Importante tendência literária do final do século XIX, o Movimento Simbolista, ou Simbolismo, como também é chamado, nasceu na França, após a publicação do livro de poemas de Charles Baudelaire. A obra As flores do malfoi a primeira a propor um resgate dos símbolos, isto é, de uma linguagem que era capaz de compreender todo o universo.

Marcadas pelas visões de mundo pessimistas e com um vocabulário impreciso e sugestivo, as prosas e poemas simbolistas permitem que adentremos em um território de sentimentos e perspectivas de determinadas sociedades existentes antes da Primeira Guerra Mundial. Neste artigo, vamos conhecer o contexto, as características e os autores do Movimento Simbolista. Acompanhe!

Movimento Simbolista - características e principais autores.

Origem do Movimento Simbolista

O livro de poemas de Charles Baudelaire, publicado em 25 de junho de 1857, foi a obra que deu origem ao Movimento Simbolista. Depois dela, muitos outros escritores passaram a escrever no estilo baudelaireno e se intitularam decadentistas, revolucionando a literatura europeia. 

Os decadenstistas foram então considerados os primeiros simbolistas da Europa. No Brasil, o movimento só chegou após a Abolição da Escravatura, ocorrida em 1888, e da Proclamação da República, em 1889. Ele manteve grande parte das características do simbolismo europeu.

Contexto histórico 

Uma enorme crise econômica ocorreu na Europa nas últimas três décadas do século XIX, crise essa que trouxe pobreza e desigualdade social. Os progressos científicos e o ideal positivista atingiram o século seguinte, durante a Primeira Guerra Mundial. 

Assim, foi na dura realidade da época que o livro “As flores do mal”, de Baudelaire, foi escrito. Acompanhe um trecho abaixo:

A PERDA DA AURÉOLA

“Olá! O senhor por aqui, meu caro? O senhor nestes maus lugares! O senhor bebedor de quintessências e comedor de ambrosia! Na verdade, tenho razão para me surpreender!”

“Meu caro, você conhece meu terror de cavalos e viaturas. Agora mesmo, quando atravessava a avenida, muito apressado, saltando pelas poças de lama, no meio desse caos móvel, onde a morte chega a galope de todos os lados ao mesmo tempo, minha auréola, em um brusco movimento, escorregou de minha cabeça e caiu na lama do macadame. Não tive coragem de apanhá-la. Julguei menos desagradável perder minhas insígnias do que me arriscar a quebrar uns ossos. E depois, disse para mim mesmo, há males que vêm para o bem. Posso, agora. passear incógnito, cometer ações reprováveis e abandonar-me à crapulagem como um simples mortal, E eis-me aqui, igual a você, como você vê.”

“O senhor deveria, ao menos, colocar um anúncio dessa auréola ou reclamá-la na delegacia caso alguém a achasse.”

“Não! Não quero! Sinto-me bem assim. Você, só você me reconheceu. Além disso a dignidade me entedia. E penso com alegria que algum mau poeta a apanhara e a meterá na cabeça descaradamente. Fazer alguém feliz, que alegria! e sobretudo uma pessoa feliz que me fará rir. Pense em X ou em Z. Hein? Como será engraçado.”

Charles Baudelaire, As flores do mal, 1857

Nota-se claramente que Baudelaire falava sobre a perspectiva dos simbolistas perante a realidade atual que os cercava. 

Quais as características do Movimento Simbolista?

Como já foi dito, o Movimento Simbolista é caracterizado pelo pessimismo sobre a existência. Isso se deu conforme o cenário da época, marcado pela desilusão da sociedade. Por meio de uma linguagem imprecisa e fluida, os autores do simbolismo retratavam uma visão subjetiva do mundo em que viviam. 

Neste contexto, podemos dizer que as características do Movimento Simbolista são:

  • construção de poemas com figuras de linguagem, como a sinestesia, presente em seus versos por meio das descrições de aromas, cores e sons, e a antítese, abordando o plano material e espiritual;
  • uso de pausas, espaços em branco, reticências e outras formas de representação do silêncio;
  • apresentação de temáticas voltadas ao interior humano;
  • utilização de vocabulário volátil e referências ao absoluto ou ao nada;
  • presença de religiosidade transcendental;
  • descrições de luz e sombra;
  • uso de imagens decadentes e sombrias;
  • utilização de versos livres e metrificações irregulares;
  • concepção de musicalidade nos poemas;
  • utilização de palavras escritas com inicialização em maiúscula.

Autores do Movimento Simbolista na Europa

Na última metade do século XIX, na França, o simbolismo surgia e era visto como uma escola de “decadentes” e “poetas malditos”. Entre os que mais ganharam destaque no Movimento Simbolista Europeu estão:

Charles Baudelaire (1821-1867)

Precursor do Movimento Simbolista, Charles Baudelaire (1821-1867) escreveu inúmeros poemas baseados em suas teorias de mundo invisível e superior. Assim, inspirou outros autores. 

Baudelaire também escreveu ensaios e utilizava a palavra “modernidade” sempre que descrevia as mudanças geradas pelos impactos do desenvolvimento da indústria europeia.

Suas principais obras são: 

  • As flores do mal (1857);
  • Curiosidades estéticas (1869);
  • Pequenos poemas em prosa (1869).

Stéphane Mallarmé (1842-1898)

Conhecido no Movimento Simbolista pela complexidade que apresentava em seus versos, Stéphane Mallarmé (1842-1898) construía textos guiados pela temática da impossibilidade e pela busca da perfeição. Suas composições poéticas eram repletas de angústia e sua genialidade foi reconhecida tarde demais.

Mallarmé foi um grande influenciador das vanguardas literárias e também é considerado um dos pioneiros da poesia concreta. Entre as suas obras, destacam-se:

  • Poesias (1887);
  • Divagações (1897).

Paul Verlaine (1844-1896)

Conhecido por suas constantes tentativas de conciliar comportamento reprovável com aspiração mística, Paul Verlaine (1844-1896) é o dono do termo “poeta maldito”. Muito mais que sonetos, o autor também escreveu versos livres e prosas. 

Algo que chama muito a atenção é que Verlaine nunca fez parte de nenhum tipo de corrente artística, porém suas obras tem traços evidentes do Movimento Simbolista. Suas principais obras são:

  • Poemas saturninos (1866);
  • Os poetas malditos (1884).

Autores do Movimento Simbolista no Brasil

O movimento Simbolista no Brasil chegou com as mesmas características do simbolismo europeu. Contudo, os poetas malditos foram substituídos por uma literatura mais litúrgica e religiosa. Os seus principais autores são:

João da Cruz e Sousa (1863-1898)

Considerado o principal autor do Movimento Simbolista brasileiro, Cruz criava obras que revelavam uma cultura incompátivel com a situação racial do país, que havia acabado de abolir a escravidão.

Foi em 1893, na publicação de “Missal”, seu livro de prosas líricas, e de “Broquéis”, sua obra escrita em versos, que se percebeu o desenvolvimento do simbolismo no Brasil. O trabalho de Cruz trouxe grandes feitos ao universo literário brasileiro, ou seja, aliterações, ressonâncias internas, prolongamentos sonoros, entre outros. Dentre as suas principais obras, podemos citar:

  • Missal (1893);
  • Broquéis (1893);
  • Evocações (1898);
  • Faróis (1900);
  • Últimos Sonetos (1905).

Afonso Henriques da Costa Guimarães (1870-1921)

Conhecido como Alphonsus de Guimaraens, o autor se consolidou no ano de 1894. Devido ao falecimento de uma prima, ele passou a ser obcecado com a temática da morte e, por isso, passou a citá-la em todos os seus versos. 

Em “Ismália”, um de seus poemas mais famosos, Alphonsus faz o uso de símbolos como o céu, o mar, a lua, o sonho, sugerindo o Movimento Simbolista. Seus versos são feitos de antagonismos e exploram o lado obscuro da humanidade e o plano material e espiritual. Suas obras mais conhecidas são:

  • Dona Mística (1899);
  • Kiriale (1902);
  • Mendigos (1920);
  • Pulvis (1938).

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884-1914)

Acima de qualquer movimento literário, Augusto dos Anjos (1884-1914) tinha muita dificuldade de se adaptar ao cotidiano e produzir a estrutura de seus versos. No entanto, o autor trouxe uma mistura de terminologia científica com uma obra repleta de amargura e tristeza, caracterizando-se assim como um poeta simbolista.

Augusto aproximou-se dos autores do Movimento Simbolista para superar os seus contrastes matéria-espírito, escrevendo um único livro chamadoEuem 1912.

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