A crônica é um gênero textual que está muito presente nos meios de comunicação como os jornais, as revistas e a rádio. Trata-se de um texto curto, produzido em prosa, e tem como assunto os acontecimentos do cotidiano das pessoas. 

Este gênero de texto está sempre conectado ao ambiente em que é construído e, em razão disso, possui vida curta. Em outras palavras, com o passar do tempo tende a ficar fora do seu contexto. 

Neste artigo, vamos falar detalhadamente sobre a crônica, seu conceito e suas características. Acompanhe a Leitura!

O que é crônica?

A palavra “crônica” vem do latim “chronica” e significa um registro de eventos decorrentes do tempo cronológico. Na literatura e no jornalismo, esse gênero textual consiste em uma narrativa curta, produzida especialmente para a vinculação na imprensa, isto é, em páginas de jornais, revistas ou mesmo na rádio. 

O objetivo principal do texto é, partindo de uma situação aparentemente banal do cotidiano, levar o leitor a uma reflexão. Vale destacar que, de forma geral, a crônica está inserida dentro do tipo textual narrativo.

Em resumo, a crônica é um texto curto e descontraído que narra de forma literária e pessoal fatos colhidos do noticíario ou do nosso cotidiano com o objetivo de fomentar uma visão crítica sobre a vida.

Quais são as características da crônica?

Mesclando narrativa com trechos reflexivos e argumentativos, as crônicas possuem uma linguagem leve e marcada por coloquialidade. No entanto, é importante destacar que cada cronista possui o seu estilo próprio no que se refere ao uso das palavras. 

No que diz respeito aos temas apresentados, podemos afirmar que são os mais variados possíveis, isso porque as crônicas tratam dos acontecimentos do cotidiano das pessoas. Nesse contexto, os cronistas podem retratar qualquer evento ocorrido no ambiente urbano. 

Além disso, embora as crônicas abordem o dia a dia, o principal objetivo do gênero não é simplesmente informar, mas sim provocar uma reflexão sobre o tema abordado. Os cronistas normalmente identificam aspectos que passam despercebidos pelas demais pessoas, mas que precisam de uma análise mais profunda. 

Esse é o caso da crônica intitulada de “A última crônica” de Fernando Sabino. O texto é narrado a partir de uma situação observada pelo escritor, na qual uma família de negros comemora o aniversário da filha em um bar. Confira um trecho abaixo:

“… Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

        Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado, o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.

São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “Parabéns pra você, parabéns pra você…”

É possível notar que, no trecho acima, muito mais que retratar a comemoração dos pais e da garotinha, o autor apresenta um tema reflexivo: a pobreza. O fragmento nos faz compreender que a família não tinha dinheiro suficiente para uma festa e, em razão disso, optou por um simples pedaço de bolo para a filha.

No entanto, além da reflexão sobre a falta dinheiro, o cronista nos faz perceber que, muito além das aquisições, o que realmente tem o poder de trazer felicidade é o afeto. Podemos notar claramente no trecho a seguir: 

“… Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.”

Para resumir, então, as características das crônicas são:

  • narrativas curtas e de fácil compreensão;
  • mistura de narrativa com texto reflexivo (opinativo);
  • utilização de linguagem coloquial e descontraída;
  • cenários reduzidos;
  • presença de poucos personagens;
  • assuntos associados a acontecimentos cotidianos (atualidades);
  • humor crítico ou sarcástico;
  • linha cronológica bem estabelecida. 

Tipos de crônicas

As crônicas são uma espécie de texto que contém enredo, narração, personagens, tempo e espaço. Elas podem ser classificadas em:

  • crônica descritiva: é caracterizada pelos detalhes descritos na narrativa, trata-se de um texto que apresenta as particularidades de tudo que o compõe: objetos, lugares e personagens;
  • crônica narrativa: construída pela narrativa em primeira ou terceira pessoa do singular, esse tipo de crônica dispõe de elementos de ação, humor e crítica;
  • crônica dissertativa: pode ser escrita tanto em primeira, quanto em terceira pessoa do plural. Ela costuma trazer o ponto de vista do cronista sobre o tema abordado;
  • crônica humorística: nela contém ironia, humor e sarcasmo. Normalmente é produzida para retratar os temas que impactam a sociedade de forma hilária;
  • crônica lírica: este tipo de crônica manifesta o sentimentalismo por meio das emoções;
  • crônica poética: além de contar com a transmissão de emoções e sentimentos, também utiliza versos em sua composição;
  • crônica narrativo-descritiva: nela se combina a narrativa e a descritiva no mesmo texto;
  • crônica jornalística: possui uma linha de texto jornalistico por meio da veiculação de notícias. Neste tipo de crônica são abordados acontecimentos atuais;
  • crônica histórica: diferentemente da jornalística, na crônica histórica se destacam episódios do passado;
  • crônica-ensaio: bem diferente das demais, na crônica-ensaio são retratadas as críticas que ocorre nas relações sociais e de poder;
  • crônica filosófica: por último, a crônica filosófica é a que traz a reflexão do assunto tratado no texto. 

Como escrever uma crônica?

Para escrever crôncias, é preciso, antes de tudo, definir o tipo de texto. Isso porque ele deve seguir características do seu formato. Além disso, precisa conter:

  • breve introdução;
  • descrição do tema retratado;
  • a grande sacada da conclusão da crônica. 

Ademais, para escrever essa modalidade de texto, algumas dicas são válidas. Dentre elas:

  • procure escolher assuntos contemporâneos. a menos que queira retratar algo histórico;
  • pesquise muito sobre o assunto, antes de opinar sobre ele;
  • defenda o seu ponto de vista;
  • procure não incluir personagens na história e se o fizer, que seja o mínimo possível;
  • tenha atenção as regras gramaticas;
  • tenha clareza nas palavras;
  • atente-se ao tamanho do texto;
  • revise antes de publicar. 

Principais cronistas do Brasil

Esse gênero textual surgiu no século XV como crônicas históricas, ou seja, retratavam fatos históricos. Anos depois, o gênero se aproximou do público e foi ampliado, sobretudo nos canais de comunicação. No Brasil, ele ficou conhecido em meados do século XIX, por intermédios de grandes cronistas, dentre os quais podemos destacar:

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