Clube do Português

Língua Portuguesa, Literatura e Alfabetização

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Ação comunicativa – entenda a teoria de Jürgen Habermas

Concentre-se na seguinte cena: você comprou uma estante nova no último fim de semana, mas agora tem de montá-la na sua sala de estar. Sua pretensão é finalmente organizar seus livros no móvel novo. Só que se esqueceu de que precisa de uma chave de fenda para apertar os parafusos.

Você sabe que seu vizinho tem uma caixa grande de ferramentas e vai até ele pedir a chave emprestada. Bate à porta dele e pede emprestada a ferramenta. Ele sempre foi solícito; diz que vai buscar o instrumento e volta com ele em mãos. Você agradece e volta para montar a estante.

Veja quantas camadas diferentes tem esse relato. Primeiro, a sua intenção subjetiva, que é ter uma estante nova montada na sala para organizar os livros. Segundo, a subjetividade do vizinho, que gosta de ajudar e não pensa duas vezes em aceitar emprestar a chave de fenda.

Em terceiro, uma ação prática; a sua, expressa em um discurso, sua fala, que pediu ao vizinho a ferramenta emprestada. Por fim, uma dimensão social, que define os códigos (critérios) sociais que ambos seguem para fazer valer tal interação.

Esses mundos – subjetivo, objetivo e social – estão na teoria da ação comunicativa proposta pelo filósofo alemão Jürgen Habermas (1929-).

A ação comunicativa pressupõe uma interação de, no mínimo dois indivíduos capazes de falar e de agir e que estabelecem relações interpessoais com o objetivo não só de compreender a situação em que ocorre a interação, mas também os supostos planos de ação que organizam suas ações pela via do entendimento.

De acordo com o filósofo, a razão comunicativa portanto vai além da relação individual de alguém com o mundo objetivo, chegando à relação intersubjetiva, na qual sujeitos que falam e atuam buscam o entendimento entre si, sobre algo.

Para ele, ao fazer isto, os atores comunicativos movem-se (jogam?) por meio de uma linguagem natural, valendo-se de interpretações culturalmente conhecidas, transitando simultaneamente em um mundo objetivo, em seu mundo social comum e em seus próprios mundos subjetivos.

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Wittgenstein e os jogos de linguagem

Os jogos de linguagem são a chave da teoria desenvolvida na “fase 2” do pensamento de Ludwig Wittgenstein (1889-1951), principal nome da Teoria da Linguagem. Na nova visão do teórico, o significado de uma palavra emerge a partir de seu uso na linguagem e não da forma. O que vale, portanto, é o contexto, e este é definido pelo uso que se faz das palavras e dos significantes.

Para Wittgenstein, em contextos diferentes, cada palavra assume conotações distintas. Sai de cena, neste aspecto, a relevância congelada em um dicionário do significado das palavras e entra a multiplicidade de seus usos. O usuário, de acordo com o filósofo, se transforma em um jogador. A linguagem específica, e suas regras, dá espaço aos jogos de linguagem.

O filósofo utiliza o termo jogo, porque compara a linguagem a um jogo de xadrez, considerando as palavras como peças do tabuleiro e a escolha de cada uma delas como sendo uma jogada, um lance a ser executado.

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Explicar x Esplicar – qual a forma correta?

A grafia correta é explicar, com “x”. A forma esplicar, com “s”, está incorreta e não existe na língua portuguesa. Neste artigo, vamos fazer uma análise completa dessa palavra. Vejamos!

Explicar

Explicar é um verbo que vem do latim explicare. Percebe-se, assim, que o uso da letra “x” na primeira sílaba do termo é justificada pela etimologia da palavra. Dito de outro maneira, como a forma em latim era grafada com “x”, a palavra em português seguiu o mesmo caminho.

Vale destacar que os vocábulos derivados do verbo também devem ser escritos com “x”: explicação, explicativo, explicamos, etc.

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Batismo x Batizado – quando usar cada palavra?

As palavras batismo e batizado, apesar de serem muitas vezes utilizadas como sinônimas, têm significados e usos distintos. Neste artigo, vamos mostrar quando empregar cada uma delas. Vejamos!

A imagem mostra um criança senda batizada e tem uma legenda escrita:
Qual a diferença entre batismo e batizado?

Batismo

O termo batismo é um substantivo masculino, que dá nome ao que se dá ao processo ou sacramento de iniciação cristã de um indivíduo. Trata-se de um primeiro compromisso com Deus.

A palavra vem do latim baptismus, que significa imersão. Vejamos alguns exemplos de uso dela:

  • Maria recebeu o batismo quando tinha três meses de idade.
  • O batismo é considerado o primeiro sacramento da Igreja Católica.
  • Em algumas igrejas, o batismo só pode ser realizado em adultos.
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Arte literária – entenda a relação entre arte e literatura

O ser humano sempre sentiu a necessidade de se comunicar para transmitir informações, emoções, ideias, desejos etc. Entender e ser entendido sempre foi uma questão inevitável entre os indivíduos, por isso o homem encontrou inúmeras formas de se expressar ao longo dos séculos.

Gestos, expressões faciais, músicas, danças, desenhos, pinturas, esculturas… esses são só alguns exemplos. Mas não há como negar que, de todas as formas de comunicação que existem, a linguagem verbal é a mais eficaz, sendo manifestada pela fala e pela escrita. Ambas as manifestações tem como matéria-prima a palavra, e o homem foi descobrindo inúmeras formas de utilizá-la com o passar do tempo.

De modo geral, podemos dividir toda a nossa comunicação verbal em literária e não literária. Enquanto o texto não literário tem como objetivo principal informar, esclarecer, explicar, ou seja, tem um aspecto mais utilitarista, o texto literário faz o uso estético da linguagem verbal falada ou escrita, por isso é considerado uma arte, a arte literária.

Mas o que é arte?

Dentre os muitos significados de arte, podemos destacar estes que aparecem no dicionário on-line da Porto Editora:

  • expressão de um ideal estético através de uma atividade criativa;
  • conjunto das atividades humanas que visam essa expressão;
  • criação de obras artísticas (…)

Ou seja, podemos compreender a arte como uma atividade criativa que visa a expressão de ideias, ideologias, sentimentos, emoções, culturas e tudo mais que se desejar externar.

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Teoria dos atos de fala – conheça a teoria de Austin e Searle

Qual é o sentido por trás do ato de falar? Podemos fazer coisas através da fala? É possível agir através de palavras? O que, afinal, nos impulsiona a dizer algo? É isso que estuda a Teoria dos Atos de Fala.

Já vimos anteriormente com o filósofo pioneiro da Filosofia da Linguagem, Ludwig Wittgenstein, que, no jogo de linguagem, o sentido das palavras é determinado pelo seu uso em diferentes interações linguísticas. Mas daí surgiram outras questões:

O que quer
O que pode esta língua?
(Caetano Veloso)

A resposta é dada pela Teoria dos Atos de Fala, proposta inicialmente por John Langshaw Austin (1911-1960), filósofo pioneiro da Escola Analítica de Oxford, e depois incrementada por John Searle (1932) a partir da Filosofia da Linguagem.

Resumidamente, a teoria acredita que a função da fala vai muito além de transmitir informações. Para ele, falar é a expressão de uma ação e representa, portanto, uma forma de agir sobre o interlocutor e sobre o mundo circundante, dando sentido a ele. O ato de fala é, portanto, toda ação realizada através do dizer.

Para Austin, essa ideia extrapola a visão descritiva da língua, de que uma afirmação serve para descrever um estado de coisas e, sendo assim, pode simplesmente ser verdadeira ou falsa. Segundo o filósofo, algumas coisas não são ditas para descrever, mas sim para realizar ações.

Assim, conhecer e entender o contexto (quem fala, com quem se fala, para que se fala, onde se fala, o que se fala) é essencial para captar as pistas para a compreensão total dos enunciados.

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Arco-íris – qual o plural?

O plural de arco-íris é arcos-íris. Neste artigo, vamos explicar qual regra se aplica a esse substantivo composto. Vejamos!

Substantivo + Substantivo

A imagem mostra um arco-íris em cima do mar. Ao lado está escrito:

Em regra, os termos compostos formados pela união de dois substantivos possuem duas formas de plural. Ou só a primeira palavra vai para o plural ou as duas palavras vão para o plural.

ex: palavras-chave/palavras-chaves, peixes-boi/peixes-bois, anos-luz/anos-luzes, etc.

Com relação ao substantivo composto arco-íris, temos uma peculiaridade. A palavra “íris” não tem plural, ou melhor, as formas plural e singular são idênticas. Dessa forma, só há flexão no primeiro termo. Por isso, o correto é arcos-íris.

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Filosofia da linguagem – conceito, origem e principais autores

Quantas vezes você já se meteu em discussões, brigas ou conflitos por falta de compreensão do que foi dito? Em quantas oportunidades teve de dar um tempo durante uma simples conversa para que uma palavra ou uma expressão dita por alguém fosse corrigida, refeita, reavaliada ou reafirmada a partir de uma nova intenção? Se isso já aconteceu com você, fica mais fácil perceber a importância de entender melhor o complexo fenômeno que está por trás do que se chama linguagem.

Percebe que no cerne disso a linguagem aparece como forma de expressão difusa do pensamento e de visões diferentes do que é a realidade? Esta compreensão é filosófica e esbarra na linha da Filosofia da Linguagem.

Este ramo da Filosofia se dedica a investigar não só as palavras como forma de se relacionar com as pessoas, mas também o sentido delas como termos, expressões e frases que se constroem dentro da estrutura de pensamento humano.

Mais do que isso, a Filosofia da Linguagem tenta apreender o que se passa de fora para dentro e de dentro para fora de cada pessoa. Não é, portanto, apenas uma reflexão sobre as relações estabelecidas com o mundo exterior, mas também sobre a formação das concepções íntimas do pensamento.

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Literatura periférica – conceito, obras e autores

A literatura periférica, também conhecida como literatura marginal, faz referência a toda produção literária que contraria e, até mesmo, opõe-se aos moldes da literatura canônica. Isto é, a literatura periférica não goza de prestígio social e acadêmico e circula fora do mercado comercial das grandes editoras.

Hoje, essa falta de prestígio justifica-se, principalmente, pelo fato de seus escritores originarem-se de grupos sociais marginalizados. Além disso, suas obras apresentam forte subversão linguística e retratam histórias de sujeitos pertencentes às classes desfavorecidas.

Origem da literatura periférica no Brasil

Foi na década de 1970 que o termo marginal apareceu na literatura brasileira por meio da Geração Mimeógrafo. Essa geração era composta de artistas que estavam inseridos no contexto da poesia marginal, assim denominada por estar à margem do circuito editorial estabelecido à época.

As motivações da Geração Mimeógrafo eram diferentes das motivações dos escritores periféricos de hoje. Seus artistas, que integravam a classe média, desejavam fazer os próprios livros e simbolizavam um movimento de contracultura em função da censura imposta pela Ditadura Militar, que os obrigou a buscar meios alternativos de propagação cultural.

Dessa forma, por ser o mimeógrafo uma tecnologia acessível à época, as obras eram produzidas de forma artesanal e vendidas de mão em mão, nas ruas, em praças e nas universidades. Os escritores que tiveram destaque nesse cenário de busca por uma liberdade de expressão foram: Ana Cristina César, Paulo Leminski, Chacal, Torquato Neto, Jards Macalé e Waly Salomão.

Somente no final da década de 1990 que surgiram os escritores oriundos das periferias, principalmente as de São Paulo. Eles começaram a tratar principalmente de temas que envolviam a própria periferia, a cultura hip hop e os problemas sociais. Então o poeta Ferréz, nome artístico de Reginaldo Ferreira da Silva, retomou o termo marginal e nomeou a literatura produzida por ele como literatura marginal.

Desde então, a literatura periférica/marginal pode referir-se a: obras e autores que, por algum motivo, circulam fora do mercado comercial das grandes editoras; obras e autores que fazem oposição às tendências literárias e fogem dos cânones estabelecidos; autores de origem periférica, cujas obras retratam a realidade das minorias.

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