machado de Assis produziu três livros de poesias, que seguiram os padrões de autores românticos e árcades. Na obra Americanas, é possível perceber a influência de Gonçalves Dias.

Características:

– temática amorosa ou nacionalista;

– pouca preocupação formal;

– linguagem bem cuidada.

Prosa machadiana:

Como bom crítico literário, Machado de Assis era, principalmente, crítico de suas próprias obras. Assim criticou e desculpou-se das obras da primeira fase em lançamentos de novas edições, como consta na advertência de uma das reedições de Helena:

“Não me culpeis pelo que lhe achardes romanesco. Dos que então fiz, este me era particularmente prezado. Agora mesmo, que há tanto me fui a outras e diferentes páginas, ouço um eco remoto ao reler estas, eco de mocidade e fé ingênua. É claro que, em nenhum caso, lhes tiraria a feição passada; cada obra pertence ao seu tempo.” (ASSIS, Machado de. Helena. São Paulo, Edigraf, s.d. p. 9)

E assim Machado de Assis nos mostrou a evolução de sua prosa, da fase romântica para a fase realista.

Além de Helena, pertencem a essa fase os romances Ressurreição, A mão e a luva, e Iaiá Garcia.

Características:

– amor contrariado;

– casamento por interesse;

– ligeira preocupação psicológica;

– leve ironia.

Essas características, mais tarde, se consolidariam nas obras de Machado.

2. Segunda fase

Poesia machadiana:

Machado foi um perfeito parnasiano. Seus sonetos de destaque são: Círculo vicioso, Soneto de Natal e A Carolina.

Características:

– métricas;

– rimas;

– linguagem apuradíssima;

– profunda preocupação formal;

– exaltação do conceito “arte pela arte”;

– temática filosófica e pessimista.

Prosa machadiana

A prosa machadiana da segunda fase consagra a transição de Machado de Assis do romantismo para o realismo. É nesta fase também que se encontram suas principais e mais famosas obras: Memórias póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro

Memórias póstumas de Brás Cubas – é considerado o primeiro romance realista da literatura brasileira. A narrativa em primeira pessoa inovou ao relatar memórias póstumas, nas quais o narrador rememora sua vida após a morte, visto que ele é um defunto‑autor. 

Estando morto, Brás Cubas pode narrar sua vida com total isenção, estando totalmente desvinculado de qualquer relação com a sociedade e com a própria vida.

Sua dedicatória, é uma das mais ilustres e comentadas na nossa literatura:

“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico com saudosa lembrança estas Memórias Póstumas”.

Quincas Borba – a obra é uma análise da desagregação psicológica e financeira do humilde professor Rubião, um mineiro que recebeu uma herança de Quincas Borba, criador de um sistema filosófico chamado Humanitismo. A narrativa em terceira pessoa mostra a desagregação de Rubião até a loucura total e a miséria absoluta, sendo ele o exemplo prático do Humanitismo. Rubião morre pobre e louco e, no auge da loucura, também conhece a plena lucidez: sua última e célebre frase encerra toda a sociedade e o Humanitismo – “Ao vencedor, as batatas…”.

Dom Casmurro – A princípio, o romance parece girar em torno de um provável adultério:

Bentinho é casado com Capitu e desconfia que o filho Ezequiel, seja, na verdade, filho de Escobar, seu amigo. O ciúme doentio de Bentinho leva a uma separação física (mas não social) do casal, pois Capitu e o filho passam a viver na Europa a pretexto de um tratamento de saúde da mulher. Toda a narrativa é usada para a confecção de brilhantes perfis psicológicos e análises de comportamento. Nesta obra, Machado de Assis retoma à narração em primeira pessoa.

Características:

– análise psicológica dos personagens;

– pessimismo;

– negativismo;

– linguagem correta e clássica;

– frases curtas;

– capítulos curtos;

– conversa com o leitor;

– análise da sociedade;

– crítica aos valores românticos.

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